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domingo, 9 de março de 2014

Vídeo para Beijar o Padeiro: A importância da Beleza por Roger Scruton

Imagem retirada do Google Imagens

Ontem falei sobre o privilégio concedido às mulheres de serem veneradas mundo afora, sendo ícones da beleza humana. Hoje vou falar um pouco sobre a importância que tem a beleza em nossas vidas - algo que tem sido relegado na sociedade moderna, que venera a ideia de que tudo precisa necessariamente ser útil.

Talvez, por esse motivo, tenha me identificado tanto com a biografia de Steve Jobs. O homem revolucionou o mundo da tecnologia, mas ao mesmo tempo era neurótico com os mínimos detalhes relacionados à estética dos produtos que sua empresa lançava no mercado. Sou arquiteta, como sabem, e acredito piamente nisso. A presença do belo em nossas vidas é um diferencial para a felicidade e é este o sentido da arte: trazer mais beleza à vida das pessoas.

Há mais de quatro anos, tentei explicar neste texto o sentido da arte (chamando o que alguns consideram arte de uma forma de terapia) e hoje vou compartilhar um vídeo que expressa exatamente o que penso dela. A apreciação da estética do belo transborda de mim. Por esse motivo consigo perder noção do tempo em um bom museu, admirando uma bela paisagem ou me transportar para o infinito através de determinadas músicas. 

A arte faz parte de minha vida quando arrumo cuidadosamente uma cama; quando cuido para que toda a louça esteja combinando e bem organizada na mesa; quando escolho uma bela roupa-de-cama; quando molho as minhas plantas, garantindo que a vida seja preservada em casa; quando penduro quadros na parede, trazendo cor e alegria ao ambiente; quando preparo cuidadosamente um prato de comida; no cuidado que tenho ao escolher palavras para escrever; na vontade que tenho de não chocar e simplesmente viver em harmonia com o entorno; na escolha por um tom de voz suave e gentil; na delicadeza de um sorriso; na manutenção do bom humor; na atenção e carinho ao próximo; na contemplação de pequenas belezas cotidianas, como flores que brotam nos canteiros da cidade, o por do sol, o mar ou as montanhas que me cercam; na escolha das cores que visto; quando faço as minhas unhas ou capricho na maquiagem para um evento especial; na arrumação dos espaços onde circulo e habito; no zelo com a estética de uma forma geral... 

Este vídeo demonstra a essência do que pretendo quando proponho que devemos Beijar o Padeiro constantemente. Não deixe de assistir e de dar muitos Beijos no Padeiro!

P.S.: Algumas pessoas não estão conseguindo visualizar no atalho que coloquei abaixo, se esse for o seu caso, clique aqui!

terça-feira, 3 de setembro de 2013

O Renascimento do Parto

Imagem do filme, retirada do Google

Hoje vou recomendar um documentário IMPERDÍVEL que está em cartaz nos cinemas. Já tinha falado sobre o tema aqui e inclusive postei o trailer em junho. Estava na expectativa do lançamento...



Hoje fui assistir e AMEI TRÊS VEZES!! Meus parabéns aos produtores, ficou MUITO BOM!!

Imagem retirada do Google Imagens

Super educativo, esclarecedor, atual, motivador. Para todas as gerações e gêneros: mães, pais, adolescentes, avós...

Tudo bem, a parte que mostram as cesarianas, mais parece um filme de terror, mas é bem por aí... Chega dessa ideia maluca de que parto natural é sofrimento, dor, primitivo... Os paradigmas na saúde (neste e em outros aspectos) necessitam de mudanças drásticas. As pessoas precisam se conscientizar de que a cesariana se trata de uma cirurgia altamente invasiva, que deve ser feita apenas em casos extremos e não de maneira aleatória e irresponsável como vem acontecendo, sobretudo aqui no Brasil, onde o índice de cesarianas supera o número de 50%, chegando até quase 90% nos hospitais particulares... Em países desenvolvidos esse número cai para cerca de 15%.

Sou defensora mor dos temas: Parto Ativo, Humanização do Parto, Parto Domiciliar, Parto Natural, Parto Vaginal, Parto Normal... São tantos nomes!!

Imagem retirada do Google Imagens

Sou apaixonada pela vida como ela é: natural, espontânea... Por isso, mesmo em meio à tantas tecnologias e vida urbana, busco sempre aproximar meu estilo de vida a algo minimamente artificial... Infelizmente, nem todo mundo hoje consegue viver sem carro, longe dos centros, sem celular, sem casas com jardins... Mas é possível manter ao menos alguns padrões semelhantes àqueles originários da espécie humana: evitando o sedentarismo, o estresse, os alimentos altamente processados e industrializados, os fármacos e intervenções cirúrgicas, em muitos casos, desnecessários.

Imagem retirada do Google Imagens

Por isso me encantei tanto com as Ilhas Galápagos, observando a vida animal de espécies livres, não domesticadas em seus habitats naturais... Lá, vi de perto a vigília de mães com seus filhotes recém nascidos. É terminantemente proibido tocar nas espécies, tamanha a importância de não alterar seus odores naturais, pois estes são fundamentais para o reconhecimento entre os animais. Vivemos em uma sociedade onde os odores são vendidos em frascos, de preferência franceses! 

Como aceitar uma mãe (humana) que é separada de seu filho após o parto? Como entender uma conduta hospitalar que oferece leite industrializado a uma criança, cuja mãe está em plena condições de amamentar, somente para que a criança possa engordar rapidamente e atingir logo o peso necessário para receber alta? Como entender uma sociedade que passa a aceitar esses e outros procedimentos como sendo naturais?

Imagem retirada do Google Imagens

No TAG Parto Humanizado, tenho mais três textos sobre este tema... Se é de seu interesse, recomendo a leitura: Gestação Saudável, Em defesa do parto humanizadoTai-Kyo: Educação Embrionária, 

Alguns mitos não respaldados cientificamente que levam inúmeras mulheres a fazerem "desnecesárias"

quarta-feira, 20 de março de 2013

Benjamin Carson: exemplo vivo do possível efeito multiplicador da educação

Outro dia eu recomendei um filme imperdível que relata a história do neurocirurgião americano Benjamin Carson no post Mais filmes para beijar o padeiro. 

