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quarta-feira, 12 de março de 2014

Bela Cozinha: programa imperdível de culinária no GNT


Imagem retirada do Google Imagens

Não sou muito de TV, mas hoje coloquei o despertador para lembrar da estreia do programa da Bela. Provavelmente o primeiro episódio estará disponível na internet em breve e quem puder, recomendo muito que assista (as receitas ficam disponíveis no site do GNT, então não precisa se desesperar para anotar...). Quem gosta de minhas postagens, certamente gostará do conteúdo do programa. Não é à toa que antes e durante o programa chegaram várias mensagens em meu celular e recebi telefonemas: "Ligue na GNT, está passando um programa que é a sua cara!!" Já estava assistindo, risos!!

A Bela, assim como eu, nasceu em família de macrobióticos e praticantes de yoga e tem tudo isso no DNA. Um privilégio! Quando foi morar sozinha, percebeu que a comida não brotava na geladeira e na mesa e essa foi a sua primeira motivação para explorar o mundo da culinária. Acho que já comentei por aqui que foi exatamente assim que comecei: pela necessidade, quando fiz intercâmbio para a Espanha e acredito que essa deva ser uma história comum à muitas pessoas que descobriram a paixão pela cozinha. 

O programa só tem um GRAAAAANDE defeito: não tem cheiro e não tem prova!!! Ainda bem que tinha acabado de jantar quando vi, caso contrário correria o risco de devorar a TV, o controle remoto... Brincadeiras à parte, o que mais gostei é que ele fala o meu idioma favorito na cozinha, explorando coisas que não têm mistério e que precisam chegar ao conhecimento público: molho de tomate sem ser de tomate, gelatina de alga ágar-agar, abacate, castanhas, banana, ervas, especiarias, receitas sem açúcar e sem leite e tudo muito fresco e colorido: como tem que ser. Nada muito complexo de preparar, motivando quem tem menos experiência e para ficar ainda melhor, tudo com um super toque gourmet para fazer salivar até mesmo os preconceituosos de plantão. Afinal de contas, toda boa refeição começa pelos olhos, não é mesmo?

Geralmente não sou muito fã de assistir programas de culinária, pois consigo "roubar" ideias soltas, mas dificilmente receitas inteiras e menos ainda o programa completo, em relação às coisas que gosto de preparar em casa. Acho que sempre existe o momento de se esbaldar em orgias gastronômicas, mas quando penso em culinária cotidiana, não consigo pensar em sabor e esquecer da saúde. Então, prefiro deixar a exceção para quando estou na rua e encher minha casa de ingredientes provenientes da terra - tais quais os que a Bela explora em seu programa. 

Tenho um paladar muito sensível e considero super saborosas comidas que muita gente rotula como "sem graça". Por outro lado,  não fui criada bitolada só na alimentação macrobiótica, sempre frequentei diversos tipos de restaurantes e tive acesso a temperos dos mais variados desde pequena, e claro, muita comida baiana! Assim, considerando que quem cozinha, cozinha pros outros, é um eterno desafio juntar o gourmet ao saudável e despertar o interesse de pessoas que acreditam que tudo que é bom, necessariamente engorda, faz mal ou é imoral... Afirmação falsa! 

O início do programa foi em Nova York (onde ela estudou grande parte do que ensina) que é o paraíso das pessoas que amam comida saudável, mas não abrem mão de uma bela apresentação e de sabor. Para completar, está bem à frente do Brasil em vários aspectos: com uma escola de referência internacional em culinária natural (onde a Bela estudou) e inúmeras opções de lojas, feiras orgânicas e restaurantes para quem quer explorar o mundo natural. No programa ela foi em dois restaurantes que sou apaixonada: O Souen e o Candle 79 - onde Bela estagiou (que, por sinal, tem um excelente livro de receitas e foi uma grande referência nessa associação do mundo gourmet com o mundo saudável). Enfim, outra parte deliciosa do programa foi essa viagem no tempo, passeando por lugares que AMO e que me inspiram. 

