quarta-feira, 4 de julho de 2012

Dietoterapia no tratamento de Gastrite e H.Pylori

Imagens endoscópicas de caso clínico durante a infecção por H. Pylori em 2007 e em 2012: dois anos após realizadas algumas mudanças de hábitos alimentares como: exclusão de açúcares; produtos refinados; carne vermelha; leite; laticínios; e inclusão de produtos integrais, vegetais e hortaliças à dieta. A mudança de hábitos livrou o paciente permanentemente da dependência do fármaco Omeprazol que utilizou durante 12 anos e de queixas geradas por um quadro de gastrite crônica, como: azia, refluxo e queimações. 
Comparação das imagens endoscópicas nos anos de 2007/2012. 2007 (A): Hernia hiatal por deslizamento; 2012 (A): Diminuição no diâmetro da hérnia hiatal por deslizamento; 2007 (B): Hiperemia e processo inflamatório agudo; 2012 (B): Regeneração da mucosa; 2007 (C): Hiperemia e hérnia duodenal; 2012 (C): Regeneração da mucosa e redução do diâmetro do esfíncter pilórico; 2007 (D): Mucosa edemaciada com ausência de pregas; 2012 (D): Mucosa regenerada com presença de pregas.


O agente infeccioso Helicobacter pylori (HP), atinge praticamente metade da população mundial. Sua prevalência varia com a faixa etária, nível socioeconômico e etnia e sua frequência aumenta com a idade, sendo maior em países em desenvolvimento. O primeiro estudo associando a gastrite à bactéria ocorreu em 1982, pelos pesquisadores Marshall e Warren. A HP ocasiona lesões no epitélio e reduz o pH gástrico. Isso favorece o surgimento de alterações fisiopatológicas relacionadas a diversas enfermidades gastrointestinais. Um dos principais agravos observados é a destruição da mucosa, que, com o tempo, pode formar úlceras duodenais, úlceras gástricas e câncer gástrico
As causas exatas da infecção pela HP não são precisas. Entretanto, sabe-se que alguns fatores como o consumo excessivo de álcool, excesso de carnes, leite e produtos refinados na dieta podem contribuir para o agravo de quadros de gastrite, deixando a mucosa mais sensível à colonização da bactéria.
Embora metade da população mundial seja infectada com a bactéria, 80% desses indivíduos permanecem sem nenhuma evidência clínica da doença e menos de 3% desenvolvem neoplasias relatadas pela sua presença. Este fato demonstra que se trata de um micro-organismo, geralmente não patogênico, presente na microbiota humana, desde que não encontre meios que propiciem a sua penetração na mucosa gástrica.
A HP atualmente é reconhecida como um cofator importante na etiologia do câncer gástrico associado a fatores genéticos, ambientais, fumo e má alimentação. O micro-organismo apresenta papel significativo na patogênese de um largo espectro de afecções em crianças e em adultos, como gastrite crônica, úlceras pépticas gástrica e duodenal, adenocarcinoma, linfoma gástrico e dor abdominal recorrente. Embora a associação entre úlcera péptica e HP esteja bem estabelecida, acredita-se que a bactéria seja responsável por diminuir as defesas da mucosa gástrica, facilitando o processo ulcerativo. Um estômago normal não contém folículos linfoides. No entanto, em pacientes com gastrite crônica ativa associada com HP, encontra-se intenso infiltrado linfoide, levando a hipótese de que a indução da gastrite pela bactéria poderia ser o precursor do linfoma ao longo do tempo de infecção.
A HP pode distribuir-se de maneira focal, segmentar ou difusa ao longo da mucosa gástrica. Encontra-se no interior ou sob a camada de muco que recobre a mucosa gástrica. Possui grande capacidade de aderência e adapta-se para colonizar a mucosa gástrica e duodenal, fator de grande importância na patogênese da úlcera péptica duodenal. Além disso, poderá unir-se ao epitélio gástrico ocasionando um quadro de gastrite crônica em indivíduos suscetíveis.
Dentre os principais mecanismos patogênicos, produzidos pela bactéria, estão: os seus fatores de virulência; a sua aderência à superfície epitelial, que impede a sua eliminação através dos movimentos peristálticos; e a produção de toxinas, associados à resposta inflamatória da mucosa; e a alteração da secreção ácida gástrica. Apesar das agressões causadas no epitélio gástrico, ele representa a primeira linha de defesa contra a infecção por HP. Este tecido serve não somente como barreira para exclusão de patógenos, mas também secreta mediadores inflamatórios que iniciam a resposta imunológica à sua invasão.
Alguns sintomas são sinalizadores para a pesquisa da presença da HP, como: dispepsia funcional ou persistente; alteração na frequência ou forma das fezes, acrescido da exclusão de parasitoses intestinais; sensação de inchaço na barriga; e saciedade rápida após a ingestão de pequena porção de comida. Estes sinais indicam a necessidade da realização de endoscopia digestiva alta, complementada com biopsias da mucosa gástrica. Existem, entretanto, análises menos invasivas através das fezes, urina, saliva, respiração e do sangue, que irão avaliar a taxa de prevalência da infecção pela HP, principalmente, no caso de indivíduos assintomáticos. A endoscopia é recomendada para avaliar o estado do sistema gástrico, bem como possíveis quadros de gastrite, úlcera ou tumores.
            Existem alguns tratamentos antimicrobianos utilizados para eliminar a HP. Estes, entretanto, não irão curar os quadros de gastrite crônica que normalmente acompanham a infecção pela bactéria. Mudanças nos hábitos alimentares mostram-se assim mais eficazes na cura da causa do problema e não somente dos sintomas.
Recomenda-se evitar longos períodos de jejum e mastigar bem os alimentos. Dormir de estômago repleto pode causar desconfortos, por isso indica-se que a última refeição ocorra 90 minutos antes de o paciente acostar-se. O fumo atrapalha a cicatrização de úlceras e os anti-inflamatórios podem “atacar” o estômago causando úlcera e gastrite. Alguns alimentos/preparos costumam causar desconfortos em quem tem maior sensibilidade gástrica, sendo eles: frituras, doces, embutidos, comidas muito condimentas e carnes muito gordurosas, suco de frutas cítricas e bebidas gasosas. As fibras auxiliam no processo digestivo e são fundamentais no tratamento e prevenção de patologias gastrointestinais.
O leite contém muito cálcio e proteína, que aumentam a produção gástrica no estômago, causando um aumento tardio de acidez no estômago e piorando a sensação de queimação. Portanto sua ingestão deve ser moderada, principalmente antes de dormir. As bebidas alcoólicas também devem ser evitadas, principalmente de estômago vazio, uma vez que o álcool funciona como irritante da mucosa gástrica.
O consumo de gorduras saturadas e desequilíbrio na proporção entre ácidos graxos w3 e w6, apresentam-se como fatores agravantes de processos inflamatórios e doenças gastrointestinais. Os lipídios diminuem a secreção e motilidade da mucosa por permanecerem maior tempo no estômago, levando a um aumento do suco gástrico e causando irritabilidade.
Para aqueles indivíduos que já apresentam sensibilidade gástrica, estas recomendações servem como medidas profiláticas a fim de minimizar as chances de infecção pela bactéria, bem como melhorar desconfortos frequentes como azia, refluxo e queimações e livrar-se da dependência de fármacos como o Omeprazol, que ao inibir a secreção de ácido clorídrico no estômago, acaba por atrapalhar o processo digestivo e absorção de nutrientes essenciais obtidos na dieta.

