sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Proibir ou educar??


Imagem retirada do Google Imagens

Acabo de ler uma sequencia de textos no blog do Reinaldo Azevedo (1, 2, 3 e 4) abordando o tema da intenção da ONG, Alana de proibir no estado de São Paulo a veiculação de mídia alimentar, com foco no público infantil, de produtos considerados não saudáveis (ricos em açúcar, sódio, gorduras, etc.), bem como da proibição da utilização de brindes em alimentos, como acontece no Mc Lanche Feliz e no Kinder Ovo, por exemplo.

A polêmica se baseia primeiro no fato da ONG ter tentado impor a sua regra em um estado, infringindo assim, uma lei constitucional, já que se trata de uma decisão federal, e não estadual como proposta. Depois, a discussão prossegue com abordagem dos nomes das pessoas envolvidas na ONG e suas relações com o Banco Itaú. Acho que vale a pena a leitura das matérias para melhor compreensão do tema e dos argumentos discutidos...

Todo mundo está careca de saber, é que não existe mídia santa. Nem de alimento e nem de nada! Mas é ela que "patrocina" a TV, o rádio, os jornais e revistas (impressos ou digitais), que nos trazem todo tipo de informação: útil e inútil. Preciso concordar com o jornalista, entretanto, que qualquer medida proibitiva é uma afronta à democracia. Além disso, para algo ser proibido, alguém precisa julgar se é certo ou errado. E aí? Quem é esse alguém? Que critério ele usará?

Detesto essa ideia de algo ser bom ou mal. Como se o mundo fosse dividido em céu e inferno. As coisas vão ser boas ou ruins de acordo com cada caso particular. Vou dar um exemplo corriqueiro de uma opinião pessoal que já emiti diversas vezes. Muitas pessoas já vieram me perguntar o que acho do Herbalife. O que sempre respondo é o seguinte: não é nem bom, nem ruim. Como assim? Bem, se uma pessoa que faça inúmeras refeições em cadeias de fast food e coma congelados da pior espécie rotineiramente, venha a substituir um cachorro quente da esquina por um shake, muito provavelmente sairá ganhando em termos nutricionais. Não é uma suposição imaginária, de fato, conheço quem praticamente se alimentava de Mc Donalds e semelhantes, estava obeso e com o Herbalife, conseguiu emagrecer e passou a ter mais preocupação com a saúde. Ideal? Claro que não é... Mas quem disse que existe uma situação ideal na vida? Evitar uma cirurgia bariátrica com o uso de um shake é super positivo, se essa é a única solução que uma pessoa obesa encontre para emagrecer, por exemplo. Pelo menos não estará mutilando o próprio corpo e comprometendo o seu sistema digestório... Agora, se alguém que tem hábitos alimentares super saudáveis, com uma dieta repleta de vegetais frescos, orgânicos e produtos integrais, pensar em substituir suas refeições por shakes industrializados, direi que acho que sairá perdendo na troca... É tudo uma questão de parâmetros e ocasiões.

Então, essa questão de proibir anúncios de alimentos (ou do que quer que seja) estará baseada na estipulação de um critério no qual eu não acredito: do bem e do mal. Vou dar mais um exemplo. Evito ao máximo o consumo de alimentos altamente industrializados, preferindo sempre produtos frescos, artesanais, orgânicos, locais e integrais. Entretanto, se eu estiver em um lugar, onde considere que haja risco de contaminação, por alimentos frescos (seja pela forma do manuseio do alimento ou pela água disponível no local), certamente um pacote de batatas fritas será a melhor opção para que eu não passe fome e nem morra de intoxicação alimentar. Logo, quem sou eu para dizer que batata frita (ou qualquer produto industrializado) não presta, deve ser banido ou ter sua mídia proibida? Eu quero poder conhecer as variedades do que é ofertado no mercado (até mesmo daquilo que não consumo em meu cotidiano), para poder escolher aquilo que considero “menos pior”, numa ocasião como a descrita acima, por exemplo.

