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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Follow the yellow brick road

Imagem retirada do Google Imagens
Como falar em trajetórias sinuosas que dão certo no fim sem lembrar da estrada de tijolos amarelos (yellow brick road) do clássico O Mágico de Oz? 

Acho que já comentei um pouco sobre a minha trajetória acadêmica por aqui, mas vou fazer um pequeno resumo. Há quatro anos, depois de namorar a ideia por muito tempo, resolvi tomar coragem para encarar novamente a vida de universitária. Comecei o curso de nutrição em Salvador em 2011, paralelamente ao trabalho com arquitetura e ainda este ano tive mais novidades: casei, vim morar em Belo Horizonte, transferi o curso e passei o resto do ano na ponte aérea, concluindo meus trabalhos em Salvador enquanto morava e estudava em Belo Horizonte.

Em 2012 já estava mais estabelecida em BH e livre de pendências em Salvador. Foi o ano que trabalhei com fornecimento de refeições de alimentos naturais aqui, enquanto fazia faculdade à noite. Nas horas vagas continuei dando minhas aulas de culinária, não só em Belo Horizonte e Salvador, como também em outros estados como no Rio e em São Paulo. Enfim, a mudança de vida foi completa: trabalhando com cozinha, estudando nutrição, morando em uma cidade nova, com novo estado civil... Com fé e coragem, as coisas foram acontecendo... 

 A experiência foi maravilhosa, mas em 2013 tive que encarar outra mudança e retornei a Salvador, transferindo o curso novamente, para uma instituição diferente, já que a primeira onde estudei em Salvador tinha uma enorme incompatibilidade de grade. Estava iniciando o quinto semestre do curso na terceira instituição diferente. A cada transferência precisei repetir matérias por conta das diferenças nas cargas horárias, além de toda adaptação com novas instituições, turmas e professores.

Tenho muita facilidade de adaptação a mudanças e apesar das adversidades tirei de letra todas essas transferências. Só para deixar a historinha mais interessante, no fim de 2013 descobri que teria que voltar para BH no início de 2014, só que para morar no outro extremo da cidade e portanto, precisaria transferir meu curso novamente, só que para uma instituição de ensino diferente da que estudei nos anos de 2011 e 2012, por conta da logística do deslocamento.

Incrivelmente consegui concluir o curso em 4 anos (8 semestres), tendo passado por 4 instituições de ensino, 20 turmas diferentes e ainda fechar com chave de ouro, com nota 10,00 no TCC. 

Foram inúmeros os trabalhos em grupos com pessoas que mal conhecia e muito exercício da paciência, tendo que lidar com gente de todas as faixas etárias, culturas e temperamentos... Conheci diversas pessoas nesta trajetória, mas fiz pouquíssimas amizades, pois mal dava tempo de consolidar relações e sendo eternamente dessemestralizada, à cada semestre, tive aulas em turmas de cursos e semestres distintos. Durante todo o tempo peguei o máximo de disciplinas possível, para evitar atrasar o curso e essa trajetória acadêmica sinuosa, não foi nada planejada, mas ao fim, deu tudo certo e aqui estou eu: FINALMENTE FORMADA!


Esse blog teve início antes de toda essa revolução e é com muita alegria que compartilho e celebro mais um capítulo no livro online de minha vida. Agradeço a todos aqueles que vêm confiando em meu trabalho, me prestigiando como alunos e clientes: o feedback de vocês e os resultados que já alcançamos juntos são minhas maiores alavancas. VIVA!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

12 dicas para ser bom aluno sem precisar ser nerd e sem se estressar

Fui (ainda sou) estudante a maior parte de minha vida e apesar de sempre ter sido boa aluna, nunca me estressei com escola, faculdade, cursos, nada disso... De volta ao ambiente acadêmico universitário, percebo como as pessoas se estressam por conta dos estudos e por isso resolvi escrever este post.

Imagem retirada do Google Imagens

1. Por que nunca fui totalmente vagal e nem totalmente nerd? Ser totalmente vagal é prejuízo certo. Para que correr o risco de fazer uma prova final ou recuperação? O maior prejuízo neste caso é o estresse desnecessário e a diminuição das férias. Por outro lado, não vale à pena ser totalmente nerd: é super possível obter boas notas e passar direto sem abdicar da vida social. Afinal, a vida é feita de obrigações, mas também de diversão! É preciso oferecer subsídios para alimentar a inteligência emocional...