Vivo falando sobre a importância da educação e dentro da área de saúde tenho muita fé no potencial de mudança que é possível através de ações na área da educação nutricional. Sou completamente apaixonada por este viés da profissão. Vai muito, muito, muito além de prescrições dietoterápicas, medidas na área de vigilância sanitária e tecnologia alimentar: áreas muito exploradas dentro da nutrição.

A história de vida deste homem é uma lição de onde é possível se chegar através da educação. É graças à prioridade que meus pais deram à educação em minha vida, que posso assistir a este vídeo, em inglês e compreendê-lo na íntegra. Infelizmente não encontrei uma versão com legendas, mas outro dia falei sobre a importância da formação em outros idiomas e vou aproveitar para reforçar esta ideia com o post de hoje.

Enfim, compartilho este vídeo cheio de ideias lúcidas e claras que demonstram não somente uma personalidade como também a importância de fugir da alienação; de responsabilizar-se pelo próprio destino (e não adotar o papel da vítima que os "bullings" da vida têm transformado no comportamento da moda); e mostrar-se ativo dentro de uma atividade profissional, não somente exercendo o rigor de um trabalho formal, como também explorando a possibilidade de atuar como cidadão para auxiliar na promoção do desenvolvimento de uma sociedade pensante, questionadora, estudiosa e batalhadora. 

Só preciso dizer uma coisa: um homem que consegue dar uma aula ao Presidente dos EUA, certamente tem muito o que ensinar para você!


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Muito além do peso

Ontem fiz uma análise crítica deste documentário, o que não significa que seja ruim. Não é mesmo!! Conteúdo muito rico e excelente ferramenta educacional para alertar pais e filhos acerca do que realmente está contido dentro das lindas embalagens de produtos industrializados...

Não é de hoje que falo sobre isso: o perigo do excesso de sal, gordura, açúcar e aditivos químicos artificiais na comida industrializada. A educação é a melhor solução para a epidemia de obesidade em nosso país. Hoje 1/3 da população brasileira está obesa e junto com o excesso de peso, muitas outras doenças vêm à reboque: pressão alta, colesterol alto, enxaqueca, diabetes, problemas renais, artrite, câncer... Isso sem falar nos problemas psicológicos decorrentes da discriminação.

O sistema de saúde simplesmente não tem como suportar isso, mais um pouquinho e veremos um colapso total acontecer. A prevenção é a melhor ferramenta e esta começa pela boca.

Recomendo que assistam o vídeo postado abaixo com a visão de que se não assumirmos o problema como nosso, ele não será resolvido. Ou seja, não adianta buscar os bodes expiatórios e querer se sair de vítima. A culpa é de cada um de nós quando decidimos comprar um produto desses no supermercado ao invés de optarmos por aquilo que vem da natureza: cereais, leguminosas, frutas, hortaliças, temperos e ingredientes que formam uma verdadeira refeição: digna de prato, garfo, faca e família reunida ao redor da mesa. Lembrando que crianças não têm autonomia financeira e nem doméstica para tomar estas decisões, ou seja, comem aquilo que seus pais compram e oferecem para elas.

Como disse a Ann Cooper, em uma das suas entrevistas que aparecem no documentário: a educação nutricional precisa ser pauta diária na vida das pessoas, pois ela faz parte de todos os dias de nossas vidas. Nada contra a matemática, a literatura, a arte e tudo mais que é ensinado nas escolas... Contudo, não existe nada que seja mais fundamental e imprescindível na vida de qualquer pessoa diariamente do que a alimentação.  A falta de informação da população sobre o tema é assustadora, isso pode ser visto claramente neste documentário. A educação nutricional é uma necessidade extrema, precisamos lutar por isso!!


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Filmes para Beijar o Padeiro

Nunca mais falei de filmes por aqui, não é mesmo??

Alguns dos meus temas de cinema favoritos são: música, educação, superação e saúde. Gosto de dramas que me fazem chorar de alegria, que me emocionem e me façam acreditar que há muita coisa boa nesse mundo e que devemos, sim, acreditar na raça humana. Filmes que me façam perceber que a vida é muito mais do que as manchetes sensacionalistas que vemos a todo tempo nos telejornais... Quando o filme é baseado em fatos reais, me toca ainda mais!! Afinal de contas, a arte, nada mais é do que a imitação da vida! 

Estes temas se misturam frequentemente. De acordo com a mistura dos temas: música, educação e superação, já falei falei de alguns títulos memoráveis por aqui, como: Adorável Professor (Mr. Holland´s Opus), Shine, Música do Coração (Music of the Heart)... Tem outro que nunca comentei no blog, mas é lindíssimo também, chama-se: O Som do Coração (August Rush). 


Recentemente encontrei um título chamado A Voz do Coração (Les Choristes) e inicialmente fiquei na dúvida se não já tinha assistido. Mas, ao olhar a capa do filme e ver que seu título original era em francês, tive certeza que era inédito para o meu HD biológico e decidi apostar nele. Tiro certeiro!! Que filme LINDO!! Para os usuários do Netflix Brasileiro, está lá. Para quem ainda não adquiriu esta tecnologia, recomendo que procure na locadora do seu bairro.

Com a temática semelhante de Adorável Professor e Música do Coração, este filme fala do poder da música na educação infantil e como ela pode trazer disciplina e amolecer os corações mais rebeldes. Tive a sorte de ter tido contato com a música desde bem pequena, talvez por isso o tema me emocione tanto. 

Comecei a estudar música aos seis anos e prossegui até os doze. Além das aulas de música no colégio, tinha aulas particulares de piano clássico semanais. Sim, abandonei completamente... Hoje sequer sei ler uma partitura e tenho aquela sensação de educação jogada no lixo. Meu consolo é que me disseram que a memória infantil é fácil de ser resgatada. Tomara, pois pretendo voltar a investir no hobby musical em breve.

Acho que não tive a sorte de encontrar em minha infância um tutor tão talentoso com crianças como os personagens dos filmes mencionados. Chegou um momento que estava de saco cheio de músicas clássicas, queria partir para o rock, mas quem me ensinava na época sequer conhecia Os Beatles! Isso, junto com a rebeldia clássica de uma "aborrescente" ariana, me fez colocar todos as partituras no maleiro do meu guarda roupa. Estão lá até hoje, na casa dos meus pais...


O segundo filme que também assisti recentemente, cujo tema central é a música, chama-se: Apenas Uma Vez (Once) e é um título irlandês. Neste, a educação sede espaço a um toque romântico, que acompanha o enredo. Não tão emocionante quanto os outros, porém um filme gostoso de assistir, com uma bela trilha sonora. Também faz parte do acervo do Netflix brasileiro. 

