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quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Fugindo de uma gralhada

Na família de minha mãe existe uma gíria criada pelos irmãos dela a respeito das broncas que ela dá quando se chateia com alguma coisa. Criaram um nome próprio para este verbo específico: gralhar. Alguém já reclamou contigo sobre algo que você fez de errado? Tenha certeza que nada se compara à famosa gralhada da Sra. Minha Mãe. E não pense você que é algo de mãe para filha: ninguém está livre de receber uma gralhada e quem já recebeu uma só de pensar treme nas bases. 

Hoje vim aqui contar uma história… Está vendo esse vídeo aí em cima? Pois bem! Esta sou eu, fugindo de uma gralhada. Parece piada, mas não é. Vou explicar. 

Hoje, às 17h estava saindo do prédio de meus pais, para buscar meu filho na aula de tênis, à cerca de dois minutos de distância da casa dos meus pais, quando recebo uma ligação de minha mãe: 
 - “Filha, já saiu de casa? O tempo está armado e vai vir chuva de Noroeste. Não deixe nenhuma janela aberta. 
 - “Mãe, acabei de sair para buscar G e deixei uma janela na sala aberta. Quer que volte para fechar a janela?” 
 - “Não precisa, se você já está no carro, busque ele logo.” 
 - Está bem! 

 Contextualizando: já aconteceu de alagar apartamentos inteiros no prédio de meus pais com essas chuvas associadas a ventos de noroeste. Uma vez, inclusive, estava lá e mesmo com tudo fechado entrou tanta água pelas frestas das janelas que precisamos tirar de balde. 

Retornando à história… Depois de 10 minutos esperando meu filho e nada dele aparecer, começa a chover. Aquela chuva que já chega chegando, sabe? Na mesma hora lembro das palavras de minha mãe e penso: “Vou lá fechar a janela antes que alague tudo e eu receba uma gralhada de 10 gerações”. 

Contextualizando mais um pouco: a casa de meus pais é cheia de quadros, obras de arte, cerâmicas… 

Decidi que meu filho poderia esperar e que fechar a janela da casa de meus pais naquele momento era prioridade. Lá fui eu. No meio do caminho, quase chegando no prédio deles, um raio violento. Cai uma árvore, eu vejo que vai cair mais uma e resolvo dar meia volta (a cena que filmaram nesse vídeo aí). 

O carro chacoalhava de um jeito com a violência do vento que parecia que ia tombar e eu só imaginando a cena de terror na casa de meus pais: quadros voando, apartamento alagado e a gralhada que escutaria por ter feito algo que eles NUNCA fazem: saído e deixado a casa sem ninguém com uma janela aberta (meus pais são os loucos das janelas fechadas e portas trancadas). 

Nesse meio tempo ligo para minha mãe para avisar o que tinha acontecido e que ia entregar nas mãos de Deus e buscar meu filho que a essa altura já devia estar me esperando há 20 minutos. Claro que para não falhar a Lei de Murphy, busca-lo nunca demorou tanto. Ele não estava na portaria como de costume e eu ainda tive um segundo ataque de nervos preocupada. Entrei no clube gritando igual a uma maluca perguntando pela criança. Uma boa alma foi resgatá-lo no meio da tempestade com um sombreiro gigante. Estava na quadra impossibilitado de sair por conta da chuva. Eu estava tão nervosa que saí sem dizer tchau ou agradecer à boa alma que trouxe meu filho no colo debaixo do sombreiro. A propósito, se o Sr. ler isso aqui: MUITO OBRIGADA! 

Bem, a essa altura eu realmente já tinha entregue nas mãos de Deus. Já tinha uns 30 minutos de chuva e ninguém tinha conseguido chegar em casa. Por sorte o prédio de meus pais pode ser acessado por múltiplos caminhos e eu consegui fazer uma rota indo por cima, já que por baixo o acesso estava interditado com a árvore atravessando a pista. Tudo escuro, pois obviamente a árvore levou junto os fios elétricos que abastecem boa parte do bairro. 

Consegui entrar na garagem escura e com a ajuda da câmera do celular subi de escada até o apartamento, na companhia dos meus filhos. Para meu espanto e alegria a sala estava levemente molhada apenas. Deus escutou as minhas preces e me livrou de uma super gralhada! Mas os registros estão aí para não dizerem que é mentira: sou ou não sou uma expert em fugir de gralhadas?! 

P.S.: Piadinhas à parte, que sensação de ter vivido um milagre foi essa que vivi hoje?? Tremi igual à vara verde durante todo o ocorrido, mas só depois que recebi este vídeo pude me dar conta do tamanho da fogueira que pulei. Um verdadeiro milagre! Muito a agradecer por mais uma bênção divina em minha vida! E você já agradeceu pelas graças que Deus opera em sua vida?? Depois de ler esse texto, não esqueça de fazer uma oração!

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Santa Dulce dos Pobres

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Imagem retirada do Google Imagens

Quando tinha 8 anos meu pai fez algo inusitado, me levou para um velório. Um programa bem pouco usual para uma criança... Meu pai, que odeia multidões, cruzou toda aquela multidão, numa noite e me levou para junto do caixão na Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia e me disse: “Filha, está vendo esta mulher? O nome dela é Irmã Dulce. Guarde este momento, você está tendo a oportunidade de ver de perto uma pessoa que vai virar Santa.” Aquele momento, aquelas palavras e aquele rosto nunca saíram de minha mente.

 Como boa baiana que sou, cresci ouvindo as histórias desta Santa Maravilhosa. Testemunhar sua canonização é uma enorme emoção, um motivo para celebrar, agradecer, Beijar o Padeiro e aumentar a certeza na crença da bondade humana, apesar de tantas mazelas que vemos por aí. 

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Grávida: de novo!!!

Há tempos que penso em escrever sobre meu segundo parto, mas se escrever sobre o primeiro foi difícil, o segundo vem com uma carga maior de emoções. Acho que vou ter que começar escrevendo sobre a segunda gestação antes de falar sobre o segundo parto.

Diferente da primeira gestação, que foi super tranquila, sem enjoos, sem dores, sem nada... A segunda gestação foi PUNK!!

A gravidez foi uma surpresa. Fiquei sem menstruar por um ano (amamentando), me desliguei completamente de cuidados contraceptivos e assim, descobri que estava grávida quando meu primogênito tinha apenas um ano e dois meses. Nesta época morava numa cidade remota, no interior do Mato Grosso, chamada Nova Mutum. Longe da família, dos amigos e sem ninguém para me ajudar em casa. Minha rotina de mãe, esposa e dona de casa era INTENSA.

Nas primeiras 14 semanas, senti enjôo, muito enjôo. Foi a primeira mudança no meu estilo de maternar na época. Precisei deixar de ser aquela super mãe, que faz TUDO e precisei terceirizar a alimentação de meu filho. Não conseguia cozinhar... Dar a comida dele então, era certeza de vômito. Precisei arrumar alguém para me ajudar em casa, para garantir que eu comesse e meu filho não morresse de fome. Encontrei alguém para me ajudar a manter a casa em ordem, cozinhar para mim e alimentar meu filho, com muito amor e carinho: que sorte a minha! À noite, quando estava sozinha com meu filho, às vezes esperava meu marido, às vezes pedia ajuda à uma vizinha e às vezes dava a comida dele, intercalando vômitos.