A moda está chegando no Brasil e iniciativas como esse programa na TV só vão ajudar as pessoas a despertarem cada vez mais para a diversificação dos ingredientes, a criatividade na cozinha e a culinária com alimentos DE VERDADE, evitando ingredientes industrializados. A natureza nos proporciona uma infinidade de sabores, cores e texturas - não existe justificativa para apelar para sabores artificiais! 

Vou ficando por aqui, parabenizando a Bela pelo programa, o GNT pela iniciativa e deixando a dica para os meus leitores: acompanhem os programas e aproveitem as receitas, que são de primeiríssima qualidade, assim como as dicas de nutrição que ela vai dando à medida que prepara as comidas, explicando que é completamente possível elaborar pratos saborosos e ao mesmo tempo ultra saudáveis e lindos! Que venham os próximos!!

P.S.: Para quem tiver interesse, já dediquei três posts ao turismo gastronômico natureba em Nova Iorque.

sábado, 8 de março de 2014

Por que é irracional pregar que TODOS devem ter acesso à alimentos orgânicos?

Imagem retirada do Google Imagens

Uma leitora acabou de fazer uma pergunta no comentário do post: Qual a diferença entre uma comprar uma Ferrari e um alimento orgânico. Minha resposta foi tão grande que resolvi compartilhar na forma de post e ainda acrescentei muito mais à resposta por aqui...  

Pergunta: "Concordo com tudo Camila! Muito legal a reflexão do que seria o 'fútil'. Sobre os orgânicos, não considera que eles sejam significativamente melhores para a saúde do que os produtos com agrotóxico?" A.F. 

Resposta: Considero os orgânicos INFINITAMENTE MELHORES (tanto que comparo-os com uma Ferrari) do que alimentos produzidos em larga escala, que precisam de conservantes e agrotóxicos, para aumentar a durabilidade e possibilitar comercialização em grande quantidade e preços baixos. Esse mecanismo foi criado para atender ao crescimento demográfico mundial, garantindo que a população não morresse de fome (revolução verde). Certamente, ingerir alimentos com agrotóxicos é uma opção melhor do que morrer de fome e seria isso que aconteceria caso não tivesse sido descoberta uma maneira de fazer com que os alimentos não estragassem antes de chegarem à casa dos seus consumidores finais. Apesar disso, ainda há GRANDE desperdício (já viu a quantidade de comida que é descartada diariamente por um supermercado?). 

Como disse no texto publicado esta semana, o ótimo é inimigo do bom e se entrarmos na paranoia de que só devemos comer orgânicos corremos o risco de limitar nossa dieta ao consumo de três tipos de vegetais, já que grande parte é muito difícil de ser encontrado na forma orgânica ou então é caro demais. A ortorexia está se tornando cada vez mais frequente e isso é preocupante, pois acaba fazendo com que as pessoas tenham dietas muito restritas, quando a variedade é um fator essencial numa alimentação saudável. Apesar dos agrotóxicos, as hortaliças contêm diversos nutrientes importantíssimos e quanto maior a variedade, melhor. 

O que aconselho é sempre buscarmos aliviarmos nossa função hepática para que seja possível metabolizar e excretar toxinas com mais facilidade. Uma pessoa que se enche de açúcar, bebidas alcoólicas e toma remédio para tudo, acaba sobrecarregando o seu fígado e assim o efeito dos agrotóxicos torna-se ainda mais nocivo. Então, acreditar que comer orgânicos vai fazer milagre enquanto comete-se todo tipo de excesso é uma ilusão perigosa... Por outro lado, uma pessoa que, por ter uma alimentação mais saudável, acaba ficando doente com menor frequência, pode reinvestir o dinheiro que deixa de gastar com medicamentos, consultas médias e bebidas alcoólicas (muitas são super caras) em alimentos de melhor qualidade: integrais e orgânicos... 