Falando em música+cinema, outros títulos imperdíveis são: The Wonders: O Sonho não Acabou (That Thing You Do), Quase Famosos (Almost Famous) e os clássicos: A Noviça Rebelde (The Sound of Music), e Amadeus. Isso sem falar nos musicais da Broadway (alguns transformados em filmes) que amo de paixão como: O Fantasma da Ópera, Evita, Jesus Cristo Superstar, Annie, O Rei Leão, A Bela e a Fera, Chicago, Tommy e outros tantos... 

Música é definitivamente uma grande paixão! Pode ser aquele voz e violão de botecos e restaurantes, mega shows, teatros, em casa, no carro, na TV, no cinema... Simplesmente AMO!!

Sobre o Netflix brasileiro, ainda está a anos luz de distância do americano em termos de variedade de títulos e lançamentos. Entretanto, não me incomodo em ver filmes antigos e tem uma boa variedade de títulos inéditos para mim. Acho que o custo-benefício de R$15,00 mensal, para ter MUITOS filmes ao mês é um bom investimento para quem curte um cineminha em casa. Assistindo três filmes no mês já paga o valor de três locações baratas, com a comodidade de não precisar ir até a locadora. Algumas televisões mais modernas já vêm com o programa instalado. Se não for o seu caso, pode investir num Apple TV, que custa bem menos do que uma televisão nova. Eu super aderi a esta tecnologia e estou fã, ávida para que surjam cada vez mais novos títulos!

domingo, 19 de agosto de 2012

Mais filmes para beijar o padeiro



Num mundo onde somos bombardeados com notícias ruins, nada melhor do que filmes alegres e com mensagens motivadoras. Eu amo dramas baseados em histórias reais. Hoje indicarei três filmes maravilhosos que assisti recentemente.

O primeiro chama-se Mãos Talentosas e conta a inspiradora história de Ben Carson, um neurocirurgião americano que promoveu milagres na área médica. Além do enfoque na área de saúde, o filme é uma aula para pais, já que não existe escola de pai e mãe... Mostra o poder de uma boa educação e como isso pode determinar o destino/futuro de um jovem.

Trailer do Filme Mãos Talentosas – Ben Carson

Filme na Íntegra: Mãos Talentosas

O outro filme é Adorável Professor, que descreve a história de um dedicado professor de música que com a sua paixão conseguiu tocar e influenciar a vida de gerações de alunos durante trinta anos. Paralelamente relata como um pai movido por música aprende a lidar e educar um filho que nasce surdo. EMOCIONANTE!!! O estilo do filme lembra outros dois que já indiquei por aqui: Coach Carter e Música do Coração.

Trailer do Filme Adorável Professor em Inglês

Por fim, vou indicar o filme Shine, vencedor do óscar de melhor ator em 1996, que também tem uma temática musical e é baseado na história de um jovem prodígio na arte do piano clássico e que enlouquece por conta de uma criação insana. Além da comovente história e trilha sonora, mostra justamente o oposto do filme Mãos Talentosas. Como uma educação equivocada pode influenciar para sempre o futuro promissor de alguém.

Trailer do filme Shine em Inglês: 

Será que gosto de filmes que falam de música, educação e área de saúde?? Acima de tudo, de estórias de superação e vitória e sem dúvidas as temáticas descritas me atraem bastante dentro deste contexto.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Quase Deuses



TRAILER EM INGLÊS

FILME COMPLETO EM PORTUGUÊS

Recentemente assisti a mais um filme no clima Beijo no Padeiro. Como muitos de vocês sabem, adoro o tema PAIXÃO PELO TRABALHO!!! Acredito que quando somos movidos com amor pelo que fazemos rendemos muito mais e podemos chegar a altíssimos níveis não só de satisfação pessoal, como também à realização de grandes êxitos profissionais! Já falei de outros dois filmes por aqui que descrevem situações desse tipo: http://www.beijonopadeiro.com/2011/12/filmes-para-beijar-o-padeiro.html,

O filme que vou recomendar hoje se chama “Quase Deuses”. Relata a história de um afro descendente americano, que no auge da apartheid conseguiu um grande reconhecimento profissional na medicina pelo simples fato de dedicar-se de corpo e alma ao trabalho que amava. EMOCIONANTE!!!

Além de ser uma linda e verdadeira essa história serve de grande motivação para aqueles que titubeiam na ideia de fazerem o que realmente gostam na vida. Já escrevi alguns textos por aqui que motivam mudanças e sou uma super incentivadora de que devemos focar naquilo que nos completa e nos realiza. Fazendo ou não parte deste “grupo” recomendo o filme!

Precisa de mais incentivo? Na aba “mudanças” aqui do blog tem vários textos abordando o tema de diversos aspectos.  Selecionei mais alguns aqui. Boa leitura! =)

domingo, 29 de abril de 2012

Energias à Mesa



Ontem estive com uma amiga recém-casada. Como muitas mulheres, possui uma rotina bastante atribulada. De férias, não sabe ao certo o que fazer com o seu tempo livre, enquanto aguarda seu marido chegar do trabalho. Sugeri algo que pareceria bem óbvio em tempos antigos, mas que soou como uma ideia nova nos dias modernos: “Por que você não prepara um belo jantar e aguarda ele com uma refeição gostosa e feita com muito amor?” Como se estivesse sugerindo a reinvenção da pólvora, ela adorou a ideia!

Como a maioria das jovens mulheres do meu ciclo social na Bahia, criadas com empregadas em casa, ela não possui uma relação muito íntima com a cozinha. Não julgo, pois como ela, também fui criada para estudar bastante e correr atrás de minha independência. Na verdade, só me deparei com a cozinha à cinco anos,  quando fiz intercâmbio para a Espanha. Na ocasião, queria garantir a manutenção da dieta saudável que sempre brotou na mesa de meus pais. Não tinha quem cozinhasse para mim, havia tempo livre e assim resolvi encarar o desafio. Assim, descobri um talento e um novo hobby.

