sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

How many Fish? Quantos peixes? Tradução do texto por Dominic Frisby

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Gostei tanto deste texto que me dei ao trabalho de traduzi-lo para que meus leitores que não dominam o inglês possam desfrutá-lo também. É longo, mas vale a pena!! Boa Leitura!! =)



Quantos peixes? 
Texto por Dominic Frisby - Tradução: Camila Lisboa

“Entregue um peixe a um homem e você irá alimentá-lo por um dia. Ensine-o a pescar e você irá alimentá-lo por uma vida.”

À medida que a fresta da desigualdade cresce, uma batalha ideológica se desenrola no ocidente. 

De um lado, existem aqueles que pensam que o governo pode consertar as coisas. Que ele precisa fazer mais, taxar mais – mesmo que isso signifique gastar mais dinheiro do que o que possui. De outro lado, existem pessoas que acreditam que o governo deve ficar de fora, cortando despesas e deixando o setor privado criar o crescimento que demandamos. 

Este é o cerne da questão no chamado debate da austeridade no Reino Unido; é a questão que está no âmago do conflito entre a Alemanha e o sul da Europa; é a questão que está no coração do furor das dívidas, déficits, e no movimento do “Tea Party” americano.

Um aumento nos gastos públicos – o que alguns chamam de “economia Keynesiana” embora eu imagine se Keynes iria aprovar isso hoje – é o caminho para sair da crise? Ou seria a causa dela?

Vamos resumir isso a uma simples questão moral:

Se você é o governo e um homem está faminto, você:

A) Entrega-lhe um peixe?
B) Entrega-lhe uma vara e ensina-o a pescar?
C) Vai cuidar daquilo que lhe diz respeito?



Eu imagino que a maioria das pessoas instintivamente escolha a opção B. Desta forma você poderia “alimentá-lo para o resto de sua vida.” (A propósito, o ditado não é, como muitos pensam, chinês, mas sim de Mrs. Dymond, um romance do século XIX escrito por Anne Ritchie, filha de William Makepeace Thackeray.) Vamos considerar as alternativas propostas.



A: O que acontece que você der um peixe a um homem?

Em primeiro lugar, ele é alimentado. O risco de que ele morra de fome deixa de existir.

Mas esta boa-ação têm consequências ocultas que gera todo tipo de perigos morais:

Onde você vai buscar este peixe? Você precisa pegá-lo de alguém. Quem? Por que deveria tirar o peixe deste alguém?

Ou você precisa pagar alguém para pegar este peixe para você. Neste caso, quem você irá pagar para lhe prestar este serviço? Você precisa levar dinheiro para esta pessoa – mais uma vez, quem leva?

Ainda há o risco de que o seu “pescador governamental” irá interferir no sustento de outros pescadores.

Se você continuar dando-lhe peixe, este homem – sem a pressão da necessidade – terá menor probabilidade de aprender a pescar para matar sua própria fome. Assim, precisará receber mais peixes, o que irá requerer que mais peixes sejam retirados de outras pessoas. Isso poderá afetar seu auto-respeito. Ele poderá inclusive criar a expectativa de que receber peixe grátis é um direito seu. 

Aqueles que estão tendo seus peixes tomados agora são forçados a pescar mais do que antes precisavam. Isso poderá reverberar em outros aspectos de suas vidas – seus parceiros podem ter que começar a pescar também, por exemplo, ou então precisarão deixar outros planos de lado, como iniciar uma família. Para piorar a situação, ainda precisam conviver com a ideia de que muitos dos peixes que entregam ao governo são perdidos ou desperdiçados.

Dar peixe ao indivíduo exime seus familiares, amigos e comunidade da responsabilidade de ensiná-lo a pescar ou alimentá-lo.

Se outras pessoas começam a ver que peixe grátis está sendo distribuído, muitos começarão a não ver mais razão em pescar e irão parar. Isso poderá levar a um colapso na coesão social entre aqueles que pescam e aqueles que não pescam.

As pessoas que redistribuem o peixe podem não ser eficientes neste serviço. Além disso, elas também precisarão se abastecer de peixes. Assim, já que estão entregando muitos peixes, poderão cair na tentação de ficar com alguns para próprio usufruto.

Se você der a um grupo de pessoas peixes grátis, esse grupo provavelmente irá florescer e expandir, quando tudo que você quer é que a demografia daqueles que necessitam de peixe reduza.

Resumindo, dar peixes grátis poderá causar mais problemas do que o que busca solucionar.



Agora vamos para a proposição B… Você entrega-lhe uma vara e ensina-o a pescar.

A vantagem desta teoria é que se, como diz o ditado, você o alimenta pelo resto de sua vida, ele se torna independente, autossuficiente e por aí vai.

A combinação das opções A e B, eu acredito, tem sido a conduta por trás das políticas de praticamente todos os governos ocidentais nos últimos cem anos, aproximadamente. Eles acreditaram que poderiam dar peixes às pessoas para em seguida dar-lhes varas e gradualmente ensiná-los a pescar para si mesmos, até que não precisassem mais de assistência.

Mas não é assim que tem acontecido. As pessoas agora estão mais dependentes e com maiores expectativas em relação ao governo do que em qualquer outra época da história. Foram distribuídos mais peixes grátis, varas e lições do que nunca antes. E quanto mais são distribuídos, mais esses peixes grátis, varas e lições são esperados, de fato, as pessoas passam a depender disto.