2. Não falto aula. Só em último caso. Se você está pagando (mesmo que estude numa instituição pública está pagando através dos seus impostos) por um serviço, por que não usufruir dele? Quando prestamos atenção a uma aula diminuímos drasticamente a necessidade de estudar em casa. Por que desperdiçar esse tempo e oportunidade?

3. Faço todas as listas de exercício que os professores passam. Valendo ou não pontos para a nota, são excelentes formas de treinar o conteúdo, não deixar acumular o assunto, tirar dúvidas e principalmente entender a forma daquele professor de cobrar o conteúdo.

4. Evito deixar os prazos para a última hora. Essa é uma fórmula perfeita para evitar o estresse. Não tem preço estar com trabalhos prontos com antecedência e ter tempo para alterar ou consertar alguma coisa.

5. Caiu num grupo de gente vagal e descomprometida? Problema deles que estão deixando de aprender! Faça a sua parte e a parte deles se necessário. O que não dá é para se estressar com a incompetência alheia e muito menos se prejudicar. O melhor mesmo é evitar esse tipo de situação, mas algumas vezes é inevitável. Serve de lição para saber quem excluir de futuros grupos e até para saber como lidar nesses casos.

6. Descubra qual a sua forma de aprendizado e invista nela. Se for auditiva, grave as aulas, preste atenção... Se for visual, preste atenção, copie... Se tiver facilidade em se dispersar, sente na frente e longe dos núcleos de conversa... Só não deixe de aproveitar o máximo das aulas e do seu potencial de aprendizagem. Ah, se o professor for muito ruim (algumas aulas são inúteis) e você for do tipo autodidata, aproveite o horário que deveria estar na aula para estudar a matéria, só não deixe acumular. 

7. Organize o seu tempo. Falta de tempo é apenas uma desculpa de quem não sabe ser organizado. Normalmente, quanto mais ocupadas as pessoas são, mais elas conseguem ser produtivas, pois aproveitam cada minuto disponível.

8. Respeite o seu sono. Está cansado? Vá dormir! Quando estamos cansados não conseguimos absorver nada e ainda aumentamos o nosso estresse fisiológico. Para algumas pessoas é bom dormir de tarde e ficar estudando pela madrugada... Para outras, dormir cedo e acordar descansado no dia da prova faz toda a diferença. Ainda tem aqueles que preferem madrugar para dar uma revisada no assunto. Descubra como funciona melhor o seu metabolismo e priorize sempre estar descansado, mesmo que isso signifique não estudar tudo que precisa. Lembre-se: o ótimo é inimigo do bom. É preciso estabelecer limites!

9. Se for estudar no computador, não deixe as redes sociais ligadas e mantenha o celular longe ou no silencioso. Se possível, baixe o que precisa e desconecte a internet. Essa tecnologia infernal atrapalha e dispersa demais! Se estiver estudando com antecedência não precisa fazer isso, o problema maior é quando está correndo contra o tempo - estudando de véspera! Mesmo assim, é sempre bom aproveitar ao máximo o tempo de estudo e evitar dispersões para render mais.

10. Estabeleça horários de pausa. Por exemplo: a cada 30 minutos, se permita uma pausa de 5 minutos para beber uma água, ver se alguém te ligou, alongar, levantar da cadeira, assistir um vídeo engraçado para descontrair e dar uma risada (estou em semana de provas e minha pausa ontem, por exemplo, foi com este vídeo de Murilo Gun, da série dos anos 80, que estou adorando!). O importante é que essas pausas sejam cronometradas e proporcionais ao tempo de estudo. Dei o exemplo de 5 minutos à cada 30 minutos, porque pessoalmente tenho mais facilidade de focar sem parar por 30 minutos ou uma hora do que por períodos maiores. Mas isso varia em relação ao que estou estudando. Muitas vezes me empolgo e nem percebo o tempo passar... Só que nem sempre estudamos o que queremos e a dispersão nesses casos é um risco maior, por isso é fundamental estabelecer metas do que se deseja estudar, do tempo que necessário e disponível, considerando as pausas programadas. 

