quarta-feira, 29 de abril de 2015

O que é um parto humanizado?

Este termo está na moda, mas muita gente não sabe do que se trata, então resolvi escrever um post só para esclarecer.

Sei disso, pois, outro dia alguém me falou: "Quero ter um parto normal, mas não humanizado." Perguntei o que essa pessoa entendia por parto humanizado e ela disse: "Ah! Parto na água, em casa, sem anestesia...".

Gente, isso não existe. Como o próprio nome sugere, o parto humanizado é simplesmente uma conduta mais humana. 

Como assim? 

Comentei no post que falo sobre a preparação para o parto a respeito do triste fato de muitos médicos hoje estarem induzindo a cesariana, realizando "desnecesárias", desmoronando o sonho de muitas mulheres de terem um parto normal. Passam a gestação inteira "iludindo" a paciente de que farão um parto normal e na última hora inventam alguma historinha de que o bebê está em sofrimento e é preciso fazer uma cesárea. Qual a mãe que depois de esperar um filho por 9 meses irá querer deixá-lo em sofrimento? Claro que em alguns casos é verdade e o parto cesariano está aí para isso: salvar vidas. Entretanto, ou as mulheres brasileiras têm algum erro de fabricação ou somente esta atitute, nada humanizada, justifica um número superior a 80% de cesarianas na rede particular e superior à 50% no país, em geral. Resumindo: um médico humanizado irá fazer tudo que estiver ao seu alcance para realizar um parto natural, se esse for o desejo da mãe.

Outra prática considerada não humanizada é obrigar a mulher a deitar para parir, realizar episiotomia (corte na vagina)...

Tem muita mulher que QUER parir deitada, no hospital, com anestesia. Um médico "humanizado" irá fazer o que a mãe quiser! Ele está preocupado com o bem estar dessa parturiente. 

Ao mesmo tempo, se o desejo da mãe for ter um parto de cócoras, esse médico humanizado estará disposto a sentar-se no chão para realizar o parto. O conforto e os desejos da sua paciente virão sempre em primeiro lugar...

Resumindo, toda mulher merece um médico que faça parto humanizado! Esse médico fará aquilo que a sua paciente quiser, sem imposições e claro, orientará para riscos, vantagens e desvantagens, mantendo uma postura ética e profissional.

11 motivos para ter um parto natural

1) O corpo da mulher foi feito para isso.

2) A recuperação é imediata: após o parto você está pronta para cuidar do seu filho ao invés de estar precisando de cuidados e ajuda para mínimas coisas, até para ir ao banheiro.

3) A ejeção do leite materno está diretamente ligada à forma do parto. Mulheres que têm parto natural costumam ter maior facilidade para amamentar.

4) O corpo volta pro lugar mais rápido, afinal não houve nenhum tipo de corte, que precisará ser cicatrizado, na barriga.

5) Não tem preço poder sentir e vivenciar o nascimento de um filho.

6) Poder amamentar na primeira hora após do parto: estudos demonstram que isso traz grande benefício para mãe e bebê, que terá um melhor reflexo de sucção, além de poder ser alimentado logo após o nascimento.

7) O parto natural permite um nascimento em casa, se essa for a vontade da mãe.

8) O pai pode ter uma participação muito mais ativa no parto, ao invés de mero fetógrafo ou cineasta amador.

9) A mãe pode conversar o quanto quiser após o parto, sem se preocupar se terá gases.

10) O bebê já nasce mais fortalecido devido ao esforço que precisou fazer para nascer.

11) A certeza de que o bebê estava absolutamente pronto para vir a esse mundo é não foi "extraído" antes da hora.



Preparação para o parto

Já comentei aqui antes que nasci em parto domiciliar, assim como minha irmã e grande parte dos meus primos. Em minha minha geração, dos 18 primos que tenho, considerando as famílias por parte de mãe e pai, 14 nasceram de parto natural. Sem contar as minhas avós que tiveram 9 partos naturais, até porque no tempo delas era super rara a ocorrência de cesarianas.

Para completar, durante 17 anos, minha mãe deu aula de preparação para o parto natural, com técnicos de yoga e a parte teórica, tendo sido Doula num tempo em que essa palavra era inexistente no vocabulário brasileiro.

Assim, toda essa questão de parto natural, domiciliar e humanizado está longe de ser novidade ou modismo para mim. O contrário sim, apesar da grande popularidade dos nascimentos cesáreos nos últimos anos, sempre soou como algo estranho e pouco familiar. Cresci escutando todo tipo de histórias de partos: na família e de alunas de minha mãe e a escolha por um parto natural foi mais que inevitável.

Quem precisou de um bom preparo psicológico foi o meu marido. Ele, as irmãs, todos os primos e sobrinhos, nasceram de partos cesarianos. Ao contrário de mim, parto natural para ele era algo bem distante da sua realidade. 

Mais de um ano antes de engravidar comecei a fazê-lo estudar o assunto, lendo livros e depoimentos, assistindo a vídeos na internet, e ao documentário: O Renascimento do Parto... Promovi para que conhecesse e conversasse com pessoas próximas com relatos pessoais de partos naturais, além de muitas conversas com a minha mami Doula.

Quando engravidei ele já tinha comprado a ideia 100% e já tinha se tornado o próprio defensor do parto natural.

Durante a gravidez participou de consultas com a obstetra que iria fazer o parto e ainda foi a uma roda de um grupo que se reúne quinzenalmente em Salvador, chamado Coaracy, em um dia em que o tema era: o depoimento dos pais e suas experiências com o parto.