Cozinhar, para muita gente, ainda soa como uma ideia exótica. Com a disseminação dos restaurantes gourmets e cursos de gastronomia, entretanto, deixou de ser uma tarefa pouco valorizada e passou a ter certo glamour. Ainda bem! Uma bela culinária é uma arte e principalmente uma terapia. Tenho um texto aqui que incentiva bastante esta expressão da alma, chama-se Culinária Zen http://www.beijonopadeiro.com/2012/01/culinaria-zen.html

E de onde vem a energia que virou título do texto? Então, estava explicando à minha amiga ontem que quando cozinhamos, além do valor nutricional da refeição, carregamo-la com nossas emoções e energias. Um casal que compartilha refeições, preferencialmente preparadas por alguém conhecido, que sabem que cozinham com amor, tende a sintonizar com uma excelente carga energética. Já o contrário também pode acontecer: quando o casal faz todas as suas refeições separadas (realidade mais do que comum hoje em dia) tende a se carregar de energias cada vez mais distintas.

Não vim aqui dizer para ninguém largar o seu trabalho para virar “Amélia”. O que venho sugerir é que se capriche mais nas oportunidades de cozinhar. Pode ser no café da manhã, optando em preparar um suco ao invés de ser guiado pela praticidade e utilizar sucos de caixinha. Aí, pode-se fazer um cuscuz, um inhame, uma batata da terra e outros. O ato de selecioná-los na feira, lavá-los e cozinhá-los prestando atenção no tempo que levam para ficarem prontos já possibilita esse compartilhamento energético. O mesmo à noite, algum dos dois pode arriscar fazer uma sopa, uma massa ou qualquer prato que lhes apeteçam. Quem sabe até tornar uma tarefa divertida a dois? No final de semana, mais ainda. Que tal evitar tantos restaurantes e arriscar umas aventuras gastronômicas em casa? No início vai parecer uma tarefa complicadíssima, mas logo se cria intimidade com a cozinha e ela passa a ser um laboratório para expressar a criatividade. O melhor são os resultados: possibilidade de mais qualidade nutricional e união energética para o casal.

Precisa de mais incentivo? Recomendo os filmes: Como água para chocolate; Simplesmente irresistível e Julie & Julia. Alimentamos a alma com aquilo que vemos e conversamos, então, sugiro o cinema a dois sempre que possível também!

E aí? Já bolou o cardápio de hoje? Mãos à obra e bom apetite! =)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Filmes para Beijar o Padeiro



Recentemente assisti a três filmes que contam histórias verídicas de superação pela crença na educação. Recomendo e quem já tiver visto, são filmes que merecem ser revistos.

Um se chama Coach Carter que conta a história de um treinador de basquete que trata o jogo com muito respeito, educando seus alunos com disciplina e principalmente condicionando a pratica do esporte aos estudos, visto que é muito comum as pessoas investirem nos esportes e desdenharem dos estudos. Samuel Jackson faz o papel espetacular do treinador de basquete Ken Carter. 




O outro se chama Música do Coração e conta a história de uma professora de violino que acredita na força da música. Traz disciplina a alunos de um colégio público, que se refletirá em outras disciplinas e no resto da vida deles. Além disso, educa através da arte, se mostrando uma mulher guerreira e vencedora. Para completar o filme conta com a brilhante atuação de Maryl Streep, como personagem principal.





Para fechar as indicações: Patch Adams: O Amor é Contagioso. Conta a história de um homem que acredita no exercício humano da medicina. Com seu jeito sério e ao mesmo tempo irreverente, ele revoluciona o ambiente acadêmico e hospitalar, mostrando que é possível ser profissional e amável ao mesmo tempo. Afinal de contas, pacientes antes de qualquer coisa, são seres humanos. No papel principal, ninguém menos que Robin Williams.



Em meio a um mundo de mazelas, tragédias e alienação, é lindo ver que existem pessoas trabalhando em prol do bem alheio. Pessoas que se doam para educar, que acreditam num futuro melhor. O mundo precisa de muitos exemplos como esses para fazer as pessoas acreditarem em seus sonhos e correrem atrás deles. Que histórias como essas sirvam de inspiração sempre!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Documentários


Tenho visto (e revisto) muitos documentários nos últimos tempos, uns melhores que os outros, porém todos com conteúdos aproveitáveis. Os temas são diversos, mas sempre se interligam em algum ponto. Segue pequena descrição de alguns:



A Carne é Fraca – Documentário Brasileiro com participação de médicos e especialistas no assunto mostrando os danos ao meio ambiente provenientes do consumo da carne, assim como a forma como os animais são tratados nas fazendas, formas de abate, etc. Muito bom, a única coisa que discordo é do drama sobre o tema de seres humanos comerem animais. Concordo que é uma covardia a forma como é feita, criação em massa, abate em massa... Discordo dessa super piedade com os bichos, como se fosse um pecado o humano comer um bicho. A cadeia alimentar existe desde que o mundo é mundo e nada mais natural do que os maiores comerem os menores: por isso discordo que se coma carne bovina, por exemplo. Um animal daquela proporção é nitidamente muito pesado para ser absorvido pelo ser humano. O problema é encontrar hoje em dia um peixe que não seja de cativeiro e pescado de forma artesanal ou um frango que tenha realmente completado seu ciclo inteiro de vida, vivido livremente, ciscado... Com o foco no consumo, os animais são criados para crescerem rapidamente e mortos no mínimo tempo possível, sem falar na não-qualidade de vida que levam.


Human Planet BBC – Esta é uma série de documentários mostrando a interação do homem com a natureza em diversos ambientes. O vídeo das pradarias, por exemplo, mostra homens que até hoje caçam na áfrica da forma mais primitiva possível. Para tanto, levam cerca de duas semanas para conseguir capturar um único animal que depois será repartido entre muitas pessoas. O que há de errado nisso?? Essa é a forma mais digna de um homem que deseja comer um animal, correndo risco de vida, enfrentando-o... Não essa forma covarde como é feita hoje, permitindo que qualquer preguiçoso, desses que passam o final de semana tomando cerveja com o controle remoto na mão, possa se empapuçar de bifes, hambúrgueres e carnes das piores espécies. Essa série além de mostrar belíssimas paisagens, revela costumes e tradições das espécies mais variadas. Vale a pena!


King Corn – Dois rapazes americanos resolvem rastrear a origem dos alimentos e descobrem que quase tudo que comem é subproduto do milho. O filme é bom, entretanto, parece mais uma brincadeira dos autores do que um documentário sério e eles prosseguem comendo todas as porcarias ao longo do filme, mesmo após descobrirem o quão nocivas são. Para mim essa é a pior parte, pois, como dizem a ignorância é uma dádiva, mas ter consciência de certas coisas e manter antigos hábitos soa no mínimo como burrice.