11. Organize seu espaço. Estabeleça um lugar de estudo com tudo que vai precisar à mão. Separe os livros que irá usar, bem como apostilas, canetas, lápis, borracha, calculadora, caderno, livros, papéis de rascunho... É bom planejar antes para não ter que levantar a todo tempo para pegar algo que está faltando. O planejamento é essencial para otimizar o tempo. Procure sentar-se confortavelmente, de preferência em uma mesa (que não seja a mesa de jantar, para não precisar desarrumar tudo na hora das refeições – a menos que more sozinho) e atente para uma iluminação adequada. O ideal é que fique sozinho, longe da dispersão de outras pessoas, televisão ligada, conversas, etc... Se não for possível, terá que treinar mais a sua capacidade de concentração e abstração do entorno. Ah!! Cama é lugar de dormir e não de estudar, se for estudar na cama, que pelo menos seja sentado, com a coluna bem ereta.

12. A vida é feita de escolhas. Às vezes acontece de termos um só tempo e duas coisas para fazer (ex.: funeral de alguém ou estudar para uma prova). Alguns compromissos são únicos e inadiáveis. Quando sabemos com antecedência, conseguimos planejar nosso tempo. Quando deixarmos o estudo para a última hora, corremos o risco de sermos pegos de surpresa com todo tipo de evento: até um pneu furado! Na maior parte das vezes, uma boa programação e antecipação resolvem tudo. Em outros casos, pondere as suas prioridades e assuma seus riscos. Por essas e outras é importante assistir e prestar atenção às aulas, estar com os assuntos em dia, fazer as listas de exercício... Se tiver uma super festa na véspera da prova, poderá ir e no dia seguinte fazer a prova tranquilamente, mesmo sem ter tido tempo de revisar na véspera.  Se não tiver estudado e optar pela festa, é uma escolha consciente e saberá que depois terá que compensar e correr atrás do prejuízo. Só não vale transformar isso num drama e nem se estressar, pois a inteligência emocional ao invés de se tornar sua aliada, será a sua inimiga. Eu sempre escolho as festas, pois sei que no futuro nunca vou me lembrar de uma nota baixa, mas certamente jamais esquecerei um momento inesquecível com pessoas queridas: aniversários, casamentos... enfim, eventos únicos!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A lição da "mulher mais feia do mundo" - VÍDEO IMPERDÍVEL

Acho que esse é um dos vídeos mais emocionantes que já assisti em minha vida. Estava morrendo de saudades de ser tocada por coisas que reforçam a minha vontade de Beijar o Padeiro. Quanta inspiração!!! Lizzie, meus parabéns!!! Se a humanidade seguir o seu exemplo, nosso planeta se transformará em um palco de estrelas!!!



Por algum motivo não consegui postar o vídeo legendado aqui. Mas ele está NESTE LINK - não deixem de assistir, é IMPERDÍVEL!!!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Em defesa da Amélia moderna

Nas imagens acima (retiradas do Google Imagens) quis ilustrar dois tipos de mulheres, nenhuma é melhor do que a outra - ambas podem ser lindas e interessantíssimas!

Acabei de assistir a este vídeo e confesso que fiquei chocada. É desta forma que o movimento feminista pretende se impor? Massacrando os homens? Tem gente aplaudindo isso?

Em primeiro lugar gostaria de frisar que não ter uma atitude feminista é completamente diferente de apoiar ou aplaudir qualquer tipo de assédio sexual ou ofensa dirigida à mulher, como mostra o filme. A coisa é colocada de uma maneira maniqueísta, dando a entender que a mulher sempre foi uma pobre coitada da sociedade e o homem o bonzão. A velha história das vítimas e coitadinhos... Não é bem assim.

Uma mulher não precisa agir como um homem ou roubar o seu lugar na sociedade para ser uma grande mulher. Mas é isso que o feminismo prega. A lavagem cerebral é tão grande que a mulher moderna não aceita mais ser mulher (nos moldes tradicionais) sem sentir que isso é sinônimo de fracasso. É como se para sentir que tem valor, uma mulher não pudesse se dar ao luxo de ser o que simplesmente é: mais frágil, mais sensível... Isso não é preconceito, é fisiologia: a mulher tem outro corpo e principalmente um ciclo hormonal completamente diferente. Não dá para querer desconsiderar esses fatos e achar que homens e mulheres podem inverter seus papeis tão naturalmente.