Passada a fase dos enjôos, uma nova etapa: dores na coluna. Mais uma função terceirizada, não aguentava mais carregar meu filho no colo e a empregada teve que assumir mais esta função: colocar e tirar do berço, dar banho (na banheira alta) e carregar sempre que necessário.

Com 20 semanas de gestação, já livre dos enjoos, fiz uma viagem de férias com meu marido, filho (1 ano e 7 meses na época), sogro e sogra. Cheguei em Lisboa com uma noite mal dormida no avião e na sequência um colchão muito macio no hotel. No segundo dia de viagem minha coluna travou (fiz uns alongamentos achando que ia melhorar e no fim só piorei) e não conseguia dar um passo. Tinha duas opções: voltar pro Brasil ou prosseguir com a viagem em uma cadeira de rodas. Não pensei duas vezes, adquiri uma cadeira de rodas e tive férias inesquecíveis por 20 dias na Europa, um turismo completamente diferente, vivenciando na pele todas as dificuldades de ser uma cadeirante. 




Se antes não podia carregar meu filho e dar comida, agora precisava de ajuda até para ir ao banheiro, sentar ou levantar de uma cadeira. Nem preciso dizer a quantidade de reflexões que isso me trouxe e o enorme aprendizado que vivenciei. Descobri na raça a delegar e deixar de querer ser tão controladora de tudo. Durante um mês eu fui conduzida, meu tempo passou a ser o tempo dos outros, exercitei minha paciência e especialmente a minha gratidão. Gratidão por ser uma condição temporária, por ter tantas pessoas queridas tomando conta de mim, de ter quem cuidasse de meu filho para poder me cuidar, de ter uma gestação saudável e conseguir driblar minhas limitações. 

Passados vinte dias, retornei ao Brasil. Já estava um pouco melhor e ensaiava passos. Pedi penico e não voltei mais pro Mato Grosso. Decidi ficar em Salvador, na casa dos meus pais, minha cidade natal, onde tinha mais suporte. Foi difícil ter que ficar longe de meu marido e não pude nem voltar pra casa para buscar minhas coisas...

Mas, o mais importante é que neste retorno para Salvador uma sequência de anjos começaram a surgir em minha vida. O primeiro foi a mãe de uma amiga de infância, médica especialista em dor e acupunturista. Após algumas sessões fui aos poucos melhorando e me livrando da cadeira de rodas... Os próximos anjos foram os terapeutas que me ajudaram a voltar a andar: terapeuta de Rolfing, fisioterapeuta e professora de pilates. E talvez o mais importante foi o anjo que me apareceu para me ajudar a cuidar de meu filho, permitindo que eu tivesse tempo para cuidar de mim.

A segunda metade de minha gestação foi assim: fazendo algo que não tinha feito desde que tinha me tornado mãe: cuidando de mim. Criei espaço para mim mesma em minha agenda, tinha atividades diárias: Rolfing, Pilates, Fisioterapia, Acupuntura e incontáveis compressas de gelo e quentes... Descobri que meu filho podia ser muito bem cuidado em minha ausência e que era mãe, mas ainda era Camila e precisava me cuidar e estar bem para a chegada de minha filha.


Voltei a andar (mancando até o fim da gestação) e cresci muito como mãe, mulher e ser humano neste período. Foi uma lição para a vida e nem tinha começado, depois da gestação viriam novas batalhas e aprendizados!


domingo, 7 de setembro de 2014

Refletindo sobre a atuação do nutricionista e sua postura perante modismos nutricionais

Olá mundo virtual!

Você tem estado meio distante de minha vida, mas, como diz o ditado: quem é vivo sempre aparece!

Semana passada foi a comemoração do dia do nutricionista e hoje, com um pouco de atraso, compartilho esse vídeo excelente, do Porta dos Fundos, satirizando esse profissional "da moda". http://youtu.be/sNHlZvk09tI



Será que é por isso que tenho escrito pouco por aqui? As vezes cansa explicar as coisas mil vezes e depois ser assolada pela primeira moda que surge na TV. Quando o assunto é nutrição (aliás, em outros assuntos também) falta raciocínio em muitas pessoas.

Está todo mundo em busca de fórmulas milagrosas, que na alimentação se traduz em alimentos mágicos: vilões ou mocinhos! Como não sou chegada a radicalismos e exponho minha forma de pensar sobre alimentação saudável há mais de cinco anos aqui no blog, as vezes é cansativo falar sobre "o que acho do goji berry" ou outros mil temas que surgem constantemente.

O tempo é um só e quando ele se torna bastante escasso, as vezes é necessário adotar certas posturas egoístas e focar mais tempo na absorção de novos conteúdos do que na propagação de outros, já mais sedimentados. Enfim, já falei sobre isso aqui, fases da vida! Neste momento estou numa fase esponja, mas a qualquer momento minha necessidade de colocar pra fora irá transbordar de mim. Prefiro seguir o fluxo natural e não "forçar a barra".

Despeço-me agradecendo com imenso carinho todos aqueles que continuam visitando a minha página, apesar da atualização do espaço estar pouco freqüente nos últimos tempos. Deixo vocês com esse vídeo para rir e refletir!

Desejo uma ótima semana!

quinta-feira, 5 de junho de 2014

SOS Criatividade

Imagem retirada do Google Imagens

Criatividade: de onde ela vem? Alguns dizem que é um dom, uma geração espontânea, algo inerente... e usam isso como desculpa para justificar limitações e não-realizações. Em primeiro lugar, a criatividade não é aplicada somente para fazer uma obra de arte ou desempenhar qualquer talento artístico. Pelo contrário, a criatividade é uma ferramenta cotidiana, cujo objetivo principal é a solução de problemas. Ela pode vir por diversos fatores ou pela combinação deles, podendo ter sido gerado: por um problema, uma decisão, um compromisso, uma necessidade, um incentivo ou até fruto de uma limitação... Falando assim fica um pouco abstrato, por isso vou tentar exemplificar de uma maneira mais simples.

Vamos lá! Muita gente elogia a minha criatividade na cozinha. Vou mostrar para vocês de onde vem essa criatividade, só para entenderem que ela parte de um processo. Este processo, por sua vez, pode se repetir em inúmeras situações na vida, como na organização de espaços e realização de tarefas corriqueiras ou complexas.