Outro ponto que deve ser levado em consideração é a prioridades das pessoas. Conheço muita gente que não paga cinco reais em um pacote de cenouras orgânicas (que rendem diversos preparos em muitas refeições), mas que paga o mesmo valor em uma lata de cerveja numa festa e para completar, raramente toma apenas uma cerveja. Conheço outra quantidade enorme de pessoas que vestem roupas de grife e cozinham em panelas de alumínio. Já falei tanto da importância de investir em boas panelas para essas pessoas e quando vejo que simplesmente não trocam suas panelas para mim fica claro que nossas prioridades de vida são completamente distintas. O que faço? Me calo. Essas pessoas são capazes de gastar 300 reais em uma calça jeans (que dificilmente durará mais de dois anos), mas não gastam o mesmo em um conjunto de panelas de qualidade, que podem durar mais de vinte anos. Pior, têm uma cozinha com bancadas e armários impecáveis, que custaram pelo menos 15 mil reais e não são capazes de gastar 2% deste valor, num bom conjunto de panelas. Como diz o ditado: "Por fora bela viola, por dentro mofo bolorento...", mas esta é apenas uma opinião pessoal. Certamente algumas dessas pessoas podem achar que sou meio "hiponga" e nem por isso deixamos de compartilhar outras afinidades, pois as pessoas não conseguem ser iguais em tudo. Moral da história: devemos respeitar as prioridades de outras pessoas e entender que aquilo que consideramos importante para nós, nem sempre é importante para o próximo. Por isso defendo tanto a democracia e abomino a ideia do Estado definindo o que é ou não prioritário numa sociedade. A escolha por roupas de grife, orgânicos, carros de luxo, ou qualquer produto é algo absolutamente individual. Se uma estilista fosse presidente de um país socialista talvez ela escolhesse como prioridade distribuir um óculos Ray Ban para todo cidadão (acreditando que estava dando algo essencial para todos), mas para conseguir fazer isso poderia fazer um corte brusco na verba para alimentos, oferecendo transgênicos e enlatados para todos, por acreditar que possuem maior durabilidade. Seu ponto de vista pode fazer sentido para ela, mas nem por isso constitui uma verdade universal. É isso que fazem as ditaduras, determinam as SUAS prioridades e assumem como se essas fossem iguais para toda a população, quando NUNCA são. 

Voltando aos orgânicos, o que não podemos negar é o fato de serem "artigos de luxo" por serem, às vezes, até 500% mais caros e não temos como fugir desta realidade, caso contrário não haveria comida suficiente para alimentar todo o planeta. Os alimentos orgânicos são mais caros justamente por terem que ser produzidos em menor escala, necessitarem de logística de comercialização mais caras e complexas (transportes refrigerados, por exemplo), terem menor durabilidade e consequentemente maior desperdício e tudo isso precisa ser incluído no valor do produto, caso contrário o produtor fica no prejuízo. É irracional defender que toda a agricultura do mundo passe a ser 100% orgânica - um desafio à aritmética. Entretanto, é isso que tenho visto, muita gente condenando o capitalismo, como culpado do fato dos orgânicos não serem acessíveis à toda a população e julgando os seus produtores como avarentos. Há uma completa inversão de valores e falta de sensibilidade em avaliar os fatos em quem prega coisas do gênero. O sistema capitalista possibilita justamente que se possa escolher o que se consome, de acordo com diferentes possibilidades aquisitivas e prioridades. Em ditaduras não existe poder de escolha pro cidadão, o alimento e tudo mais é definido pelo Estado, desprezando as prioridades e gostos de cada um. Além disso, a escolha costuma ser por baixo: ou você acha que em Cuba o governo distribui papel higiênico extra macio para toda a população? Claro que não... Nessas situações predomina a lei de "um peso e duas medidas", onde aqueles que fazem parte do "clero", têm acesso à tudo do bom e do melhor e ainda têm a cara de pau em pregar a "igualdade".  

A forma mais lógica e racional de possibilitar o aumento do acesso aos orgânicos é através do sistema de livre mercado. Quanto maior a procura por um produto, maior será sua oferta. Com o aumento da oferta, consequentemente maior a concorrência e menores são os preços. Trocando em miúdos: se mais pessoas resolvem consumir orgânicos, mais produtores terão interesse em cultivá-los. Aqueles mercados na Bahia que no começo precisavam comprar produtos do sul do país (por não existirem aqueles produtos na região) poderão passar a comprar produtos diretamente da Bahia. Esses, por sua vez, serão mais baratos do que aqueles que vêm do sul, pois demandam uma logística bem menos complexa para chegar às prateleiras do supermercado. Se outros produtores percebem que é um negócio rentável, começam a focar nessa fatia do mercado, criando concorrência. Com concorrência há disputa de mercado e consequentemente redução dos preços. Simples assim.