Existem diversos tipos de riscos morais. E os custos das aulas e dos equipamentos? São ainda maiores do que os custos dos peixes grátis. Quem paga por eles? As mesmas pessoas que já tiveram seus peixes retirados. Isso é justo – eles já tiveram um grande carregamento de peixes tirados deles no fim das contas?
Estas pessoas vão ter que dedicar ainda mais tempo à pescaria, o que significa que terão ainda menos tempo e recursos para dedicar às suas famílias e comunidades. Este fardo extra faz com que estas pessoas sejam empurradas para reino daquelas que precisam de peixe, aulas de pesca e equipamentos.

Com o tempo, o grupo de pessoas que esperam receber peixes, equipamentos e aulas cresce, ao passo que o grupo que lhes abastece destes produtos e serviços vai diminuindo. Isso é exatamente o oposto da intenção original.

E o fato de que todos esses equipamentos e pescaria novamente eximem familiares, amigos e comunidades, daquilo que outrora fora suas responsabilidades? Quais são os efeitos negativos disso? E o fato de que agora as comunidades estão divididas – alguns tendo que pescar mais ainda e outros sem pescar nada?

Quem decide quais métodos de pescaria devem ser ensinados? E se os professores e métodos não forem bons? Quem é o governo para impor seus próprios métodos de pescaria às pessoas, de todo jeito? Quem decide que tipo de vara deve ser comprada? E o que acontece com todos aqueles equipamentos manufaturados que não são escolhidos?

Você rapidamente cai em um ciclo vicioso e espiralar (uma bola de neve).


Então chegamos à proposição C: o governo vai cuidar daquilo que lhe diz respeito.

Esta opção pode parecer a mais insensível e desumana das três alternativas – mas também pode ser a mais amável. O temor é que muitos possam ficar famintos. Alguns podem até morrer. Por outro lado, podem sobreviver. De fato, podem se tornar mais fortes.

Aqui está o motivo:

Claro que a fome pode matar, mas ela é também uma grande motivadora. As pessoas terão que se apressar em aprender a pescar, caso contrário, morrerão de fome. As circunstâncias irão impor o aperfeiçoamento da prática.

Aqueles que podem pescar não terão mais seus peixes retirados deles, então terão maiores recursos – mais peixes, mais tempo, mais energia, mais capital. Alguns poderão pescar por menos horas, ganhando tempo e recursos para outras atividades. Alguns poderão vender o excedente de peixes e investir seus ganhos, quiçá em algum empreendimento que aqueles que não podem pescar, poderão se tornar bem sucedidos. Seus parceiros poderão parar de pescar, caso queiram. Poderão ter mais tempo, energia e capital para criar suas famílias mais cedo, caso assim desejem.

Muitos poderão utilizar o aumento de seus recursos para ajudar aqueles na comunidade que não tem peixe. É da natureza humana, enfim, a vontade de ajudar o próximo.

Familiares, amigos e comunidades irão ter que se unir para ajudar aqueles que não podem pescar.

Comunidades e famílias irão se unir e se fortalecer como resultado. De fato, estes grupos, agindo em uma esfera local, sabendo das idiossincrasias locais, poderão ser mais eficientes ofertando peixes, ensinando a pescar e fornecendo equipamentos do que o governo (que está distante destas realidades locais).

Pressupõe-se que se o governo não ajudar, muitos irão ficar famintos. Isso não é necessariamente verdade, particularmente se as comunidades forem prósperas. De fato, quanto mais prósperas são, menores as chances de haver pessoas famintas.

Se o governo não ajuda, comunidades, famílias e outros grupos cooperativos irão. E eles estarão em uma posição mais favorável/forte para fazer isso se o governo não estiver tirando nada deles. Comunidades também ficarão em uma posição fortalecida para lidar com súbitos desastres, caso ocorram.

Finalmente, a demografia daqueles que não pescam irá se reduzir, o que é melhor para a sociedade como um todo. Ela se torna mais forte, eficiente, autossuficiente e mais unida.

A quantidade de peixes grátis que atualmente é distribuído se tornou possível graças ao aumento da produtividade no século XX. Mas, chegará um momento em que o grupo que espera receber peixes grátis estará tão grande e o grupo que o abastece tão pequeno, que não haverá mais como um grupo dar suporte ao outro. A conta não irá fechar. Esse tempo, eu suspeito, não está distante.

Quem sabe? Governantes poderão até tentar disfarçar esta situação perante a população, imprimindo mais peixes, se você vê o que quero dizer...

Atenciosamente,
Dominic Frisby

Dominic Frisby é uma personalidade multifacetada: um comediante, ator, apresentador, dublador, escritor-produtor, e guru de finanças. Ele faz de tudo. Seu livro mais recente, Life After the State (tradução livre: A vida após o Estado) está disponível no site da Amazon.

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Como não lembrar da historinha infantil da Cigarra e da Formiga? 

A diferença é que no fim da história, as cigarras continuam sem aprender que precisam trabalhar como as formigas, pois se acostumaram ao fato de que podem continuar cantando enquanto as formigas trabalham por elas...

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Um comentário:

  1. Olá, esse é meu blog "Leitura com Gordices" e eu queria pedir pra vocês darem uma passadinha lá e dizerem o que acham da nossa ideia ;)
    http://leituracomgordices.blogspot.com.br/
    bjs

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