Como ocorre o meu processo criativo na cozinha. 
1) Estou com fome, preciso comer (necessidade);
2) Estou comprometida em alimentar outra pessoa (decisão/compromisso/necessidade);
3) Se não providenciar a minha comida, não tenho ninguém para fazer isso por mim (necessidade);
4) Lanche é lanche, comida é comida (decisão/limitação)
5) Não uso micro-ondas (decisão/limitação);
6) Não gosto de comida congelada (decisão/limitação);
7) Não uso queijo em casa - adeus sanduíche (decisão/limitação);
8) Não gosto de almoçar e jantar a mesma coisa (decisão/limitação);
9) Queria comer determinado prato, mas não tenho todos os ingredientes em casa (limitação);
10) Fiz mercado e estou cheia de ingredientes frescos na geladeira (incentivo);
11) Não fiz mercado e estou muito limitada em termos de ingredientes (problema);
12) Comprei um ingrediente novo e quero testá-lo/prová-lo (compromisso/incentivo/problema);
13) Estou com pouco tempo (problema);
14) Vi uma receita diferente e quero testá-la (incentivo/decisão)
15) Preciso gastar determinado ingrediente fresco antes que ele apodreça ou perca a validade (problema/necessidade);
16) Preciso fazer uma sobremesa, mas me recuso a usar açúcar - nem mascavo, leite, creme-de-leite, leite condensado, gelatina artificial, adoçante, manteiga, margarina, extrato artificial de baunilha, etc... (decisão/problema);
17) Quero adaptar uma receita que originalmente contém ingredientes que não uso em casa (decisão/problema/incentivo);
18) Estou com um problema no gás do prédio e proibida de usar o forno há três meses - por sinal, isso é verdade (problema);
19) Minha comida precisa ser saborosa e ao mesmo tempo saudável (decisão/limitação);
20) Preciso variar bastante o cardápio para me sentir motivada (problema).

Cada um desses itens pode gerar um processo criativo e a combinação deles, inúmeros processos criativos. Por exemplo, ganhei pães de queijo caseiros (feito com leite integral e ovos caipiras) na semana passada e queria prová-los. Como estou sem poder usar o forno, assei na forma de waffle e ficou ótimo. Esse foi só um exemplo para mostrar que a criatividade não é algo que brota do além e sim fruto de alguma demanda. 

Nos exemplos listados acima, existem várias soluções possíveis. As soluções mais simples, normalmente irão requerer que se abra mão de algo. Por exemplo: eu poderia simplesmente ir comer fora ou pedir um delivery; deixar de "frescura" e encher o meu freezer de comidas prontas e ter um micro-ondas; adotar o padrão "sanduíche para que lhe quero"; cozinhar algo em quantidade e comer a mesma coisa a semana inteira... Por aí vai. 

Para conseguir atender a todas as demandas enumeradas acima não me resta outra solução a não ser a criatividade. Sendo assim, ela não passa de uma necessidade e exercício diário. Dei o exemplo da cozinha, mas na verdade o processo se repete em quase tudo - pois criatividade nada mais é do que a busca por soluções para atender a todas as nossas exigências e demandas.

Pense nisso antes de dizer que não é uma pessoa criativa. Existem diferentes expressões da criatividade que são aplicadas constantemente no dia-a-dia. Aposto que é mais do que imagina e muitas vezes subestima a sua criatividade, por pensar que é algum super poder destinado a pessoas super especiais. Não é!!!

terça-feira, 3 de junho de 2014

E se meus pais tivessem decidido que eu era uma criança "transgênero" e me transformado em um menino?

Pensei bastante antes de escrever esse texto, pois falar de assuntos polêmicos é sempre delicado. Entretanto, o caso da criança “transgênero”, que anda circulando pela internet, tem tido uma repercussão bastante preocupante para mim (grande parte das pessoas estão aplaudindo e achando o máximo).

Alguns aspectos me incomodaram no caso:
1)      A exposição. A situação já é em si delicada, ao ser exposta em rede social como foi, a criança passa a lidar exaustivamente com um tema que definitivamente não é apropriado para uma criança tão pequena.
2)      A idade da criança. Incomoda-me esse exagero de temáticas sexuais voltadas ao público infantil. Hoje os livros didáticos falam em sexualidade em um tom pesado e desnecessário, além do super apelo nos meios de comunicação. A meu ver, sexualidade simplesmente não deve ser uma questão para uma criança de cinco anos.
3)      Minha experiência pessoal no assunto e foi ela que me motivou a escrever este texto.

Foto minha criança: parecia ou não um menininho? 

Fui uma criança hiperativa e como tal, brincadeiras típicas “de meninos” eram sempre mais atraentes para mim. Até os oito anos morei em um prédio onde só tinham crianças do sexo oposto ao meu. Logo, cresci brincando de espada e não me conformava em ter que vestir uma camisa para descer enquanto todos os meninos podiam descer sem camisa. Sexualidade não era uma questão, pelo contrário, minha mente era tão assexuada que não conseguia entender a necessidade de usar uma camisa, uma vez que não via diferença entre meu membro superior e os dos meninos do meu prédio.

Nunca brinquei de boneca e sempre gostei de me juntar com os meninos da escola para aprontar "coisas de meninos". Meu comportamento sempre foi longe do exemplar... Não me recordo de adorar nenhuma princesa, meus desenhos prediletos da infância eram aqueles de luta, como: Jaspion, Jiraya e Changeman. Nunca tive Lego (no meu tempo Barbie era para meninas e Lego para meninos), tive uma coleção da Barbie que era mais um enfeite do que um brinquedo e ficava contando os dias para ir na casa dos meus primos para brincar com os Legos dele, amava!!!

Tive cabelo curto desde muito cedo e nunca fui de usar lacinhos, passadeiras e enfeites (não tinha nem como). Fazia chantagem nas lojas de roupa com a minha mãe: só aceitava que ela comprasse um vestido para mim, se me desse um short e uma camiseta também. Não suportava usar meia-calça e o primeiro dinheiro que juntei na vida usei para comprar a minha primeira calça jeans, aos 10 anos.

Nunca tive muitos bons modos para usar vestidos e saias e até hoje meu estilo de vestir é extremamente prático, confortável, sem nenhuma afinidade com roupas curtas, coladas e especialmente saias. Sou fã de um tênis, uma calça confortável e uma camisa de malha.

Sou muito diferente de minha irmã, que sempre amou brincar de bonecas, foi dama-de-honra profissional, devido aos seus bons modos desde pequena e facilidade em usar vestido, meia-calça, sapato de verniz, laços, fitas e adereços, além de ter começado o ballet aos 4 anos de idade e ter sido sempre uma “boneca”, de comportamento exemplar, exímia dançarina.

Meus pais, graças a Deus, tiveram o bom senso de perceber que eu não tinha nada a ver com a minha irmã. Nem cogitaram me colocar no ballet: fiz natação e basquete. Nunca fiz nenhum tipo de dança. Agora me pergunto: e se meus pais tivessem resolvido achar que eu era transgênero e tivessem me transformado em um “menino” aos cinco anos, por eu apresentar mais características de uma pessoa do sexo masculino do que feminino?

Minha preocupação com a repercussão do caso que está sendo divulgado na mídia é exatamente essa. E se a moda pega? Como eu, tenho outras amigas que adoravam jogar bola, andavam com meninos, nunca tiveram características consideradas femininas e, no entanto, ao entrarem na puberdade, foram aos poucos tendo a feminilidade aflorada. Acho que com cinco anos de idade a criança é simplesmente uma criança.

Os pais podem deixar uma menina se comportar como menino, sem criar um caso em cima disso e nem rotular. Quer usar short, fazer aula de bateria, jogar futebol, usar cabelo curto? Deixa tudo! Mas tomar uma medida drástica de transformar uma menina de cinco anos em um menino me parece uma atitude demasiadamente severa, considerando que os hormônios que irão definir os interesses sexuais desta criança ainda nem se manifestaram.