Retornando à comparação com carros, imagine se todos os carros do mundo tivessem que ter a qualidade (e consequentemente preço) de uma Ferrari?? Eu você e 100% das pessoas que eu conheço não poderiam ter um carro (não conheço ninguém que tenha uma Ferrari ou um carro do mesmo nível). Devemos ser gratos à existência de produtos de todas as espécies, capazes de atender grandes demandas. Mais gratos ainda se temos o privilégio de poder escolher aquilo que adquirimos não somente pelo preço, mas também pela qualidade (normalmente não é só uma questão somente de gratidão, mas também de mérito). No caso dos alimentos, existem escalas que demonstram aqueles que têm menos ou mais agrotóxicos (na comparação com carros seria como diferenciar um carro popular, de um Corolla e uma Ferrari). O que precisamos ter em mente é que o fato de não ser perfeito, ou o melhor da categoria, não significa que seja descartável ou completamente ruim...

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

TOP 15 alimentos ricos em antioxidantes pela lista ORAC

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Esses dias escreveram-me para perguntar o que eu achava do Goji Berry. Como muitas modas alimentares frequentes, esta frutinha atualmente é uma das queridinhas entre os Alimentos Funcionais, sendo o motivo principal o fato de ser rica em antioxidantes.

Existe uma lista, criada pelo USDA (United States Departmente of Agriculture - Departamento Americano de Agricultura), chamada ORAC (Oxygen Radical Absorbance Capacity - Cabacidade de Absorção de Radicais Livres), que lista os alimentos com maior potencial antioxidante. Nesta lista, o Goji Berry, também conhecido como wolfberry, aparece com um teor de 3,290 μ mol TE/100g.

O que isso quer dizer? Para ilustrar melhor este valor, p
reparei uma listinha com 15 alimentos ricos em antioxidantes (o penúltimo da lista tem mais do que 10x o valor de antioxidantes que o Goji Berry), além de serem mais conhecidos e acessíveis, só para mostrar que é totalmente desnecessário pagar tão caro por produtos importados, para aderir a modismos. Como já falei outras vezes, nossa dieta deve ser o mais sustentável possível, ou seja, rica em alimentos de cultivo local, integrais e o mais frescos e orgânicos possíveis.

Além disso, a necessidade e importância dos alimentos antioxidades é diretamente proporcional à ingestão de alimentos, preparos e de um estilo que vida (estresse) que favoreça à formação de radicais livres. Ou seja, mais importante do que "curar" a oxidação é evitar que ela aconteça... A velha história da prevenção x remédio, que já falei tantas vezes aqui no blog.
1.      Cravo: 312,400 μ mol TE/100g
2.      Sorgo: 240,000 μ mol TE/100g
3.      Orégano: 175,295 μ mol TE/100g
4.      Alecrim: 165,280 μ mol TE/100g
5.      Tomilho: 157,380 μ mol TE/100g
6.      Canela: 131,420 μ mol TE/100g
7.      Cúrcuma: 127,068 μ mol TE/100g
8.      Baunilha (grãos): 122,400 μ mol TE/100g
9.      Sálvia: 119,929 μ mol TE/100g
10.  Açaí: 102,700 μ mol TE/100g
11.  Salsa: 73,670 μ mol TE/100g
12.  Noz moscada: 69,640 μ mol TE/100g
13.  Manjericão: 61,063 μ mol TE/100g
14.  Cacau: 55,653 μ mol TE/100g
15.  Gengibre: 39,041 μ mol TE/100g
16.  Goji Berry: 3,290 μ mol TE/100g

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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Eficácia da suplementação de vitaminas e minerais

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Há um mês atrás escrevi um post dedicado ao uso de suplementos... Nele eu questionava real eficácia e importância deste procedimento que virou MODA!!!