Food Inc. (Alimentos S.A.) – a parte principal do conteúdo de King Corn é abordada nesse filme. Possui cunho mais sério e científico. Tem o relato de uma mulher, entretanto, que perdeu o filho por contaminação de salmonela em um hambúrguer e a mesma aparece tomando refrigerante no filme, se nega a relatar seus hábitos alimentares e seu físico (gordo) demonstra claramente que apesar dela lutar pela causa do filho ela não absorveu a essência da lição. Talvez tenha deixado de comer SOMENTE hambúrgueres, mas todo o resto de porcarias certamente ainda fazem parte de sua dieta. Será que nem com a dor as pessoas aprendem?? O que será isso preguiça de ter trabalho e cuidar da própria saúde e alimentação, recorrendo ao mais prático e barato?? Ou será burrice mesmo de simplesmente separar os fatos, acreditar que foi uma casualidade e a vida continua... Essa é apenas uma observação, o filme é excelente com uma mensagem fortíssima, trazendo boas reflexões, principalmente no fim.


O Veneno está na Mesa – Documentário brasileiro que relata dados estatísticos acerca da quantidade de agrotóxicos presentes nos alimentos. Aos poucos a disponibilidade de orgânicos tem crescido no mercado, mesmo assim ainda insuficiente em termos de variedade e principalmente preço. Fazer uma alimentação saudável e diferenciada nesse país ainda é um luxo para poucos. Os EUA, apesar da fama de país do fast food, proporcionam muito mais opções para quem busca melhorar seus hábitos alimentares. Mesmo assim, é bom que se divulgue esse tipo de informação, pois é a pressão do consumidor (crescimento da demanda) que faz aumentar a oferta nos mercados. Meu único receio são as campanhas de marketing, os produtores descobriram que produtos orgânicos possuem grande valor agregado e sempre tem aquele “espertinho” que quer se dar bem, principalmente no país da malandragem. Às vezes desconfio da procedência dos orgânicos que encontro por aí, especialmente pela fama do brasileiro de querer se dar bem sempre. Resumo, precisamos ter trabalho sim, buscar quem são os fornecedores e não acreditar em qualquer informação que nos é passada, afinal, quem tem boca diz o que quer e isso vale para tudo.


Lixo Extraordinário – Este documentário descreve o trabalho do fotógrafo brasileiro Vik Muniz retratando a realidade do aterro sanitário Jardim Gramacho na periferia do Rio de Janeiro. A idéia dele é genial e certamente seu trabalho no local serviu como um divisor de águas para os catadores de recicláveis. O mais impressionante é ver a dignidade com que as pessoas encaram seu trabalho e a consciência sobre meio ambiente e reciclagem muito maior do que muita gente que se diz letrada por aí. Difícil descartar um plástico ou papel em lixo comum após assistir este filme!



Ilha das Flores – Esse documentário é um pouco mais antigo e fala sobre a realidade de outro aterro sanitário e a relação do homem com o lixo que produz. O mais triste é ver que muita coisa não mudou desde quando foi feito, há mais de vinte anos atrás.


Obsolescência Programada - Comprar, Tirar, Comprar – Esse documentário fala sobre a curta vida útil dos equipamentos eletrônicos, como são feitos para quebrar. Relata também um pouco da história do homem e economia, onde, desde a Revolução Industrial percebeu-se a necessidade de fomentar o consumo para fazer a economia girar. Com isso, os produtos foram tornando-se cada vez mais descartáveis com uma equipe de engenharia destinada a diminuir a qualidade e vida útil de produtos como meias de nylon (inicialmente feitas para durar uma vida) e lâmpadas. Excelente a reflexão acerca da mania de consumir e de como as campanhas de marketing fazem com que a população queira sempre substituir algo que ainda funciona por outro item novo, pelo design, mudança de tecnologia e como isso é uma bola de neve sem fim. Mais uma vez o tema do lixo é abordado, afinal de contas, para onde vai tanta coisa velha? O filme mostra lixões na Africa, onde equipamentos são enviados como se fossem “de segunda mão” e não passam de lixo dos países desenvolvidos. Como sempre: o bônus fica pros países desenvolvidos e o ônus de presente para os países subdesenvolvidos.


A História das Coisas - Essa pequena animação trás dados, números e reflexão sobre industrialização, consumismo, meio ambiente, globalização, hábitos, lixo, custos indiretos da devastação da natureza. Ela aborda de forma simples e lógica muitos dos temas dos documentários descritos acima, tem apenas 20 minutos e está disponível no youtube legendada. Vale à pena!


Tem mais um na fila que ainda preciso agendar para assistir, chama-se Planeat. Vi o trailer e me pareceu muito bom. A licença é vendida no site www.planeat.tv por $6,00 e eles dão uma semana para assistir.

Tantos documentários, quase uma lavagem cerebral...! É impossível conviver com um mundo em crise, meio ambiente cada dia mais degradado, saúde de mal a pior e não querer se informar para tentar mudar nossa realidade, influenciar outras pessoas e tentar resgatar ou salvar pelo menos uma parcela do planeta para as próximas gerações. São tantos hábitos cotidianos que fazem grande diferença quando somados. Podemos mudar hábitos alimentares, boicotando os fabricantes de fast food e ganhando mais saúde, reciclar, produzir menos lixo e principalmente se conscientizar da necessidade de nos reinventarmos SEMPRE!

terça-feira, 3 de maio de 2011

O Escafandro e a Borboleta



Nunca mais falei sobre Beijar o Padeiro... Hoje assisti a um filme que me inspirou! O Escafandro e a Borboleta é uma história verídica sobre um homem que sofre um AVC e perde todos os seus movimentos. Sobra-lhe, entretanto, a audição, o funcionamento perfeito da mente e UM OLHO que pisca.

No início parece super desanimado com a vida nestas condições, mas com o apoio de uma equipe médica extremamente cuidadosa e da família sempre presente ele encontra razão para viver e resolve ditar um livro através do piscar de seu único olho. Desta forma ele vai ditando o que se passa em sua psique, relatando a sua experiência, letra por letra. Sua auxiliar vai ditando o alfabeto e ele pisca cada vez que ela diz a palavra desejada.