Não dá para negar o fato de fisiologicamente essa pessoa ainda ser do sexo feminino. Esse “menino” vai dormir na casa dos amigos e quando trocar de roupa na frente dos coleguinhas perceberá que possuem genitálias diferentes... Quando for usar um mictório público sempre terá que entrar na cabine... E quando a adolescência chegar? O que fará com os seios? Como será na praia? Usará biquíni ou sunga? Ser adolescente e lidar com as transformações do corpo já é bem difícil. Passar por isso em um corpo do sexo oposto, que seus pais decidiram ser o melhor para você, ainda aos cinco anos, deve ser mais do que complexo! Isso sim para mim pode dar um nó na cabeça de alguém e até levar ao suicídio.

Sinceramente, rezo para que essa moda não pegue. Para que os pais deixem seus filhos livres com as suas escolhas durante a infância, sem impor que precisam ter cabelos longos ou curtos, usar shorts, vestidos, azul ou cor-de-rosa. Que os pais não transformem a sexualidade das crianças em uma questão durante a infância, que deixem que sejam simplesmente crianças e esperem a chegada da adolescência e idade adulta para que possam ter maturidade e discernimento para decidirem por conta própria o time para o qual desejam torcer.  

P.S.: Claro que em algum momento da infância eu questionei porque os meninos faziam xixi em pé e eu precisava sentar ou me agachar. Simples curiosidade infantil e claro que parecia que os homens tinham uma vantagem neste aspecto (especialmente na estrada). Entretanto, este pensamento está longe de ser falta de aceitação da própria sexualidade. Sinceramente, acho que a interpretação maliciosa do que uma criança fala ou questiona acerca de qualquer tema relacionado à sexualidade está na cabeça do adultos, que querem ver problemas sexuais em tudo, as crianças estão apenas questionando, querendo entender e descobrir o mundo que lhes cerca!

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Os riscos das dietas da moda


Estava lendo este artigo no blog de Denny Waxman, quando a frase abaixo chamou a minha atenção. Resolvi utilizá-la como gancho para um texto. 

"...It involves developing health-supporting habits. We get much more benefit from the habits we practice than the habits or behaviors we abstain from. In the short term, we benefit from avoiding animal and dairy foods, but the habits we form are what promote long-term health...." Denny Waxman

"...Isso envolve desenvolver hábitos que sustentam a saúde. A gente se beneficia muito mais dos hábitos e comportamentos que praticamos, do que daqueles que nos abstemos. Em curto prazo, nós temos benefícios em evitar produtos animais e laticínios, mas os hábitos que formamos são aqueles que irão promover saúde a longo prazo..." Denny Waxman

Por que será que esta frase chamou a minha atenção? Bem, diante de tantos modismos alimentares, o que mais vemos hoje são pessoas dizendo que alcançaram resultados maravilhosos retirando certos alimentos da dieta. Os mais comuns têm sido o glúten e a lactose.

Em primeiro lugar, os benefícios não vêm só daí. A maioria das pessoas que se submetem à privação de nunca mais apreciarem uma pizza ao domingo com um grupo de amigos, estão tão cuidadosas (para não dizer, neuróticas) com a saúde, que provavelmente estão fazendo em paralelo uma série de outras coisas: sendo acompanhadas por um nutricionista, cuidando da qualidade do sono, praticando atividade física regularmente, dando preferência à orgânicos e alimentos integrais e muitos outros. Aí, em meio a tantas mudanças, divulgam que a retirada do glúten e da lactose foi a salvadora da pátria.

Queria ver o depoimento de alguém que não mudou ABSOLUTAMENTE nada na dieta e no estilo de vida e que retirou esses alimentos. Será que milagres acontecem? Nunca acreditei em nenhum alimento SOZINHO sendo vilão ou mocinho, sempre defendi o bom senso e a parcimônia e abomino radicalismos. No meu caso, por exemplo, pães e massas (contendo glúten) nunca fizeram parte do meu cotidiano e laticínios menos ainda. Posso comer ambos esporadicamente e não sinto nada, até porque não abuso. Como não fazem parte de minha rotina, a ingestão de tais alimentos normalmente está associada a algum motivo social e neste caso o prazer de estar compartilhando uma refeição entre amigos e degustando sabores diferentes de minha rotina tem a função de nutrir a alma... Só que para me sentir merecedora de exceções, mantenho uma regra muito criteriosa. 

Enfim, não é a este ponto que quero chegar.

Fazer reeducação alimentar não é reduzir ainda mais a variedade alimentar das pessoas (eliminando inúmeros itens da dieta) e sim apresentar infinitas possibilidades para deixar a dieta rica e variada. Quando estou orientando alguém em termos alimentares, sempre digo uma coisa: nunca tiro um alimento sem oferecer outro em troca (de preferência muitos outros). Só que a substituição precisa ser de fato uma substituição. Tirar os alimentos que contêm glúten (carboidratos) aumentando a quantidade de proteína (trocar um pão por um omelete, por exemplo) não pode ser considerada uma substituição, mas é isso que as pessoas vêm fazendo.

Analiso recordatórios alimentares diariamente na prática clínica e o que vejo é isso, dietas hiperproteicas, com pouquíssima variedade de vegetais e frutas, excesso de carboidratos simples (refinados), muitos produtos industrializados e doces... Resumindo: deitas completamente desbalanceadas. Aí, você pega uma pessoa dessas e enfia na cabeça dela que glúten e lactose são vilões... Se ela gostar muito de seguir modas e perfis no Instagram, vai achar que se deixar de comer pão e laticínios será a pessoa mais saudável do mundo! Ao invés de fazer as corretas substituições e aumentar a ingestão de cereais integrais e vegetais, irá acrescentar os alimentos "saudáveis" da moda: vinho; doces "funcionais" que tiram a lactose, mantém o açúcar a acrescentam whey protein; ovos (pouco importando se são caipiras ou não); azeite de oliva extra virgem; óleo de coco; sementes de chia... Ah, bananas! Quase ia me esquecendo da nova moda de sermos todos macacos! O mais triste é que vão gastar muito dinheiro com essas coisas e vão  continuar com a dieta desbalanceada e ainda crentes de que estão hiper saudáveis, pois seguem tal ou tal celebridade de mídia social: ícones atuais de saúde.

Quero deixar esta reflexão para vocês hoje. Aquilo que se retira de uma dieta, pode até trazer um benefício no curto prazo, mas aquilo que se acrescenta e se mantém é o que fará a grande diferença no longo prazo. Ou seja, mais importante do que o que você deixou de comer é aquilo que continua comendo... E estou falando de comida e não de pozinhos e cápsulas, isso não é alimento!

Já falei inúmeras vezes sobre os vegetarianos que não comem vegetais. Simplesmente decidem que proteger os animais é mais importante do que proteger as próprias vidas, deixam de comer carne e se entopem de produtos refinados, açúcares e até álcool. Não advogo a favor da carne, mas certamente estas pessoas estariam com melhor saúde se comessem carne e menos produtos químicos e industrializados.