13 comentários:

  1. Esse texto me ajudou muito a entender o tratamento da HP e da Gastrite, muito obrigado.

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    1. Fico muito feliz em saber disso!! Espero que o conteúdo seja útil sempre... Apareça!

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  2. Excelente texto, muito esclarecedor Camila. Muito obrigado por disponibilizá-lo á todos. Estou no tratamento contra esse "bicho" há um bom tempo também e espero em breve ficar livre dele. Grande abraço!

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    1. Boa sorte David!! A reeducação alimentar é um caminho é excelente no tratamento da bactéria, jogue duro!! =)

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    2. Bom dia! Você pode me passar os contatos dos seus médicos na sua dieta para não perder peso? Obrigado!

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  3. boa noite,foi muito boa sua explicaçao,eu tenho hp e nao faço a dieta e nem fui ao medico pra passar o tratamento acho que nao vou mim acostumar com a comida q ele vai passar,neste momento estou com muita azia e barriga enchada e espero nao ter dores de estomago,porque come batata doce no jantar com galinha gisada.aff q agonia ..boa sorte

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  4. Oi Camila tudo bem?
    Eu fiz a endoscopia digestiva alta e na biópsia não acusou nada deu negativo. Já no teste de T urease deu positivo. Achei estranho pois pra mim a biópsia é mais segura do que o teste de urease, mas mesmo assim o médico pediu que eu fizesse o tratamento e me prescreveu os alimentos que eu deveria cortar da dieta. Repeti a endoscopia depois do tratamento e o teste de urease deu positivo de novo. Agora tenho que voltar no gastro pra ver o que vamos fazer. Não sinto dores no estômago, mas sinto queimação, refluxo as vezes e a barriga inchada. Espero ficar livre disso logo.

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    1. Olá Sandra! Grata por sua visita e bem-vinda ao blog. Mil desculpas em tardar tanto para responder, como disse no comentário abaixo, não consigo acessar os comentários pelo celular e não tenho conseguido usar o computador com muita frequência.
      Espero que a essa altura seu problema já tenho sido solucionado, entretanto, se precisar de mais orientações, conte comigo.

      Forte abraço!

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  5. Olá Camila. Sou brasileira. Tenho gastrite atrófica, minha barriga fica muito inchada. Não tenho outros sintomas, você acha que a dieta serve para mim? Meu médico não me passou remédio nem dieta. Não fumo, não bebo e gosto muito de frutas e verduras. Quando mocinha dei gastrite,doía muito.mas agora não sinto nada a não ser barriga inchada.obrigada.

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    1. Olá Zilda! Grata por sua visita! Seja bem vinda ao Beijo no Padeiro. Ando meio atrasada com as respostas por aqui, pois não consigo acessar a página de comentários do celular e quase não tenho conseguido acessar pelo computador ultimamente.

      Dietas, em geral, costumam ter efeito positivo e, distúrbios gastrointestinais, entretanto é preciso avaliar cada caso detalhadamente para rastrear o que poderá estar causando determinado desconforto. O que pode fazer saonpequenos testes, retirando um alimento de cada vez por um período suficiente para observar como se sente...

      Conte com meu apoio. Boa sorte!

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  6. Olá, fiz o exame de endoscopia e como resultando teu a bactéria h pilory, estou tomando os medicamentos que o médico passou, só estou em dificuldade no que pode ou não comer!

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  7. Eu fiz o exame de endoscopia deu a bactéria h pilory, tomando os medicamento esogastro, quando tomo não mim sinto bem, minha barriga doei muito até o pé da barriga isso é normal, estou sendo acompanhada pelo um clinico geral, ela não passou a dieta pra mim, quais alimentos posso comer, estou indo ao banheiro constantemente é normal isso?

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  8. Eu queria saber quais frutas comer no período

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