A mídia está aí para isso, divulgar de tudo um pouco. Cabe a cada um ter uma crítica pessoal acerca daquilo que é veiculado, para poder usar e abusar da sua liberdade na hora da escolha. Esse método de querer regulamentar o livre arbítrio das pessoas é uma forma de roubar a capacidade de raciocínio delas. Sobre as crianças, acho que o foco deve ser sempre a EDUCAÇÃO! Se existe uma população que não tem autonomia financeira alguma no mundo são as crianças. Ou seja, elas são produto daquilo que aprendem com os pais e demais educadores. Uma criança não pode que o pai coloque refrigerante em sua madeira, a culpa de uma atrocidade dessas (conheço inúmeros casos) é inteiramente dos pais. Que direito eles têm de se queixarem que seus filhos estão obesos ou de colocarem a culpa na mídia? O problema é que os pais modernos andam cada vez mais preguiçosos, querendo delegar 100% da educação dos filhos e se isentar de responsabilidades.

Se a criança está desatenta é porque sofre de TDAH, se está obesa é por culpa da mídia, se não sabe lidar com problemas está sofrendo bullying na escola... Ou seja, existem cada vez mais bodes expiatórios para justificar a ausência dos pais e a falta de pulso deles em dizer não, por exemplo, quando um filho pede algo que viu na televisão. Traumas?? Crianças que se sentem excluídas por não possuírem aquilo que todos os colegas possuem?? Mais desculpas para os pais mimarem os seus filhos com bens de consumo e depois jogarem a culpa no capitalismo selvagem. É uma questão de saber dosar as coisas. Meus pais não me privaram de tudo, mas colocaram muitos limites. Fui criada sem refrigerantes, pizzas, hambúrgueres e doces, apesar de ver tudo isso na TV, nas festinhas de crianças e casas de colegas. Nem por isso fiquei traumatizada. Ao crescer e começar a ter mais autonomia, passei por minha fase rebelde e já comentei isso aqui. Faz parte do processo de crescimento e desenvolvimento da autocrítica. É justamente a possibilidade de escolher, negar e descobrir o que é melhor para si, que faz com que o ser humano se desenvolva. Cabe aos pais estarem junto aos filhos nesse processo, dialogando e mostrando como a vida é, ao invés de quererem esconder o mundo real, criando seus filhos numa fantasia utópica. Eles vão crescer e vão se deparar com a vida real, cruel como sabemos que ela é... Que tal prepará-las homeopaticamente desde a infância para diminuir o impacto do susto e das decepções?

Imagem retirada do Google Imagens

Agora, fico imaginando que espécie de geração será formada no futuro se as crianças de hoje não puderem receber uma crítica (porque é considerado bullying), não souberem lidar com as mudanças de humor (porque se doparam com remédios de tarja preta desde pequenos) e não souberem que apesar da propaganda de salgadinho ser super divertida, aquele alimento é de baixo valor nutricional. Quando se encontrarem com liberdade, vão querer abusar dela e compensar a repressão da infância, assim como vemos em muitos casos de alcoolismo.

Não é muito mais lógico educar? Hoje em dia, todo jovem que coloca um copo de cerveja na boca sabe que aquilo é prejudicial à saúde. A propaganda não deixou de existir, mas junto com ela existe uma massiva campanha. Da mesma forma, o jovem que se arrisca em transar sem camisinha, sabe muito bem os riscos que está correndo. A vida é feita de escolhas e precisamos lidar com elas desde pequenos.

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Será que não é mais efetivo educar a população, obrigando que haja chamadas após comerciais de alimentos, com conteúdos como: Atenção – esse alimento pode aumentar o risco de diabetes; Atenção  - este alimento é contraindicado para hipertensos, e por aí vai...? Ou então obrigar que sejam colocados rótulos nos produtos, assim como foi feito nas carteiras de cigarro? É mais trabalhoso, sem dúvida! Mas pelo menos estaremos construindo uma sociedade de pessoas críticas e conscientes de sua própria saúde ao invés de marionetes governamentais.

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3 comentários:

  1. Ta' ai' uma coisa que nunca considerei antes, nunca pensei por esse lado. Obrigada por expandir a nossa mente! Bebe energia positiva quem quer ne'? (sempre odiei esse comercial)

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  2. Muito bom o seu blog.
    quanto a colocar advertências nas propagandas, é sempre oportuno lembrar que o consumo de arroz integral, em excesso, por pessoas obesas ou qualquer outra combinação de fatores, também pode causar diabetes.
    Suco de laranja tem mais calorias que coca-cola, mas qual critério devemos adotar para distinguir um alimento de um produto industrializado pernicioso à saúde?

    Parabéns por seu excelente questionamento, que não deixa dúvidas quanto à escolha. É sempre melhor educar, e assumir os riscos termos livre arbítrio.

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