Agora acabo de ler esta matéria, publicada na Folha de São Paulo, descrevendo estudos que demonstram que o uso de vitaminas e suplementos (com exceção dos casos onde há deficiência) é desperdício de dinheiro, podendo até trazer riscos como no caso do betacaroteno e da vitamina E. Difícil é definir quando há real deficiência e exatamente do que, já que os métodos laboratoriais utilizam parâmetros universais, tão questionáveis quanto os estudos que ora dizem que suplementar é bom, ora dizem que não é. Até que ponto estas pesquisas que defendem a suplementação não são feitas ad hoc? Certamente não faltam laboratórios interessados em fornecer patrocínio para elas... 

Enfim, prefiro a ideia de estimular nosso corpo a compensar eventuais faltas, através de transmutações bioquímicas, pois não consigo acreditar que vivemos e evoluímos tantos mil anos sem suplementos e agora eles sejam tão fundamentais... Tudo bem, o estresse aumentou, os alimentos se tornaram cada vez menos ricos nutricionalmente... Mas, e quem procura fazer uma alimentação rica em alimentos integrais e orgânicos (pobre em processados), será que o corpo não dá conta do recado? E o poder de evolução e adaptação do corpo humano, onde fica? Como estabelecer um padrão, considerando um mundo tão vasto, com pessoas vivendo em condições climáticas tão diferentes (e consequentemente acesso a dietas completamente distintas)? Qual a sua opinião sobre isso? Tem alguma experiência pessoal para compartilhar? Esse tema gera um longo debate, vou ficando por aqui...

Como estou com acesso limitado à internet, não tenho como pesquisar à fundo as fontes desta matéria, mas aqui está o link publicado na Annals of Internal Medicine referido no texto. Lá tem um link onde é possível baixar o PDF em inglês.

Enfim, achei interessante compartilhar por aqui. Abaixo transcrição da matéria, em português, publicada na Folha de São Paulo e em seguida a cópia do PDF do artigo da Annals od Internal Medicine, na forma de imagem.

Vitaminas na berlinda
HÉLIO SCHWARTSMAN
"SÃO PAULO - Com uma veemência difícil de encontrar em periódicos científicos, o editorial da última edição de "Annals of Internal Medicine" não só pede que as pessoas parem de utilizar suplementos de vitaminas como sugere que não se dediquem muito mais recursos a novas pesquisas nessa área. Para os editores da publicação, exceto para subgrupos específicos, o caso das vitaminas já está encerrado.
O editorial, intitulado "Enough is enough" (já basta), acompanha a publicação de três estudos que mostram que o uso de suplementos é, na melhor hipótese, um desperdício de dinheiro. O primeiro trabalho, envolvendo 400 mil participantes, indica que multivitamínicos não previnem doenças cardiovasculares, câncer nem reduzem a mortalidade geral. O segundo acompanhou por 12 anos quase 6.000 idosos e concluiu que suplementos não melhoram a performance cognitiva. O terceiro revelou que vitaminas não previnem eventos cardiovasculares em pacientes que já haviam sofrido infarto.

Os editores de "Annals" lembram que existem trabalhos mostrando que alguns micronutrientes, notadamente betacaroteno e vitamina E, na verdade aumentam a mortalidade.

Para eles, já passa da hora de os médicos transformarem essa ampla coleção de evidências em ações, aconselhando as pessoas a parar de tomar suplementos, a menos, é claro, que sofram de alguma deficiência nutricional que exija reposição.

Não obstante, o consumo de vitaminas vem crescendo em todo o mundo. Na verdade, esse se tornou um filão especialmente atrativo para laboratórios e para algumas pseudoespecialidades como a medicina ortomolecular e a antienvelhecimento. No mundo de hoje, não dá mais para fazer medicina com base em filosofias. É preciso curvar-se às evidências e, no caso das vitaminas, elas já deram o seu veredicto.

Agradeço a Esper Kallás, que me chamou a atenção para os trabalhos."







