sábado, 28 de março de 2015

O primeiro trimestre da gravidez

Gravidez não é doença e a minha foi super ativa! 

Descobri que estava gravida no fim do semestre letivo de 2014.1, já no período de provas. Tantas coisas aconteceram ao longo desses 9 meses que parece que foi bem mais tempo.

Tinha uma viagem de 40 dias programada para as férias, na intenção de estar bem longe do Brasil no período da Copa do Mundo. Os primeiros 10 dias de viagem seriam bem agitados: com longos deslocamentos de trem e ônibus para chegar a lugares remotos... Assim, com a novidade da gravidez, esta etapa da viagem foi cancelada e sobraram ainda 30 longos dias de muita diversão e aprendizado.

Depois de ter certeza que não havia riscos em viajar no primeiro trimestre, vim passar o São João na Bahia. Daqui fui para Portugal, onde estudei com os Varatojos no Instituto Macrobiotico de Portugal. Que gente mais amável e acolhedora! A experiência foi fantástica! Saindo de lá, passei uma temporada no interior da Inglaterra estudando no International Macrobiotic School, numa cidadezinha charmosérrima chamada Totnes, cercada de pessoas maravilhosas. Passar longos períodos em um lugar, convivendo com as mesmas pessoas durante viagens permite isso: que ela ultrapasse os limites do turismo e se torne um aprendizado para a vida, rendendo laços eternos de amizade! 


Ao mesmo tempo foram viagens ideais para a minha condição. No primeiro trimestre gestacional não é recomendado fazer grandes esforços físicos, mas ao mesmo tempo a atividade é sempre bem-vinda. Aquecer a região uterina do corpo na beira do fogão é uma ótima pedida e melhor ainda foi fugir do frio de BH nesse período, curtindo o delicioso verão Europeu. Essa viagem foi como uma despedida da vida sem filhos, muita liberdade e independência com um toque de aventura. 

Em Portugal, antes do voltar para o Brasil, fiz um pouco de turismo com o meu marido, por uma semana. Foi como uma última lua de mel à dois: no futuro, mesmo que a gente viaje sozinhos (acho que não tão cedo) nunca mais será com a mesma liberdade (de pensamento, inclusive) pois estaremos sempre preocupados, ligando, querendo notícias, etc... Alugamos um Smart, realizando um desejo antigo de ambos e que em breve se tornaria incompatível para uma família de 3 pessoas, e pé nas estradas Portuguesas...


Nem preciso dizer que tudo que não pude beber (ir para Portugal e não tomar sequer uma taça de vinho é sacanagem) eu descontei na comida. A viagem foi uma orgia gastronômica. Na primeira parte aprendendo e saboreando pratos macrobióticos e na segunda parte aproveitando a culinária portuguesa que é espetacular.

Para fechar com chave de ouro a gulodice, ao retornar da viagem, ainda passei mais três semanas de férias em Salvador: saindo todos os dias para almoçar e jantar em restaurantes, cada dia matando a saudade de algum amigo e me acabando no dendê e muito mais!

Essa história de desejo de grávida  para mim é balela. Não tive nenhum! O que tive foi uma fome avassaladora que culminou com 2 meses de férias: um na Europa e outro na Bahia. O resultado? Não poderia ser outro: fechei o primeiro trimestre 9kgs mais gorda: um período em que não há justificativa para engordar sequer um quilo...


O segundo trimestre da gravidez

Minha barriga com 26 semanas: ENORME!

Como comentei em um post recente, não imaginava que engravidaria tão rápido, mas deu tudo certo.

Nunca achei que fazer os estágios de último semestre (em hospital), grávida, seria o ideal, mas foi o que acabou tendo que ser...

Tive a sorte de contar com uma equipe de professores, coordenação e preceptores de estágio com a maior boa vontade do mundo no UNIBH e Hospital Vera Cruz. Equacionaram todos os meus horários para viabilizar que fizesse as disciplinas pendentes e os estágios, driblando os choques de horários. Se não fosse pela boa vontade dessas pessoas não teria concluído meu curso no fim do ano passado. Serei eternamente grata, principalmente pelo carinho e atenção comigo.