Claro, que se algum dos dois, assim deseje (inverter papeis), nada os impede. Mas, convenhamos que uma mulher que decida ser operária de obra terá que submeter seu corpo a um esforço físico muito maior do que um homem (existem exceções, estou falando de padrões de biótipos). Tanto é possível que vemos de tudo: homens trabalhando na cozinha e mulheres dirigindo caminhões. O fato de ser possível, não significa que isso precisa se tornar um padrão ou que é o correto. Pensar desta maneira é julgar o contrário como errado e inferiorizar quem simplesmente resolva seguir padrões femininos e masculinos tradicionais na sociedade.

Uma mulher pode optar em se dedicar somente ao trabalho e entrar em um acordo com o seu marido onde ele assuma as responsabilidades domésticas. Como sempre digo, são escolhas pessoais. Não dá para pregar essa inversão como sendo o certo e como se uma mulher que resolva não seguir este padrão esteja errada. Esta mania de impor certos conceitos na sociedade está completamente equivocada. A partir do momento que aplaudimos um vídeo como este, o que estamos fazendo? Dizendo que a mulher que assume ser dona-de-casa não é digna do seu valor? Tenha a santa paciência.

Acho que faltam mulheres que digam o quanto são felizes como donas-de-casa ou executando papéis tradicionalmente femininos. O que vejo hoje, é o contrário: mulheres entrando em conflitos terríveis quando são impostas a estes papeis, simplesmente porque a sociedade criou um padrão de que esse é o modelo da mulher infeliz e submissa - sem valor. Isso é tão forte, que mulheres que atuam no mercado de trabalho tendem a propagar esse preconceito, desdenhando de quem não trabalhe fora de casa. Ou seja, a desunião e o preconceito começam entre as próprias mulheres. Consequentemente, hoje existe um estereótipo de que a mulher só tem valor enquanto profissional do mercado, desdenhando a nobre atribuição de cuidar de um lar, de uma família.

Eu já vivi os dois lados e vejo grande mérito em ambos. Por isso não gosto de julgar o papel da mulher na sociedade. Acho que cada uma deve escolher o seu papel (de acordo com sua identificação pessoal) e deve ser respeitada por sua escolha. Qual o problema de uma mulher não gostar de cozinhar, detestar tarefas domésticas e só pensar em trabalhar? Nenhum! É uma escolha... Nem por isso ela é melhor do que aquela que dedica a sua vida à cuidar da família e não tem uma atividade remunerada.

E quanto aos homens? É muito fácil para as mulheres se fazerem de coitadas. Gosto de olhar pro outro lado. Tem muito homem que dá um duro danado, trabalha de sol a sol, para cumprir o papel de chefe financeiro da família. Será que ele não preferiria ter mais tempo livre, ficar mais tempo com os filhos? A mulher que não trabalha e tem um marido que a sustente, também não pode se colocar como vítima. O que ela precisa é mostrar o quão importante são as tarefas que ela executa (que alguém precisa fazer, já que o homem passa o dia fora de casa) e que o fato de não ser um trabalho remunerado, não significa que tenha menos valor. Ela tem que admitir para si mesma o quanto é bom ter flexibilidade nos horários, conseguir encaixar uma massagem, manicure ou pilates no meio da tarde e ser grata ao fato de poder estar próxima dos filhos ou mantendo a casa em ordem, justamente por ter um marido que cuide do aspecto financeiro da família. Cada papel tem o seu ônus e o seu bônus e precisa receber seu devido valor, sem esta ideia equivocada de que para o homem tudo é fácil e a mulher é uma coitadinha submissa, não é bem assim...