É assim que ele se comunica com o mundo e encontra uma forma de manter o seu cérebro e comunicação ativos. É uma lição de fé e perseverança! Este homem beija o padeiro, consegue descrever a vida de uma forma alegre, com raras lamentações (queixa-se da monotonia dos domingos), mostrando-se grato à vista para o mar que tem da varanda do hospital, às visitas que recebe, ao jogo que assiste na TV e às mínimas coisas que sua limitada vida lhe proporciona.

Ao fim, consegue publicar o livro que recebeu excelentes críticas e que certamente entrou em minha lista de pretensões literárias. Morre dez dias após a publicação do livro o que demonstra que realmente guardou todas as suas forças para a realização deste objetivo. É um grande exemplo do que é saber fazer de um limão uma grande limonada!



Algumas vezes iniciei livros e não tive paciência, sempre aleguei que a velocidade de minha escrita não acompanhava a velocidade da minha mente... Fico imaginando a velocidade da mente deste homem, cuja única função vital que tinha controle era o seu pensamento. Que paciência ditar letra por letra de um livro inteiro!

Que trabalho louvável desta acompanhante e que lição de vida! São estes exemplos que merecem reflexão sobre o quanto somos privilegiados nesta vida e o quanto temos que ser gratos a tudo que ela nos oferece para lutarmos por nossos objetivos sempre!

sábado, 9 de abril de 2011

Tempo de Despertar



Esta semana assisti ao filme Tempo de Despertar que trouxe a reflexão sobre a postura do profissional de saúde em relação ao seu paciente. Já no texto de Valdemar Augusto Angerami – Camon chamado: Breve Reflexão Sobre a Postura Profissional da Saúde Diante da Doença e do Doente li sobre diferentes nomenclaturas adotadas para identificar estas posturas. Vou falar um pouco delas, utilizando o filme como referência.

O filme supracitado permite que sejam identificadas algumas características acerca da postura do atendimento adotado pelos profissionais da área médica nele atuantes. O seu personagem principal trata-se do Dr. Malcolm Sayer que chega ao hospital psiquiátrico com vasta experiência como pesquisador e novato na área de atendimento humano. Logo de início, tem a sua capacidade colocada em cheque pela inexperiência clínica e realmente demonstra-se um pouco “desajeitado” em seus primeiros dias de trabalho. O fato de não seguir um padrão de atendimento lhe permite ter, entretanto, uma postura diferenciada e cheia de personalidade.

Na área de saúde, criou-se um estigma da impessoalidade para com o paciente que levada ao extremo é denominada calosidade profissional (frieza absoluta, foco total no sintoma) e de forma mais amena considerada como um distanciamento crítico (mesmo assim não permite criar vínculo com o paciente e o deixa com a sensação de “órfão” em seu tratamento). Existem ainda duas outras posturas que denotam maior aproximação entre o profissional e o paciente, são elas: empatia genuína (simbiose levada ao extremo) e o profissionalismo afetivo (constitui um envolvimento menor, porém suficiente para que o paciente não se sinta desdenhado).

Observando-se o comportamento do Dr. Sayer, percebe-se uma postura que foge aos padrões que estamos acostumados a ver em hospitais e outros centros de saúde. O seu perfil de pesquisador o faz logo de início buscar o entendimento profundo do quadro dos pacientes que vêm a tratar (portadores de uma síndrome que os deixa catatônicos). Antes dele, estes doentes eram manipulados como plantas num jardim, onde ficavam estáticos recebendo suas “rações” diárias essenciais à mera sobrevivência. A postura adotada pelos precursores do Dr. Sayer demonstra um claro exemplo de calosidade profissional onde havia sido perdida a noção total de que o que se tratava como plantas eram na verdade seres humanos.

A psicologia talvez explique a atitude fria (exemplificada acima) comum a diversos profissionais da área de saúde como um mecanismo de defesa para que os mesmos não se deixem tocar, e conseqüentemente sofrer, com o dia-a-dia de seus pacientes. Ocorre, entretanto, que são profissionais que decidiram deliberadamente lidar com a saúde humana que é como conceito, constituída de corpo e alma, repletos de sentimentos (físicos e psicológicos). Por este motivo, é incompreensível (para não dizer inaceitável) a vertente que vem sido tomada em relação à frieza de determinados profissionais para com os seus pacientes.

Retornando ao filme, podemos notar a trajetória evolutiva do Dr. Sayer em relação à sua mudança de atitude em relação aos pacientes, assim como na forma como isso acabou contaminando toda a sua equipe. No início, o novo médico trazia consigo características do distanciamento crítico, que o possibilitava perceber reações em seus pacientes, algumas referentes a reflexos motores e outras a emoções. Este distanciamento o permitia elaborar estratégias de observação que o levava a descobrimentos de novas reações como quando pintou o chão, jogou bolas ou colocou músicas que estimulava os convalescentes. Sua equipe, por conseguinte passou a adotar um tratamento mais criterioso, abandonando a calosidade profissional e adotando também o distanciamento crítico chegando até ao profissionalismo afetivo. Agora prestavam maior atenção a detalhes acerca da vida inerente àqueles humanos ora tratados como plantas e cuidavam deles com carinho.

O tratamento do Dr. Sayer evoluiu para uma relação mais simbiótica quando conheceu um paciente chamado Leonard que estava com sua mãe sempre por perto, senhora esta que pôde lhe fornecer informações mais detalhadas acerca da evolução da doença de seu filho. A sua alma de pesquisador e comprometimento com a causa que já havia abraçado o fez aproveitar esta oportunidade e o mesmo mergulhou de cabeça em um estudo minucioso do caso do paciente Leonard, acreditando ser o caminho para curar a misteriosa doença. Não contava, entretanto, em ser envolvido pela relação pessoal com o paciente, numa atitude de empatia genuína. Aos poucos passa a praticamente residir no hospital, sem vida própria, em vigília constante até o ponto de mostrar-se desesperado quando começou a ver falhas no tratamento até então impressionantemente bem sucedido. Até que ponto estaria o médico envolvido com a cura e sua pesquisa científica ou com o paciente em si?