Moro a 35km do centro de BH e foi essa distância que tive que dirigir todos os dias durante o segundo trimestre de gestação. Saía de casa 7:00; chegava no hospital 8:00; trabalhava até 14:00. Alguns dias tinha aula das 19:00 até 22:35, como moro longe, não dava para voltar para casa. Aí, no intervalo, aproveitava para adiantar o meu TCC na biblioteca da faculdade; duas vezes por semana fazia aula de Yoga; uma vez na semana drenagem linfática... No único dia que não tinha aula à noite, passava no mercado no caminho para casa. Tinha aula todos os sábados de 7:00 as 12:30 - ou seja não podia sair sexta de noite pq estava na aula até 22:35 (só chegava em casa pra lá de 23 horas) e pq no outro dia tinha aula cedo. Meus finais de semana foram reduzidos à tarde e noite de sábado e o dia de domingo. Para completar, fiquei de janeiro até outubro sem nenhuma diarista, ou seja, nas horas vagas (principalmente nos finais de semana) fazia faxina, cozinhava, lavava pratos... A partir de outubro passei a contar com a ajuda de uma diarista, uma vez na semana...

Dizem que grávidas sentem muito sono. Eu não senti... Acho que meu organismo percebeu que se eu tivesse sono, não ia ter como dormir durante o dia, então precisava me satisfazer com seis horas de sono noturnas, na maioria dos dias da semana.

Essa rotina atribulada, juntamente com o fato de morar afastada de BH, me obrigou a fazer muitas refeições fora de casa. Procurei fazer as escolhas mais saudáveis possíveis, mas nunca é a mesma coisa de comer em casa... Resultado: engordei 7kgs no segundo trimestre. Ao fim do sexto mês já tinha engordado 16kgs e comecei a ficar no pânico, pois os três meses finais são quando ocorre o maior ganho de peso. Meu regime era só qualitativo, controlar a quantidade era difícil: tinha muuuuuita fome.

segunda-feira, 23 de março de 2015

O tal do enjoo

Tive apenas um enjoo durante toda a minha gravidez e foi graças a ele que descobri que estava gravida.

Estava indo a um evento no local onde meu marido trabalha, cujo acesso se da através de uma estrada sinuosa e cheia de altos e baixos. Uma verdadeira montanha russa automobilística.

Acontece que não sou dada a enjoos, já tinha pego essa estrada várias vezes antes e nunca tinha enjoado. Trata-se de um percurso de uma hora e da metade pro fim estava suuuuper enjoada! Comentei com o meu marido que estava achando aquilo estranho e cogitei a possibilidade de gravidez, sobre a qual ele achou que era completamente improvável.

Chegando ao local de destino, precisei ficar uns 30 minutos sentada, de olhos fechados, para me reestabelecer... Algo inédito em minha vida.

No dia seguinte tinha um jantar e como tinha ficado com essa pulga atrás da orelha na véspera resolvi fazer um teste de farmácia, para saber se poderia ou não beber aquela noite.

Fiz xixi no papelzinho, entrei no banho e deixei a fitinha na bancada do banheiro para meu marido ver o resultado enquanto estava no banho. Minutos depois ele respondeu: "Está vendo que essa história de gravidez é maluquice? Você não está grávida" e deixou a fitinha na bancada.

Ao sair do banho olhei para a fitinha e resolvi verificar na bula como fazia para ler o resultado. Lá dizia que se aparecessem dois tracinhos o resultado era positivo. Havia um tracinho bem marcado e outro bem leve... Apelei a Dr. Google que disse: mesmo quando o segundo traço é bem clarinho, significa que o resultado é positivo.

Já estava tarde e não podia me atrasar para o jantar. Desfarçadamente não bebi (não queria que percebessem e me indagassem pela razão) e fui dormir com essa dúvida.