O mesmo em relação a estas pessoas que deixam de comer glúten. Quem disse que tapioca é mais nutritiva que pão? É uma farinha, altamente refinada, proveniente de uma raiz, que está longe de ter as mesmas propriedades de um cereal. Só porque não tem glúten, não significa que seja um super alimento... Aliás, outro grande erro é achar que carboidrato é tudo igual, só porque estão juntos na pirâmide alimentar. Apesar de serem fontes de energia: um pão branco é completamente diferente de um pão integral, que, por sua vez, não tem nada a ver com um arroz branco e menos ainda com o arroz integral, que jamais deve ser comparado com uma batata-doce, uma mandioca ou um inhame. Raízes, tubérculos e cereais, apesar de serem fontes de carboidratos, constituem grupos alimentares completamente diferentes e por isso, possuem propriedades nutricionais distintas, que vão variar ainda mais se forem consumidas nas formas integrais ou processadas na forma de algum tipo de farinha... 

Com os laticínios o buraco é mais embaixo. Quem disse que o único problema dos laticínios é a lactose? Hoje  as pessoas comem queijos e iogurtes sem lactose e se enchem de proteína isolada do soro do leite (whey protein) e ninguém fala sobre a caseína e outros compostos presentes no leite da vaca que é feito para alimentar bezerro e não seres humanos. Lembrando que se alimentar de algo é completamente diferente de ingerir algum alimento de forma esporádica. Enfim, já falei muito sobre o leite aqui no blog, vou ficando por aqui, pois este não é o tema da publicação de hoje...


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Body Image Movement: EU APÓIO!


Acabei de ler esta matéria no Huffington Post com um vídeo sobre a uma mulher que está querendo fazer um documentário abordando como as mulheres se sentem em relação aos seus corpos. Ela perguntou a 100 mulheres o que elas achavam sobre os seus corpos e as respostas eram, na maior parte das vezes, negativas, demonstrando uma insatisfação generalizada. Muito triste!


Na foto acima: ambas mães de três filhos, ambas advogam a favor da saúde e do bem-estar. Chegou a hora de celebrar a diversidade. Cada corpo é único e conta a sua própria história. AME O SEU CORPO!

Segundo Taryn Brumfitt, , australiana, autora do The Body Image Movement o nosso corpo é um veículo e não um ornamento. Ela ressalta ainda que deve-se priorizar a disposição e alegria de viver e esse sentimento vem de dentro para fora. Nesta entrevista, ela explica em que se baseia o seu movimento, cuja finalidade é ajudar as mulheres a amarem seus corpos:
1) Aceitação. Aceite o que você tem: seis pequenos, quadril largo, pneuzinho, celulite, estrias... Não adianta ficar pensando no que você queria ter ou não ter, pois isso não vai levar você a lugar algum. Melhor focar nas coisas que podem ser mudadas! 
2) Mudança de linguagem. Ao invés de ficar se queixando, se lamentando e se odiando por aquilo que lhe desagrada, por que não ser gentil consigo mesma e se amar do jeito que você é? 
3) Priorizar a saúde e não o corpo. Se for fazer atividade física, seja correr, caminhar, escalar montanhas ou pedalar, que isso seja feito em prol de como você se sente fazendo esta atividade e não em sua aparência a partir dela.

Achei fantástico!! Escolhi uma profissão onde lido com o excesso de preocupação com a imagem o tempo todo. Mas, como vocês já estão carecas de saber, o que me motiva na nutrição vai muito além do aspecto estético. Detesto esta paranoia de contar calorias, acredito que devemos comer para viver e não viver para comer. Ou seja, nosso alimento deve ser uma maneira de nos dar o melhor combustível para ter uma longa vida saudável. Sinceramente, não é um pneuzinho, celulites, estrias, braços gordos ou seios murchos que irão determinar a saúde de uma pessoa.

Devemos respeitar as fases da vida. Uma mulher que está pensando em engravidar, por exemplo, deve estar mais preocupada em preparar o seu corpo para ter reservas para alimentar uma vida durante nove meses do que estar seca para que seja fácil retornar a "ser magra" após o parto. O mesmo em relação à uma mulher que está amamentando. A prioridade nesse momento é produzir leite de qualidade para nutrir a cria e para isso é bom ter reservas. A ditadura dos corpos lindos prega uma beleza onde existe uma busca pelo mínimo percentual de gordura, só que o mínimo mal dá para sustentar uma pessoa, menos ainda duas vidas, sendo que uma em formação.

"Meus seios produziram mais de 4 mil refeições para meus três filhos, tenha certeza que eles hoje são completamente diferentes e eu convivo muito bem com este fato" Taryn Brumfitt

Uma mãe que trabalha, as vezes tem pouco tempo livre e ainda chega cansada à casa. Em muitos casos é impossível que ela frequente uma academia, pois precisa dedicar as horas vagas a fazer compras de alimentos frescos e saudáveis para a família, cozinhar (ou ao menos coordenar um cardápio saudável para outra pessoa cozinhar) e principalmente estar próxima dos filhos, coisa que ela não vai conseguir fazer se pegar as poucas horas vagas que lhe sobram e se trancar em uma academia.

Enfim, cada caso é um caso. Acho que devemos respeitar o tempo de cada pessoa, assim como as suas prioridades. Super apoio esse movimento! Deixar de ser obsessiva com o próprio corpo está longe de ser um estímulo ao sobrepeso e à obesidade. É uma maneira de respeitar individualidades, modos de vida, prioridades e principalmente a auto-estima, colocando a saúde na frente da estética. Afinal, quem disse que todo mundo que tem um corpão é saudável?? Eu não tenho e estou certa de que minha saúde anda bem melhor do que a de muita neurótica por estética que tem por aí...



"Health is physical, emotional and spiritual and so much more that is not visible and not always obvious to others..." Taryn Brumfitt

Saúde é algo físico, emocional e espiritual e muito mais que não é visível e nem óbvio para outras pessoas..." Taryn Brumfitt

sexta-feira, 28 de março de 2014

O que é melhor: viajar de forma independente ou num pacote turístico?

Foto de minhas andanças solitárias por NY no ano passado. Descobri essa pracinha fofa ao lado de um Le Pain Quotidien (uma rede de padarias que amo) - sentei aí, comi umas frutinhas secas e oleaginosas que comprei na padaria, fiquei escutando o barulhinho da água e relaxando... Bom até de lembrar!

Esta semana uma amiga me procurou, super animada, dizendo que está querendo se presentear este ano com uma viagem para a Europa. Como será a sua primeira vez no velho mundo e sabendo que já andei perambulando por lá por um tempo, me pediu umas dicas... Resolvi transformá-las em um post, pois acho que podem ser úteis a outras pessoas também. Espero que gostem!

Tive poucas experiências com viagens de excursão na vida, basicamente algumas idas ao interior da Bahia durante o São João, encontros de arquitetura nos tempos da faculdade e um réveillon em Arraial d´Ajuda. Ano passado fui para o arquipélago de Galápagos em uma espécie de excursão, pois todos ficavam à bordo de um barco e havia uma programação a ser seguida. Não há outra forma de visitar as ilhas, visto que o acesso só é permitido na companhia de um guia, em horários predeterminados. A experiência não foi ruim: o grupo era legal e o guia passava informações bem interessantes. Entretanto, depois de oito dias já estava enjoada da comida (acredito que isso deva acontecer em viagens de navio também) e no limite de não ter liberdade em relação aos meus horários e destinos... Pensando nisso resolvi fazer uma listinha opinando o que considero de vantagem e desvantagem em termos de viagens independentes ou em grupos/excursões. 