A atitude mencionada acima já foi muito comum nos tempos dos médicos de família que acompanhavam seus pacientes em casa, participando de suas rotinas domésticas a ponto de se tornarem como membros da família, tornando dificílima a separação entre a relação profissional e afetiva. O meio termo entre este tipo de postura e a frieza explicitada anteriormente é justamente o Profissionalismo Afetivo, postura que pode ser percebida no tratamento do Dr. Malcom para com os demais pacientes, portadores da mesma doença que Leonard. Nestes casos, o mesmo manteve uma relação humana, afetuosa e próxima sem desestabilizar-se emocionalmente, o que inclusive lhe permitiu maior lucidez do que nos momentos em que se viu tomado pela relação quase que passional que estabeleceu com Leonard.

As distintas atitudes do mesmo médico ao longo do filme é um claro sinal de um tratamento humano, onde não é possível mecanizar sentimentos e atitudes. Certamente o mesmo não planejou a relação que criou com o paciente Leonard que ocorreu de forma espontânea. É perigoso julgar sua atitude como certa ou errada, pois estamos falando de seres humanos, repletos de sentimentos (tanto os profissionais quanto os pacientes) que estarão sempre correndo o risco de se envolverem emocionalmente. O mais importante desta análise é chamar atenção de que o tratamento na área de saúde estará sempre envolto de sentimentos e que a abordagem afetiva (ou não), por parte dos profissionais, sempre afetarão nos resultados.

Há ainda outro tópico importante a ser abordado em relação ao filme referente à qualidade de vida dos personagens. Voltando a falar do Dr. Sayer, nota-se um comportamento nele de total envolvimento com o trabalho e desligamento com a vida pessoal e principalmente afetiva. Uma das enfermeiras de sua equipe demonstra desde o início um carinho especial e uma vontade de aproximar-se dele. Entretanto, o mesmo está tão envolto com suas atividades profissionais que nem percebe. Ao fim do filme, desperta para esta nova possibilidade de entretenimento abrindo espaço para uma aproximação pessoal maior com a dita enfermeira. Como julgar a qualidade de vida deste profissional? Trata-se de um conceito subjetivo, logo, o que pode parecer essencial na vida de uns para outros é de tão pouca importância que pode ser até esquecido quando existem “coisas mais interessantes” em mente. Como julgar o que é mais interessante? Para uns pode ser uma partida de futebol, para outros namorar, ler, praticar um esporte, viajar ou até comer.

Em um contexto geral, temos a impressão de que a qualidade de vida alcançada ao final do filme foi melhor do que a existente no início. Ao fim da estória os pacientes retornaram ao mesmo estado catatônico do início, todavia agora passaram a receber um tratamento mais humano, sendo mais bem cuidados pela equipe médica. Esta por sua vez, teve a oportunidade de conhecer o outro lado daquelas pseudo-estátuas e a partir daí a rotina tediosa de cuidar de plantas-humanas passou a ter curiosidades, lembranças e buscas de novos sinais, logo, a equipe de médicos e enfermeiros do hospital passou a trabalhar com mais motivação e alegria. O Dr. Sayer, após experimentar uma fase de total absorção com o trabalho se permite extravasar um pouco e vivenciar algo novo, baseado na relação humana que ele ironicamente acreditava não ter nenhum potencial para.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ligando Pontos



Recebi uma mensagem com o discurso de Steve Jobs para uma turma de formandos e achei altamente inspiradora. É muito comum olhar o sucesso dos outros e invejar sem questionar o caminho percorrido até ele. Neste relato Steve Jobs contou como seguiu sua paixão de forma obstinada e chegou até onde todos nós sabemos. Tropeçou no meio do caminho e mesmo assim continuou seguindo seu coração.

Ontem assisti a um filme também inspirador. Há muito tempo que volta e meia alguém me pergunta se já vi Julie & Julia e esse filme ficou em minha lista de espera por um bom tempo, até que ontem resolvi locar. De fato, qualquer semelhança é mera coincidência, a história consta de uma garota apaixonada por cozinha, que mantém um blog e ainda tem um santo marido que tem uma paciência de Jó com todos os seus devaneios e inquietações.

No fim, duas atividades aparentemente desconexas, culinária e escrever, se ligam em uma combinação de sucesso na vida de ambas protagonistas. O principal é que nada disso foi planejado e sim realizado com afinco a partir do seguimento de uma motivação maior, chamada PAIXÃO! O melhor de tudo é que o filme é baseado em fatos reais o que torna tudo mais palpável e emocionante.

Fazendo a projeção para a minha própria vida, tenho lido cada vez mais sobre como a vida se encarrega de fazer sentido quando seguimos nossa intuição. Até escrevi um texto sobre isso recentemente aqui no blog. O mais interessante é que durante a trajetória não conseguimos ligar os pontos, porém, estes aparentemente desconexos, mas adiante se mostram totalmente interligados e o que antes parecia um emaranhado de idéias e atitudes, acaba revelando um caminho cristalino.

É muito inquietante viver, sabendo que a única certeza que temos é a morte. Isso faz com que queiramos desfrutar de cada dia como se fosse o último. Aí entra a idéia de beijar o padeiro, da busca de viver feliz e intensamente, pois realmente não vale a pena perder tempo com brigas, desavenças, aborrecimentos... Muito menos ainda, dedicar nossa vida a um trabalho, atividade que normalmente ocupa mais da metade do tempo em que estamos acordados, que não nos traga algum tipo de realização pessoal. Quando trabalhamos, estamos contribuindo para o mundo, para os outros, mas acima de tudo, estamos fazendo isso para nós mesmos, acho que nesse caso o altruísmo é resultado do egoísmo.

A escolha de profissões e carreiras é algo aparentemente simples para uns, mas extremamente complexo para muitos. Admiramos grandes pessoas, idéias, invenções e analisando a trajetória dessas singularidades vejo como idéias ingênuas e loucas levam ao brilhantismo. O mais interessante é a tendência que temos de boicotar nossa própria imaginação e valorizar as idéias alheias, desacreditando em nós mesmos. A diferença das pessoas de sucesso são que elas acreditaram em seus sonhos e escutaram a voz do amor dentro delas (aquela que incentiva) mais do que a voz do medo (aquela que coloca para baixo). É muito difícil e a superação só ocorre quando regada com muita paixão.

Somente a paixão faz com que a gente queira dedicar nossas horas livres, finais de semana, madrugadas, estar com os amigos ou família, etc. a determinada atividade. Admiração é bem diferente, as vezes admiramos alguém e sonhamos em ser como elas. Em muitos casos, essa admiração serve de modelo e é positiva, em outros casos nos forçamos a seguir os passos já traçados por outrem e esquecemos que temos pernas próprias. Saber distinguir qual é o caso e dar ouvido ao coração pode ser complexo quando estamos cercados de pessoas cheias de expectativas acerca de nosso sucesso. Realização, entretanto, é algo de cunho absolutamente pessoal, não pode ser transferido, nem vivido por outrem, então a busca pela realização deve ser uma trajetória egocêntrica.