Como dizem que a urina da manhã é a mais certeira, ao despertar, no dia seguinte, pedi ao meu marido para ir na farmácia comprar outro teste. Como moramos afastados de tudo e todos, uma rápida ida até a farmácia mais próxima significou uma espera de pelo menos 30 minutos "segurando" o xixi. Quase tão difícil quanto fazer ultra-sonografia de abdômen total.

Desta vez não houve a menor dúvida! Dois tracinhos bem marcados!! No dia seguinte, entretanto, fiz um exame de sangue só pra ter uma confirmação extra!

Tenho certeza que esse único enjoo serviu somente para me avisar que estava grávida e para não beber no tal jantar... Não deu nem tempo de eu perceber o atraso de minha menstruação. Dizem que pode-se beber até uma taça de vinho, por semana, durante a gravidez. Eu preferi não arriscar e estou abstêmica há mais de nove meses...

sexta-feira, 20 de março de 2015

Grávida!!!

Primeiro selfie de perfil da minha barriga, quando notei o primeiro "calombinho"... Mal sabia eu o que me aguardava: fiz uma barriga GIGANTE e PONTUDA!


Tem gente que sempre teve como maior sonho na vida: ter um filho e que não pode ver uma criança pequena que fica babando...

Essa nunca foi a minha realidade. Sempre soube que queria ser mãe, mas nunca tive a menor ansiedade para isso. Aliás, sempre fui bem desajeitada com crianças e especialmente com bebês. Antes de ser mãe nunca tinha pego um recém-nascido no colo ou trocado uma fralda. 

Só que minha mãe, que é uma ótima mãe, sempre me falou que o instinto maternal dela só aflorou quando se tornou mãe. Então, nunca me preocupei com a minha escassez de instinto maternal...

Casada desde 2011, racionalmente evitei a gravidez durante todo o tempo de minha segunda graduação, pois para mim era prioridade concluir algo que havia começado e não "embolar" as coisas. 

Ao longo desses quatro anos o futuro pai ficou só na pressão até chegar ao ponto quando ele disse que a partir de então não ia mais deixar eu evitar nada. Como nunca usei pílula anticoncepcional, evitar a gravidez sempre foi uma responsabilidade do casal e não somente minha.

Só não esperava que iria engravidar no primeiro mês em que deixei de evitar e ainda completamente fora do suposto período fértil (engravidei 6 dias após a chegada de minha última menstruação, - estava ainda usando absorvente na véspera do dia que fiquei gravida).

Descobrir que estava grávida foi uma surpresa total e a minha primeira reação foi contar os meses para ter certeza de que conseguiria me formar antes do nascimento do bebê! Ufa! Formaria ao final de dezembro e me tornaria mãe entre fevereiro ou março!!! Só depois comecei a curtir a ideia, a gravidez e aos poucos a ficha foi caindo...

Dali em diante a minha vida parecia que estava dentro de uma ampulheta escorrendo areia. Tanto para fazer antes dessa mudança radical de vida!!!

Nove meses depois (descobri que estava gravida com um mês e meu filho já tem um mês de nascido) resolvi retomar minha atividade de blogueira e compartilhar alguns capítulos dessa jornada com início, meio e sem fim!

Dois recados:

1) Futuras mães que acham que não tem instinto maternal. Não se preocupem, ele chega! Meu sono que era pesado como uma rocha hoje desperta a cada "ih ih" que meu filho faça, daí por diante...

2) Para quem pretende se prevenir de uma gravidez com a famosa Tabelinha, pule fora! Barca furada! Eu decidi testar se ela funcionava justamente quando vi que caso eu engravidasse não seria uma má hora. Resultado, comprovei rapidamente que não é um método contraceptivo exclusivo confiável...

Beijo no padeiro e até o próximo texto!


segunda-feira, 16 de março de 2015

Mamãe Multitarefas

Imagem retirada do site: www.possoamamentar.com.br

Sou super adepta da ideia de que devemos nos concentrar quando fazemos algo e fazer uma coisa de cada vez, mas infelizmente a vida nem sempre permite que tenhamos tanto foco em todas as nossas atividades cotidianas... Como o inimigo do bom é o ótimo, procuro não me torturar e tento equilibrar minhas atividades: algumas vezes super focada, outras nem tanto.