Homens. Não são todos safados, agressivos, desrespeitosos... Uma mulher que cuida bem do seu homem tem maiores chances de ter um marido atencioso e respeitador, consequentemente um lar equilibrado e feliz. Qual homem não gosta de chegar a casa, depois de um longo e estressante dia de trabalho e encontrar a casa limpinha, arrumadinha, comida gostosa, um ambiente acolhedor, uma esposa alegre, disposta a escutar seus problemas e lhe dar forças para continuar enfrentando aquele ambiente de trabalho muitas vezes tenso e competitivo? O homem que foge do ambiente familiar é porque não encontra nele aconchego, preferindo muitas vezes a companhia de amigos no futebol ou boteco. Claro que os últimos exemplos são naturais e salutares esporadicamente, mas se isso se torna regra, demonstra fuga, ou seja, sinal de que o lar não anda muito atrativo. Será que o papel da dona-de-casa é tão secundário assim?

Mulheres. Quem disse que a mulher que "depende" financeiramente do marido é fraca e submissa? Quem disse que ela não é feliz tendo o dia inteiro para cuidar de si, da casa e da família? Quem disse que é ruim fazer supermercado, cozinhar, manter as coisas em ordem, levar e pegar os filhos em aulas e não ter que se preocupar em fazer dinheiro? Desde quando uma pessoa nesta situação merece ser vista como "coitada"? E se ela não gosta de fazer essas coisas, o que impede que deixe de fazer, terceirize ou delegue estas atribuições e passe o dia na rua trabalhando de forma remunerada?

Enfim, acho que cheguei ao meu ponto. Fui criada em uma sociedade que quer pregar valores feministas como se fosse o auge da conquista de qualquer mulher (assumir o papel masculino na sociedade). Pode ser para umas, mas não é para todas. O problema é que a lavagem cerebral é tão grande que quem sofre as consequências são aquelas que assumem o papel da mulher tradicional na sociedade (seja por opção ou por necessidade) - que acabam sendo vistas e taxadas como inferiores, quando na verdade não diferem em nada de uma grande executiva.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

"No Brasil, o sucesso é um insulto pessoal" Tom Jobim

Imagem retirada do Google Imagens

Acabei de ler este texto no Blog de Rodrigo Constantino e na falta de ter com quem comentar (acabei de escrever sobre isso) e achar muito efêmeros os tão populares compartilhamentos no Facebook, resolvi escrever um post (conversar comigo mesma)...

Claro que fico indignada com este tipo de situação. No fim do ano passado escrevi sobre a alta cobrança de IOF (agora também nos cartões de débito) para compras realizadas no exterior. O artigo publicado demonstra o cúmulo da invasão de privacidade e tentativa de roubo do livre arbítrio financeiro do brasileiro.

Viver neste país é uma aventura para corajosos e loucos. Vivo repetindo isso aqui no blog: o brasileiro paga impostos que seriam capazes de oferecer serviços de primeiro mundo a ele e no entanto a recebe serviços de quinta categoria. Por conta disso, é obrigado a pagar tudo duplamente: escola, saúde, aposentadoria e inúmeros seguros, para ter a garantia de uma educação e assistência minimamente decente. Quando necessita recorrer à justiça (cujos salários dos servidores são pagos por ele), a menos que a causa justifique o altíssimo investimento da contratação de escritórios de advocacia de ponta (o que mesmo assim não garante velocidade ou resolução dos problemas) corre o risco de nadar e morrer na praia, cansado e desgastado de brigar apenas para receber o que lhe é devido. E quando resolve ser empresário, começa sabendo que vai gerar empregos para os seus piores inimigos: a classe trabalhadora que enxerga o emprego como uma oportunidade de obter uma renda extra futura com causas trabalhistas e ainda recebe total respaldo da justiça para continuar agindo desta maneira. Não é de admirar tanta gente inteligente e competente que opta por concursos públicos: empresariar no Brasil é uma aventura pior que escalar o Everest. 