Vantagens de programar uma viagem independente
  • Você é 100% dono de seu tempo. Cria seu roteiro, muda no meio da viagem, se der vontade... 
  • Não é obrigado a comprar um pacote com datas fixas e se adequar a elas. Tem a liberdade de criar o seu roteiro de acordo com o seu tempo e disponibilidade. Quem disse que de 2 a 12 de abril é bom para você?? Pode preferir de 3 a 13... E aí?
  • Como você meso terá que criar o seu roteiro, vai estudar sobre o lugar com antecedência. Isso faz com que a viagem comece antes, que você decida suas prioridades e principalmente que já chegue no lugar com sede de conhecê-lo, sabendo exatamente o que quer ver (nunca dá para ver tudo).
  • Você só vai onde quer. Em excursões, algumas vezes são feitas programações fixas, onde os lugares nem sempre são aqueles que nos identificamos ou queremos ir... 
  • Achou um lugar ruim, chato? Vai embora! Não tem ninguém lhe esperando (mesmo que esteja acompanhada, é completamente diferente de estar com um grupo de pessoas desconhecidas).
  • Liberdade. Quer coisa mais chata do que ter horários fixos em plenas férias? Pontos de encontro em horas exatas... A chance de você querer sair antes ou depois de determinado lugar, e não poder, porque tem um roteiro a seguir e pessoas lhe esperando, são grandes.
  • Liberdade - de novo! E se você não estiver com fome? Quiser almoçar uma maçã para não perder tempo e não puder porque precisa seguir a programação, onde todos param para almoçar, em um lugar onde você não tenha muita liberdade para desgrudar do grupo e encontrar depois?
  • Horários! Quem disse que o horário que o guia está disponível é o horário bom para você? E se quiser dormir até mais tarde, descansar...? Afinal de contas, está de férias! Enfim, se tiver um horário marcado para sair para determinada programação fica complicado.
  • Flexibilidade. Chegou em um lugar, não é aquilo que esperava... Para que ficar? Vai para outro, muda de hotel, aluga um carro, compra uma passagem de ônibus. Faz o que quiser, afinal, a intenção é se divertir!!
  • Conhecer pessoas. A chance de conhecer pessoas quando está sozinho ou em grupos pequenos é muito maior. Pode conhecer alguém legal no lounge do albergue (caso esteja hospedado em um) ou num café... Essa pessoa pode lhe dar uma dica maravilhosa e você poderá mudar os planos do seu roteiro completamente. Esse ano no Equador, conhecemos um casal de Brasileiros, descendo um teleférico, após a visita a uma montanha, com direito a cavalgada. Era hora do almoço, dividimos um taxi para um restaurante e fomos almoçar juntos. Como era Copa das Confederações, estava passando o jogo do Brasil e foi super divertido assistir o jogo e dar risadas com esse casal. Nada de programação turística a tarde toda: apenas um bom papo! Só um exemplo do tipo de coisa que acontece quando estamos viajando de forma independente, poderia fazer uns 10 posts enormes contando casos e casos...

Vantagens de viajar numa excursão ou comprar um pacote turístico
  • Para mim a maior vantagem desta opção é o ganho de tempo. Tem pessoas que não têm saco para programar suas viagens ou simplesmente não têm tempo. Nesses casos, comprar um pacote pronto, cuja única preocupação é escolher o destino, as datas e pagar, é super cômodo.
  • Tem gente que não gosta de estar sozinho, seja por insegurança ou por medo de ficar sozinho mesmo. Nesses casos, viajar numa excursão é uma garantia de companhia e suporte.
  • Estive em poucos lugares onde não falava o idioma (França, Alemanha e Suíça), sendo que nos dois últimos, é super fácil se comunicar usando o inglês. Assim, só na França tive um pouco de dificuldade, mas nada demais. Não cheguei a passar por nenhum aperto. Existem países, entretanto, que o idioma e a cultura são tão completamente diferentes dos nossos (no oriente, por exemplo) que em muitos casos, viajar numa excursão é até uma questão de segurança e otimização do roteiro. No dia que resolver ir a um desses lugares pensarei como vou fazer...
  • Tem gente que não gosta de ter riscos. Quando contratamos uma agência, dificilmente ficaremos acomodados em um hotel ruim, iremos a um restaurante que não agrade ou entraremos em uma barca furada, afinal, paga-se pelo know-how de outras pessoas para ter certas garantias. As chances de cair num esparro em uma viagem independente são sempre maiores...
Conclusão:

Sou um pouco suspeita para falar, pois amo fazer viagens independentes. Para mim uma das melhores partes da viagem é programá-la, sem muitos detalhes e na hora deixar as coisas acontecerem para decidir meus rumos. Normalmente só reservo hotel (ou albergue) para os dois primeiros dias, o resto vou decidindo no decorrer da viagem e acho essa flexibilidade super gostosa. 

Antes de decidir qual o tipo de viagem que vai fazer, precisa primeiro fazer uma auto-análise do seu perfil e ver com o que se identifica mais e qual o seu nível de espírito aventureiro. Outra coisa que amo são viagens solitárias (aliás, amo fazer muitas coisas sozinha) e sei que isso é um tabu entre muitas pessoas. Para mim não tem preço estar livre, leve e solta em um lugar, poder fazer o que me der na telha e não dever satisfações à ninguém. Isso para mim é sinônimo de estar de férias. Se tiver alguém para encontrar, encontro... Se não tiver, posso ocupar meu tempo como achar melhor: em restaurantes, museus, visitando lugares exóticos, conversando com desconhecidos em filas, caminhando pelas ruas, fazendo compras, fotografando... Enfim, o que me der vontade!! Super recomendo essa experiência, pelo menos uma vez na vida!!

Fotos de minhas andanças solitárias por NY no ano passado.
 Restaurante Kajitsu, NY. Passei uma hora e meia mastigando e meditando com essa comida. Hummmm, só de lembrar fico salivando. Não tinha ninguém para me dar pressa...


Foto aleatória no MoMa. Visitar e/ou revisitar museus sem pressa é tudo de bom!

Uma estação de trem no meu caminho para o Kushi Summer Conference em New Jersey. Tão bom viajar, sem ninguém para dispersar você enquanto aprecia uma bela paisagem pela janela...

Guggenheim de NY. Sou capaz de ficar uma hora deitada no centro do museu olhando para esse fantástico jogo de formas, luz e cores.

Candle 79 - restaurante vegano TOP em NYC. Comer sozinha é uma das minhas delícias solitárias favoritas, apreciar cada mordida, decifrando temperos, ingredientes e sabores, sem a dispersão de estar conversando com alguém.

Risoto vegano de abóbora com amêndoas e um toque de sálvia no restaurante Gobô em NY. Hummm, preciso tentar reproduzir essa receita...