Esta ideia está ainda mais evidente durante o meu puerpério. Sempre defendi que devemos prestar atenção à nossa alimentação, comer com calma, meditar durante a mastigação, etc... É, de fato, o ideal!!! Diga isso para uma mãe com filho recém nascido, risos!!

A realidade dos fatos é que muitas vezes, nesse início, quando o bebê não segue padrões e nem horários, onde mãe e filho estão se conhecendo, conseguir pausas para comer e tomar banho é um luxo! Fazer essas coisas com calma e espírito meditativo então, quase impossível! 

Nas primeiras semanas tive que fazer algumas refeições enquanto amamentava, no começo alguém me dava na boca, depois me tornei mais hábil e comecei a conseguir comer sozinha (até com a mão esquerda, caso seja a única livre) ao mesmo tempo em que amamento. Esta situação está cada dia mais rara ao longo do dia, mas, frequentemente, acontece no desjejum, pois muitas vezes eu e meu bebê acordamos na mesma hora... Daí troco a fralda dele e em seguida preciso alimentá-lo (caso contrário ele abre o berreiro). Nesse ínterim muitas vezes sou obrigada a deixá-lo chorando uns minutinhos para fazer xixi. Afinal de contas, direitos iguais: o filho troca a fralda quando acorda e a mãe vai ao banheiro. Quando volto o chororô geralmente já está no mais alto volume! Como saco vazio não fica de pé, diversas vezes tomamos café da manhã juntos: afinal, se ele está com fome no início do dia, a mãe também está! 

Voltando a ideia do foco nas atividades: o mesmo se repete em relação à amamentação. Nas primeiras duas semanas, com exceção das vezes que comia ao mesmo tempo em que amamentava, as outras vezes estava sempre 100% focada na amamentação: prestando atenção nele, na sua pega, na forma como sugava, se fazia pausas, se cochilava, etc... A partir da terceira semana, já estava mais familiarizada com todo o processo e comecei a ler (durante o dia) ao mesmo tempo em que amamentava, assim como usar o celular (sempre bem limpo com álcool 70%). Essa madrugada resolvi voltar a escrever pro blog. 

Se é o ideal? Não! O ideal é ficar meditando com meu filho enquanto ele amamenta, mas sejamos realistas... Não significa que não faça isso: faço muitas vezes, adoro ficar parada olhando o pequenininho feliz da vida mamando... Afinal de contas, o filho come e a mãe é quem baba!! 

Entretanto, meu filho, em especial, por ter nascido com 4.210kg e 53cm é muito comilão. Mama praticamente a cada duas horas e cada vez fica de 30 minutos a uma hora plugado. Isso significa que tenho em média uma hora de intervalo entre as mamadas. Nesse tempo coloco-o para arrotar, troco fralda, acalmo-o quando está chorando... Se ele der um cochilo (ele é muito ativo e muitas vezes passa o dia todo acordado ou dando apenas cochilos curtos durante o dia) aproveito para comer, tomar banho, passar creme no corpo, cortar minhas unhas, fazer algo na cozinha, mexer no celular, ler, dormir, tomar sol nas mamas, etc... Enfim, o tempo livre se torna escasso demais e a tendência natural é essa: aproveitar o tempo em que o bebê está plugado mamando para fazer outras coisas como ler, responder e-mails e mensagens e porque não, bloggar?!?

Nesse momento, só a título de curiosidade, ele está dando um cochilo. Ainda bem que apesar do tempo sem escrever não perdi a minha velocidade! Acho que me tornarei ainda mais ágil na arte de escrever e em outras tarefas daqui para a frente, afinal, além de mim mesma, tenho um outro serzinho fofo que depende de mim 100% e isso demanda tempo e amor!