sábado, 5 de julho de 2014

Mais sobre o fracasso do socialismo...

O texto Porque o socialismo não funciona rendeu comentários bem interessantes. Imagino que nem todo mundo tenha lido, então vou compartilhá-los aqui. The Goat Strikes Again..., grata pela participação, enriquecendo o texto com uma excelente e lúcida reflexão sobre o tema.

"Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado." Pelo o que você diz, pobre só é pobre porque não se esforçou? Ah, claro, ele tem um trabalho degradante, passa por dificuldades imensas, herdadas por anos de políticas de "meritocracia", onde os que têm condições podem se preparar melhor, mas, ao seu ver, isso não é esforço. Daí dizem: "Então melhorem as escolas, deem (SUB)empregos". Sim, é claro que isso tem que ser feito. Mas o resultado não é imediato, então os que tiveram anos de desfavorecimentos ou se "adaptam" logo ou passam fome? Sem contar que pleno emprego não é sinônimo de condições para todos, visto que para sustentar o modo de vida de uns, outros têm que abrir mão, daí os subempregos que mal alimentam uma família.

The Goat Strikes Again...3 de julho de 2014 16:29
Não está dito no texto que "pobre só é pobre porque não se esforçou". Isso é uma interpretação equivocada e enviesada do artigo que, aliás, é bem claro. O que está dito ali é que as pessoas precisam de incentivo para produzir. E quando o fruto de seu esforço lhes é retirado para ser entregue, de mão beijada, a quem não se esforçou, isso lhe tira o incentivo para continuar produzindo. A questão dos salários é outra. Salários variam em função do trabalho a que estão relacionados. Os trabalhos que exigem maior qualificação pagam melhor. Além do mais, quem manda nos preços (e salário é preço do trabalho) é a lei de "oferta e procura". Assim, tudo que é raro é caro; e tudo que é abundante é barato. Para que a mão de obra se torne mais cara, além da maior qualificação, é preciso que ela seja rara, disputada. Para que a mão de obra seja disputada, é preciso que exista um mercado de trabalho aquecido, com várias empresas disputando a mão de obra disponível, cada uma disposta a pagar mais para conseguir preencher os empregos que têm para oferecer. Acontece que empresas são fruto de investimentos. Melhor dizendo, uma empresa É um investimento. E as pessoas só investem quando há retorno, quando há recompensa justa pelo risco que correm ao investir, quando há regras claras e segurança jurídica. Quando não há recompensa, as pessoas optam por investimentos mais simples que montar uma empresa, como simplesmente deixar o dinheiro na poupança ou investir em outras regiões, em outros países. O que o artigo diz é justamente isso: é preciso incentivo, recompensa suficiente para levar as pessoas a correr riscos e investir na formação de empresas que irão contratar pessoas, disputar a força de trabalho no mercado, treiná-las, qualificá-las e, nesse processo de pressão por contratar e qualificar, ter como consequência natural a valorização do trabalho. Quando esse ciclo virtuoso se verifica, o número de empresas aumenta (mais investimento), as empresas existentes aumentam sua produção (investimento), com os salários mais altos (pela disputa) aumenta seu poder de compra, que leva a um aumento de consumo. Com o consumo mais elevado aumenta a arrecadação de impostos por parte do governo que, dessa forma, passa a dispor de mais recursos para investir em educação e infra-estrutura, o quê, por sua vez, amplia as condições de novos investimentos em produção serem realizados pelos empresários, investidores, profissionais liberais e trabalhadores autônomos. Por outro lado, quando o governo, através de muita intervenção ou taxação, inibe a disposição das pessoas de assumir riscos e investir, então não há contratações (pelo contrário, pode haver dispensas), não há investimento, e a mão de obra vai se tornando cada vez mais ociosa e abundante (a população em idade de trabalho aumenta todos os anos), o deprecia o valor do trabalho. É por isso que todas as experiencias socialistas no mundo fracassaram, e mesmo onde elas perduraram por algum tempo isso se deu às custas de regimes tiranos, ditaduras, em que, alem de miséria, as pessoas passaram a experimentar restrições em suas liberdades individuais. Em apenas 70 anos do século vinte, as experiencias socialistas no mundo acabaram produzindo uma montanha de mais de 100 milhões de cadáveres (mais do que a soma dos mortos nas duas guerras mundiais)! Não é à toa que quem mora em Cuba ou na Coreia do Norte quer sempre fugir de lá, ao passo que ninguém que viva em países livres de dispõe a se mudar para lá (nem os socialistas de carteirinha). Apesar de todo o discurso dos fanáticos, um fato é claro: só as economias liberais, capitalistas, foram capazes de, realmente, gerar e distribuir renda, garantir progresso e desenvolvimento, e funcionar sob governos plenamente democráticos, sob estado de direito, liberdade de iniciativa e expressão, e com respeito às liberdades individuais.

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