Se você pensa em ter parto natural, o que posso recomendar é isso. Escolha um médico que tenha experiência no assunto (cada dia mais raro); estude; envolva o seu parceiro; faça atividades físicas que ajudem seu corpo a estar bem preparado para o parto...

 Já ouvi dezenas de histórias de pessoas que dizem que sonhavam em ter um parto natural e na hora H não conseguiram. O motivo principal, infelizmente, costuma ser o médico que faz algum tipo de terrorismo e convence a mãe ou de que ela não é capaz ou de que o filho está passando por algum sofrimebro. Em outros casos é a falta de apoio da família ou do próprio marido, gerando estresse e ansiedade... 

Enfim, em muitos casos, não é preciso nada disso e a pessoa consegue ter um parto natural. Entretanto, o que tenho visto é que, na maioria das vezes, o preparo é crucial para que de fato ocorra.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A escolha do nome


Como sempre achei que seria mãe de menina, nunca tinha pensado em nomes masculinos e já tinha fechado em duas opções de nomes femininos.

Ao descobrir que esperava um menino começou uma novela de mil capítulos: a escolha do nome.

Primeiro minha mãe me emprestou um livro dela que dizia ter mais de 10 mil nomes e seus significados. Parecia mais um livro de comédia, cada nome pior que o outro, dava risada de imaginar que aquelas palavras poderiam ser chamadas de nomes.

Depois perdi as contas de quantas vezes li listas inteiras de nomes na internet.  Gostava de vários, mas meu marido botava defeito em TODOS! Ao mesmo tempo não me sugeria nada. 

Suspeito que ele queria colocar o próprio nome no filho, mas sempre fui radicalmente contra esta ideia. Para piorar, tinha um péssimo exemplo: o pai dele, quando ele nasceu, saiu de casa para registrar o filho como Luis Henrique e voltou com o menino registrado com o próprio nome. Essa história sempre me deu arrepios!

Passei a gravidez tendo que dizer que meu filho ainda não tinha nome. Não aguentava cada vez que alguém perguntava o nome e eu dizia que só ia escolher quando nascesse... Uma pressão insuportável para a escolha desse nome e eu num ponto que não queria mais discutir o assunto, tinha muitas outras coisas para me ocupar e sabia que surgiria um nome na hora certa: não tinha a menor pressa.

No último mês chegamos a uma lista de nomes que ambos gostavam: Luca, Theo, Augusto e Alexandre. Meu pai faz numerologia e sabia que a decisão final dependeria deste detalhe, logo, não poderia bater o martelo, pois para isso precisaria da data.

Chegando no período provável do nascimento meu pai começou a testar estes nomes com datas próximas. Concluiu que Alexandre e Augusto não funcionavam em nenhuma data; que Theo é Luca funcionavam na maioria das datas; e que em algumas datas nada funcionava. Sugeriu que pensássemos em outro nome para estas datas... Que desanimo, não aguentava mais pensar e sugerir nomes e meu marido encontrar defeitos em todos sem sugerir nada (ele não acredita em numerologia).

Pela milésima vez abri listas de nomes na internet e comecei a ler, até que um nome, que nunca tinha despertado minha atenção durante toda a gestação, saltou aos olhos: Guilherme. Quando falei, meu marido, para a minha surpresa, disse que também gostava... Aí pedimos para meu pai fazer a numerologia e ele respondeu: se nascer amanhã, é um ótimo nome. 

Combinamos que ele mandaria os nomes que ficariam bons para "o dia seguinte" todos os dias até nascer... No dia seguinte, na verdade, qualquer dos nomes: Theo, Luci ou Guilherme ficariam bons. Pedimos para ele nos enviar por email a descrição dos três e fomos pro quarto ler... Chegamos à conclusão de que a numerologia que mais agradava era a de Guilherme e na sequência entrei em trabalho de parto.

Não deu 30 minutos entre a hora que cogitei o nome Guilherme e a hora que comecei a ter contrações ritmadas. Acho que era só isso que ele estava esperando para nascer: aprovou o nome e resolveu vir logo, antes que mudássemos de ideia novamente!

Um menino: que surpresa!


Não me pergunte o motivo, mas sempre achei que seria mãe de menina... Talvez por minha mãe ter tido duas filhas e eu ter sido criada em ambiente predominantemente feminino (meu pai no paredão).

Fiz a minha ultrassonografia morfológica com 11 semanas e 3 dias, pois queria fazer com um médico específico em Salvador (Sergio Matos) é essa foi a única data que coincidiu minha agenda de viagens com a dele.

Não tinha nenhuma pretensão de descobrir o sexo tão cedo. A maioria das pessoas tem um palpite com 12 semanas, mas a confirmação só vem mesmo na próxima ultrassom, com 16 semanas.

Quando menos esperava, estava lá, o sexo do meu filho, bem nítido, sem deixar qualquer dúvida, antes mesmo das 12 semanas.

Foi uma surpresa, eu e meu marido achávamos que ia ser uma menina. Mas no fim, não poderia ter sido melhor! Meu marido sempre disse que não ia parar de ter filhos até vir um menino... Como não pretendo passar minha vida grávida, parindo e cuidando de criança pequena, melhor que o menino tenha vindo logo!

Para completar, minha irmã estava grávida também: dois meses na minha frente e já sabia que esperava por um menininho. Então, ficou melhor ainda, dois primos do mesmo sexo e da mesma idade!