Como se fosse pouco, tudo neste país é absurdamente caro: carro, imóvel, livro, roupa, transporte, combustível, acomodação, alimentação e lazer em geral... Os valores que vemos por aí são (sempre foram) completamente incompatíveis com a renda média brasileira, principalmente tomando por base o salário mínimo. Não é a toa que muita gente tenha vontade de "investir" o seu suado (para uns, infelizmente não para todos) dinheiro bem longe daqui: seja com educação, programas culturais ou adquirindo objetos de uso pessoal, já que mesmo convertendo para moedas muito mais caras que o real, como o dólar, o euro e até a libra, diversas coisas ainda saem mais baratas do que aqui no Brasil e mesmo que sejam mais caras, acredito que a escolha daquilo com o que se deseja consumir é algo absolutamente pessoal. Acho um absurdo a tentativa de vedar o livre arbítrio do consumo de uma pessoa, principalmente quando o seu salário foi adquirido de forma honest e o produto comprado é legal, por isso achei as considerações da matéria excelentes!

Neste artigo vejo a prova de uma frase do Tom Jobim: "No Brasil, o sucesso é um insulto pessoal". Provavelmente, a pessoa que vasculhou a mala da empresária sentiu extremo incômodo ao ver uma pessoa bem vestida e portando itens de grife, completamente fora de seu alcance. Aliás, estes servidores públicos de alfândegas devem se corroer de inveja ao verem diariamente centenas de pessoas na mesma situação... O que fazem? Abusam da autoridade para dar vazão à inveja inoculada. Agora pergunto: essas pessoas têm o direito de sentir inveja se elas escolheram os seus trabalhos e inclusive alcançaram o posto mais sonhado pela maioria dos brasileiros: a estabilidade através de um concurso público? Não têm! O problema é que entre o discurso das pessoas, o sentimento e a prática existe um abismo e quando uma pessoa se vê em um cargo tão estável que chega a ser tedioso e estagnante, acaba morrendo de inveja de quem tem a possibilidade de crescimento pessoal e financeiro através do trabalho, mas como as suas ideologias não permitem assumir isso, afinal "o capitalismo é o satanás da sociedade moderna" elas acabam expressando este sentimento de inveja das maneiras mais mesquinhas.

Por ter crescido em um ambiente educacional de modelo norte-americano, fui educada para acreditar que o ser humano através de sua criatividade e educação é capaz de empreender, inovar e criar sozinho o seu trabalho e seu sustento, sem necessariamente depender de um emprego para isso. E mesmo que tenha um emprego, que este seja "instável" dando possibilidades tanto ao crescimento, quanto à demissão, o que encoraja o desenvolvimento contínuo. Ao mudar para uma escola brasileira, o meu primeiro choque foi perceber que toda o sistema de ensino era voltado apenas para preparar o aluno para a prova do vestibular (hoje o ENEM). Já na faculdade, constantemente os conteúdos são voltados à forma como são cobrados nos concursos públicos. Recentemente questionei uma professora sobre isso, perdendo tempo precioso de sala de aula ensinando macetes e ela respondeu que era porque todo mundo (eu também? não estava sabendo...) quando saísse da faculdade iria fazer um concurso (simples assim: uma afirmação). Pensava que era uma realidade apenas de pessoas que graduavam na área jurídica, mas neste dia me dei conta de que é um desejo generalizado, independente da área: o objetivo mor das pessoas é prestar um concurso público, pouco interessa a função, apenas a estabilidade a ser alcançada. Triste realidade! 

Não duvido da possibilidade de alguém fazer um concurso por achar que tem vocação para determinado cargo e isso se comprova com o fato de existirem funcionários públicos competentes e dedicados... O problema é que esse segmento corresponde à uma minoria e mesmo essas pessoas correm o risco de cair na acomodação depois de muitos anos no mesmo cargo. Toda vez que converso com indivíduos concursados fico impressionada como seus trabalhos são sinônimo de vida mansa, com cargas horárias reduzidas, inúmeros benefícios e ninguém comenta sobre o que verdadeiramente é feito em seus trabalhos, somente sobre a grande qualidade de vida que passaram a ter depois que viraram funcionários públicos. A primeira coisa que não consigo entender é como um trabalho pode se basear em um relógio de ponto: na minha experiência e concepção, um trabalho verdadeiramente inspirado não tem hora marcada nem para começar e nem para terminar e alguém que consegue interromper suas atividades rigorosamente em um horário fixo, para mim, está muito mais comprometido com o relógio do que com a função desempenhada. Enfim, este é o futuro de um país que substituiu a noção da realização de uma vocação pelo sonho raso de estabilidade...

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