Cara de pau, seu nome é Camila. Só consegui comer um prato no Gobô, mas tive a cara de pau de pedir para fotografar o prato da pessoa sentada na mesa ao lado... Coisas que fazemos quando estamos sozinhos... Existe coisa melhor do que ser cara de pau e saber que não vai ver mais aquelas pessoas depois?

quinta-feira, 20 de março de 2014

Reflexões sobre a soja e o glúten


Esta semana publiquei no Instagram a foto de uma estrogonofe vegano e não disse do que era. Agora vou revelar o segredo: de seitan. Traduzindo: glúten de trigo. Aposto que muita gente vai ficar de "cabelo em pé" só de escutar esse nome, devido ao modismo das dietas sem glúten. Vou ser sincera, prefiro fazer um prato usando um seitan caseiro, como substituto da carne, do que um bife de soja industrializada (tanto pelo sabor, quanto pela saúde). Como já falei por aqui, praticamente só consumo os derivados fermentados da soja, devido à grande acidez do grão, que não é reduzida significativamente em outros derivados e por isso, recomendo cautela com o ingrediente. O leite, por exemplo, não uso de jeito nenhum: substituo por leite de côco, de arroz, de aveia ou de amêndoas. Já o tofu, sempre consumi, por não ser ácido como demais derivados não fermentados, entretanto, como gosto de variar bastante os ingredientes no meu cardápio, não consumo mais do que uma peça por mês ou à cada dois meses 

Já provei alguns tipos de carne e como peixes e frutos do mar. Entretanto, a textura do seitan é algo deliciosamente especial e fica divino em algumas receitas. Por ser um pouco trabalhoso de preparar (vende pronto, mas a graça é fazer em casa), acabo consumindo o seitan raramente, diria que no máximo umas 3 ou 4 vezes ao ano - depois vou publicar a minha receita aqui, caso alguém tenha interesse em fazer... Ocorre que com tantas especulações, ainda não totalmente conclusivas, sobre os efeitos do glúten na saúde intestinal, não custa ficarmos atentos à ingestão desta proteína, observando se ela provoca alguma sensação diferente em nosso organismo. 

Há muito tempo leio bastante sobre o tema, mas ainda não tenho um posicionamento concreto sobre o glúten (como tenho sobre os laticínios, por exemplo). Já até publiquei um material interessante, baseado no livro da Denise Carreiro, que recomendo a leitura para quem fica curioso sobre o tema. Confesso que ainda não consegui identificar nenhum sintoma estranho em mim (que possa ser proveniente da ingestão do glúten) e por isso ainda não considerei a ideia de eliminá-lo de minha dieta, mas consumo com moderação. Entretanto, não posso tirar minha experiência pessoal como parâmetro, pois, em primeiro lugar, sempre consumi cereais integrais e em segundo lugar, a dieta macrobiótica é baseada no consumo dos grãos integrais, em especial o arroz, evitando os farináceos e derivados de uma forma geral. Assim, pães e massas nunca fizeram parte do meu cotidiano

Vocês já devem ter visto que sempre faço pães e publico fotos e receitas, mas ironicamente quase não os consumo, praticamente só quando sai do forno, para provar, porque o cheiro é realmente irresistível. Faço muito pão porque de todas as coisas que já consegui mudar nos hábitos alimentares do meu marido, ainda não consegui cortar o pão do desjejum dele. Sendo assim, melhor que seja um pão caseiro do que um industrializado, com um monte de aditivos e conservantes perigosos. Outra coisa que sempre foi limitada em minha vida é o consumo de massas. Lembro que na casa dos meus pais só era permitido ter massa uma refeição na semana e mesmo assim, muitas vezes era macarrão de arroz (Bifum) - o hábito acabou se perpetuando... Assim, não posso dizer que sou uma referência no assunto glúten. Não é o que acontece com a maioria das pessoas: muitas delas têm algum ingrediente contendo glúten em praticamente todas as refeições e ainda na pior forma: refinado e adicionado de sal refinado, açúcar e conservantes. Não me espanta o crescente número de pessoas intolerantes à proteína: tudo que é demais, sobra! 

Meu pensamento é o seguinte: melhor pegar leve do que ter que eliminar de vez, não é mesmo? Afinal de contas, todo mundo merece saborear uma boa comida italiana de vez em quando e tirar o glúten da dieta, realmente acarreta em privações, principalmente na vida social. Outro problema é que quando retiramos algo da dieta, este alimento precisa ser muito bem substituído e tenho percebido que diversas pessoas que decidem eliminar o glúten, substituem alimentos, que são primariamente carboidratos, por proteínas, correndo o risco de exagerar na ingestão proteica, o que não é nada aconselhável. Então, antes de partir para uma medida drástica e radical, aconselho que preste mais atenção à ingestão dos alimentos que contêm glúten, procurando não abusar, dando prioridade aos alimentos integrais sempre e tentando substituí-los por outros do mesmo grupo alimentar e com qualidade nutricional superior (arroz integral, aveia, milho, inhame, mandioca, abóbora, mandioquinha, batata doce...). Isso fará com que sua dieta fique muito mais rica em termos de variedade e qualidade nutricional e reduzirá a exposição excessiva do seu corpo ao glúten. É este exagero que, na maior parte das vezes, que leva à intolerância ou até mesmo à criação de antígenos para combater o "corpo estranho" que penetra no organismo através da dieta e que corpo não reconhece como alimento.  

sexta-feira, 14 de março de 2014

A teoria do Merthiolate e o futuro das próximas gerações

Acabei de assistir esse vídeo IMPAGÁVEL, mas infelizmente não consegui postá-lo aqui no blog, apenas esse "resuminho" do que se trata. Não deixe de assistir, clicando aqui! Abaixo o texto que deu origem ao vídeo.



"A TEORIA DO MERTHIOLATE 
Por: Murilo Gun - stand-up comedy

As crianças hoje em dia são muito hiperativas.
Na minha infância, as crianças eram mais calmas. Sabe por quê? Porque o Merthiolate ardia muito.
As crianças de vez em quando deixavam de fazer merda pensando no Merthio
late. O Merthiolate tinha uma função pedagógica.
O Merthiolate também tinha uma função psicológica. Porque aquele ardor dava a impressão de que os micróbios estavam sendo mortos. Você acreditava que de fato estava curando. Mércurio Cromo não ardia, então dava a sensação que curava menos. Quando o Merthiolate encostava na ferida, você sentia que ali tinha virado um grande campo de batalha. Você sentia o ardor da guerra. E quando o ardor passava é porque a gente tinha conseguido vencer o mal.
Além do fator pedagógico e psicológico, o Merthiolate também tinha um apelo maternal. Porque a única coisa capaz de amenizar o sofrimento do Merthiolate eram as micropartículas de saliva materna. Quando a mãe soprava na ferida, o sofrimento magicamente reduzia.
Além do fator pedagógico, psicológico e maternal, o Merthiolate também tinha uma função de geolocalização. Porque o ardor servia como sinalização se o Merhtiolate tinha sido de fato colocado no local correto. Se não ardesse, é porque não colocou direito. O Merthiolate era o GPS da ferida.
Além do fator pedagógico, psicológico, maternal e de geolocalização, o Merthiolate também teve um impacto na personalidade das pessoas. O ardor incrível do Merthiolate moldou a personalidade da geração de crianças dos anos 80. As crianças desde cedo se acostumaram a ser homem, engolir choro, aguentar dor..
Hoje em dia.... o Merthiolate não arde mais!
Por isso essa geração emo, tudo cheio de frescura, chora por qualquer coisa…"

Imagem retirada do Google Imagens

Aposto que muita gente vai se identificar com esse vídeo. Pessoas da minha idade ou mais velhas que eu, claro! Eu, como fui uma criança bem traquina, lembro das duas dores que mais temi na infância: a do Merthiolate nas feridas e a do Albicon nas aftas. Sobrevivi a elas sem traumas.