Às vezes a confusão entre vontade própria e viver de acordo com as expectativas ao nosso entorno é tamanha quando vivemos em uma sociedade cheia de padrões que fica complicado saber qual o nosso chamado. Para tal, tenho como sugestão olhar para si, perceber aquilo que é capaz de realizar com o mínimo esforço, sim, aquela coisa que parece tão banal para você, pode ser um grande diferencial em relação à outras pessoas. Em muitos casos, não será apenas um talento e sim vários que poderão se unir em uma única tarefa. Uma boa forma é pensar em nossa infância, nos tempos em que nossos atos eram mais genuínos, como agíamos? Para doar atitudes carregadas de amor ao mundo precisamos ser honestos com nós mesmos. Só assim seremos genuinamente felizes!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Onde vamos parar?


Hoje vou transcrever e traduzir a letra de uma música, trilha sonora de um filme baseado em uma história real. Li o livro e assisti ao filme e a história cutuca a gente, nossos valores, ambições, necessidades, relações...


Recomendo: Into the Wild ou Na Natueza Selvagem. Trata-se da história de um jovem de 23 de anos, vindo de família rica americana que após terminar a faculdade resolve abandonar tudo e viver pelo mundo, sobrevivendo com o mínimo necessário, embarcando em uma aventura onde retorna à condição humana mais básica.


Society – Eddie Veder


Oh it's a mystery to me.
We have a greed, with which we have agreed...
and you think you have to want more than you need...
until you have it all, you won't be free.


Society, you're a crazy breed.
I hope you're not lonely, without me.

When you want more than you have, you think you need...
and when you think more then you want, your thoughts begin to bleed.
I think I need to find a bigger place...
cause when you have more than you think, you need more space.


Society, you're a crazy breed.
I hope you're not lonely, without me.
Society, crazy indeed...
I hope you're not lonely, without me.


There's those thinkin' more or less, less is more,
but if less is more, how you keepin' score?
It means for every point you make, your level drops.
Kinda like you're startin' from the top...
and you can't do that.


Society, you're a crazy breed.
I hope you're not lonely, without me.
Society, crazy indeed...
I hope you're not lonely, without me
Society, have mercy on me.
I hope you're not angry, if I disagree.
Society, crazy indeed.
I hope you're not lonely...
without me.



Sociedade - Eddie Veder


Oh é um mistério para mim
Nós temos uma ganância na qual temos concordado
E você pensa que você tem que querer mais do que o que precisa...
Até ter tudo, não estará livre.

Sociedade, você é uma cria louca
Eu espero que não se sinta só sem mim.

Quando você quer mais do que o que pode ter, você acha que precisa...
E quando você pensa mais do que deseja, seus pensamentos começam a sangrar
Eu acho que tenho que arrumar um lugar maior...
Porque quando você tem mais do que o que pensa, você precisa de mais espaço.

Sociedade, você é uma cria louca
Eu espero que não esteja solitário sem mim
Sociedade, de fato louca
Eu espero que não esteja solitária sem mim


Há aqueles que pensam mais ou menos, menos é mais
Mas se menos for mais, como pode saber os resultados?
Significa que para cara ponto que você marca, seu nível é rebaixado
Como se iniciasse pelo topo...
E você não pode fazer isso.

Sociedade, você é uma cria louca
Eu espero que não esteja solitária sem mim
Sociedade de fato louca..
Eu espero que não esteja solitária sem mim
Sociedade tenha piedade de mim
Eu espero que não fique zangado se eu descordar
Sociedade de fato louca.
Eu espero que não esteja solitária sem mim.





terça-feira, 21 de julho de 2009

Pseudo Comédia


Há poucos dias, assisti ao filme Mulher Invisível, produção nacional em cartaz nos cinemas. Achei o filme de uma genialidade e de uma profundidade incrível e para mim isso era tão gritante que achei que todo mundo que assistisse ao filme teria a mesma percepção.

Conversando com algumas pessoas, percebi que a comédia aparente do filme mascara tanto a mensagem subliminar que algumas pessoas o rotulam até como sendo um besteirol. Quero acreditar que a densa mensagem que absorvi dele tenha sido proposital e não criação de minha cabeça, como alguns amigos sugeriram.

Feliz do homem que conseguir entrar em contato com a sua Amanda, na psicologia analítica, chamaria de anima (alma em latim), ou seja, seu lado feminino inconsciente. No filme, Selton Mello não apenas chegou a tamanho grau de individuação, como o vivenciou em todas as suas etapas... A desilusão amorosa vivida no início do filme fez com que ele entrasse num profundo grau depressivo, que o levou à introspecção e conseqüentemente ao contato com seu inconsciente.


Logo em seguida, o seu inconsciente tomou uma forma consciente tão palpável que tinha nome, corpo, beijava e fazia amor. Amanda, mulher perfeita, idealização do protagonista, foi essencial para que ele percebesse que a mulher perfeita era criação da imaginação dele, ou seja, que teria que abrir mão da perfeição caso quisesse viver algo real.

Sair da imersão no si mesmo para alcançar e aceitar o externo foi doloroso, afinal, estava de fato apaixonado por Amanda, que nada mais era do que ele mesmo e isto fica bem claro em um diálogo entre os dois em uma cena do filme em que estão na banheira. A consciência desta paixão levou à autoconfiança e só então ele foi capaz de ver a verdadeira mulher invisível, sua vizinha, que esteve ao seu lado por seis anos e ele, tão mergulhado em si mesmo, era incapaz de perceber.

Genial a abordagem aparentemente tola de um tema tão denso quanto à integração de ego e anima, ou seja, do inconsciente e consciente, da idealização com a realização... Não quero subestimar a inteligência de Cláudio Torres, filho de ninguém menos que Fernanda Montenegro e Fernando Torres, em dizer que seu enredo é meramente “engraçadinho” – nota 10!

Ah, isso sem comentar a atuação de Selton Mello, impagável e também a trilha sonora de abertura e encerramento do filme com o vozeirão de alguém que cantava com a alma: Janis Joplin. Lindo, cômico e emocionante.