As crianças, hoje em dia, vivem superprotegidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e para completar, nem com um Merthiolate educativo podem contar mais!!! Crescem achando que a vida é cor-de-rosa e quando deparam com o mundo como ele é, surtam! Estava conversando com uma amiga ontem e ela comentou que leu, em um cartaz em um posto de saúde, que agora até serviços domésticos devem ser denunciados como exploração ao menor. 

Aí paro para lembrar de minha infância e como ela não me trouxe nenhum trauma, apesar de ter trabalhado desde muito nova. Eu e minha irmã sempre ajudamos minha mãe a fazer mercado (ela entregava uma lista para cada uma e tínhamos que verificar os preços, as quantidades, os rótulos de tudo). Em casa, tinha a obrigação de forrar a minha cama e meus pais me davam 10 centavos para forrar a cama deles. Era remunerada da mesma forma para lavar os carros, engraxar sapatos, lavar louça e ajudar em outros serviços domésticos. Eu e minha irmã disputávamos para realizar essas tarefas e nunca faltou tempo para brincar e estudar. Resultado, quando queria alguma coisa, sabia que tinha que juntar as minhas moedinhas para comprar. Com isso, sabia que o meu "querer" tinha limite: exatamente o que poderia pagar. 

Meus pais nunca me deram presentes fora de época. Eram três ao ano: Natal, Aniversário e Dia das Crianças e nunca presentavam com nada que fugisse do orçamento deles. Aliás, sempre deixaram muito claro que vivianos dentro de um orçamento e que algumas coisas eram fora de nossa realidade. Ponto final. Não tinha chororô, entendíamos completamente que querer não significava poder e ficávamos satisfeitos com o que era possível. Por outro lado, sempre frisavam o quanto investiam em nossa educação e que esse era o nosso bem mais precioso: pois ninguém poderia tirar da gente.

Me formei como datilógrafa aos 10 anos de idade e desde então passei a pegar trabalhos de encomenda para digitar. De minha tia (professora universitária), de suas colegas e de pessoas na escola. Cobrava os mesmos 10 centavos por página e ficava feliz da vida com trabalhos enormes para digitar. Talvez por isso nunca tenha brincado de joguinhos no computador, a maior parte do tempo utilizava-o para fins acadêmicos e para trabalhar e ainda tinha que dividir com a minha irmã, que formou em datilografia cinco anos antes de mim e chegou até a digitar livros de encomenda. Nesta mesma época, fazia bijuterias para vender, juntamente com uma vizinha que era a minha sócia. Fazíamos: colares, pulseiras, cintos... nossos quartos eram oficinas repletas de materiais como: miçangas, couros, balangandãs, feixes, fios de náilon, elástico. Fazíamos a contabilidade de tudo e sabíamos exatamente o que era gasto, o que era lucro. Desde cedo percebi que a matemática que aprendia na escola tinha grande utilidade na vida prática.

Nada disso me impediu de ser uma criança feliz, até porque me divertia fazendo essas coisas. Além disso, achava que a recompensa valia o esforço: ficava super orgulhosa cada vez que adquiria alguma coisa com o meu próprio dinheiro, mesmo que fosse uma presilha de cabelo. Administrava o meu tempo e conseguia fazer um pouco de tudo: brincava; estudava; ajudava em casa; fazia supermercado; datilografava trabalhos de encomenda; fazia bijuterias; saia pela rua, batendo na casa das pessoas para vender meu artesanato... Hoje, quando penso que tudo isso é proibido, fico imaginando que tipo de geração está se formando.  As histórias mais entusiasmantes de pessoas que cresceram na vida incluem algum tipo de trabalho que iniciou sempre bem cedo. Não me conformo com essa ideia de que a única obrigação de uma criança deva ser somente brincar. Se não aprendermos desde cedo que a vida é feita de diversão e também de obrigações, aprenderemos quando? Talvez nunca e isso resultará numa geração de pessoas mimadas, que acham que tudo podem, que o mundo gira em torno do umbigo delas, que não conhecem limites e desconhecem a lei mais básica da vida: da causa e consequência. O pior é que esse futuro não é uma hipótese e sim o presente.

domingo, 9 de março de 2014

Vídeo para Beijar o Padeiro: A importância da Beleza por Roger Scruton

Imagem retirada do Google Imagens

Ontem falei sobre o privilégio concedido às mulheres de serem veneradas mundo afora, sendo ícones da beleza humana. Hoje vou falar um pouco sobre a importância que tem a beleza em nossas vidas - algo que tem sido relegado na sociedade moderna, que venera a ideia de que tudo precisa necessariamente ser útil.

Talvez, por esse motivo, tenha me identificado tanto com a biografia de Steve Jobs. O homem revolucionou o mundo da tecnologia, mas ao mesmo tempo era neurótico com os mínimos detalhes relacionados à estética dos produtos que sua empresa lançava no mercado. Sou arquiteta, como sabem, e acredito piamente nisso. A presença do belo em nossas vidas é um diferencial para a felicidade e é este o sentido da arte: trazer mais beleza à vida das pessoas.

Há mais de quatro anos, tentei explicar neste texto o sentido da arte (chamando o que alguns consideram arte de uma forma de terapia) e hoje vou compartilhar um vídeo que expressa exatamente o que penso dela. A apreciação da estética do belo transborda de mim. Por esse motivo consigo perder noção do tempo em um bom museu, admirando uma bela paisagem ou me transportar para o infinito através de determinadas músicas. 

A arte faz parte de minha vida quando arrumo cuidadosamente uma cama; quando cuido para que toda a louça esteja combinando e bem organizada na mesa; quando escolho uma bela roupa-de-cama; quando molho as minhas plantas, garantindo que a vida seja preservada em casa; quando penduro quadros na parede, trazendo cor e alegria ao ambiente; quando preparo cuidadosamente um prato de comida; no cuidado que tenho ao escolher palavras para escrever; na vontade que tenho de não chocar e simplesmente viver em harmonia com o entorno; na escolha por um tom de voz suave e gentil; na delicadeza de um sorriso; na manutenção do bom humor; na atenção e carinho ao próximo; na contemplação de pequenas belezas cotidianas, como flores que brotam nos canteiros da cidade, o por do sol, o mar ou as montanhas que me cercam; na escolha das cores que visto; quando faço as minhas unhas ou capricho na maquiagem para um evento especial; na arrumação dos espaços onde circulo e habito; no zelo com a estética de uma forma geral... 

Este vídeo demonstra a essência do que pretendo quando proponho que devemos Beijar o Padeiro constantemente. Não deixe de assistir e de dar muitos Beijos no Padeiro!

P.S.: Algumas pessoas não estão conseguindo visualizar no atalho que coloquei abaixo, se esse for o seu caso, clique aqui!