Imagens feitas a partir de PDF baixado em link, disponível neste site: http://annals.org/article.aspx?articleid=1789253

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Dr. Neil Barnard em mais uma palestra inspiradora


Não é a primeira vez que eu falo do Dr. Neil Barnard aqui no blog e o motivo é simples: admiro e respeito muito o seu trabalho. Esta palestra ocorreu em outubro deste ano e fala das relações entre alimentação e saúde mental. É um pouco longo, mas quem conseguir entender bem o inglês não vai se arrepender. O conteúdo é ao mesmo tempo científico e bastante acessível para qualquer pessoa. Se você gostar do vídeo, digite o nome dele no youtube e encontrará outros ótimos!!

P.S.: Voltando a este assunto: uma das recomendações dele para a saúde mental é o exercício bilíngue do cérebro. Então, se ainda não consegue assistir um vídeo em inglês sem legendas, que tal colocar isto como meta para 2014? Prometo que só tem a ganhar!!

Hambúrguer vegano com cenoura, cebola e shitake, acompanhado de arrozintegral e purê de batata doce


Ontem fiz uma almoço ultra prático, saudável e delicioso. Vou compartilhar a receita com vocês.

Ingredientes:
  • 1 pacote de Hambúrguer vegano orgânico da Ecobrás (existem diversos sabores, hoje usei o Sparta que é com tofu, legumes e girassol); 
  • Somente a parte de cima de 4 folhas de acelga;
  • 1 cenoura;
  • 2 cebolas pequenas;
  • 4 cogumelos shitakes desidratados;
  • 4 colheres de sopa de sementes de abóbora;
  • 1 colher de sopa de molho shoyu (atenção para a qualidade deste molho de soja);
  • 1 colher de sopa de óleo de gergelim;
  • 1 batata doce;
  • Arroz integral cateto cozido com 1/3 de trigo em grãos;
  • Cebolinha picada;
  • Salsinha (para decorar).

Pré-preparo:
  • Cortar as cebolas na metade e depois fatiar em tiras finas;
  • Cortar a cenoura em tiras finas (ou passar em um ralador grosso);
  • Deixar as sementes de abóbora de molho em um água filtrada com uma pitada de sal (10 minutos);
  • Deixar os cogumelos de molho em um copo com água suficiente para cobri-los (e uma colher para que não boiem - 20 min). Depois de hidratados picar em tirinhas;
  • Cozinhar a batata doce em uma panela com água com uma pitada de sal até amolecer bastante;
  • Separar somente a parte de cima das folhas de acelga (macia) e deixar de molho em água com vinagre ou limão (15 min);

Preparo:
  • Refogar a cebola em uma panela sem adição de nada (nem água, nem óleo) até ela ficar beeeeem macia, dourada e o fundo da panela todo marrom. Neste momento acrescentar o shitake, com o seu caldo e misturar bem (o fundo da panela ficará limpo automaticamente). Colocar a cenoura por cima, tampar a panela e deixar cozinhar em fogo baixo até a água secar e ao mesmo tempo os ingredientes estarem bem úmidos e molinhos. Neste momento acrescentar o shoyu e o óleo de gergelim, misturar bastante para homogeneizar e desligar o fogo. Reservar tampado para não esfriar;
  • Em uma frigideira, tostar as sementes de abóbora até ficarem crocantes e cheirosas;
  • Amassar a batata doce em um prato de sopa com um garfo, acrescentando a água do cozimento para amolecer até obter a consistência de purê;
  • O preparo do arroz eu já coloquei em outro post... Neste, usei 1/3 de grãos de trigo e deixei os grãos de molho de véspera para melhorar a digestibilidade e acelerar o cozimento;
  • O hambúrguer é só esquentar em uma chapa (ou frigideira) no fogão. Não demora nada, só o tempo de ficar com aspecto meio torradinho e quentinho;
  • Depois disso é só arrumar no prato. Nesta foto coloquei o hambúrguer por cima das folhas de acelga, e a mistura de cenoura, cebola e shitake por cima do hambúrguer. Por cima coloquei a cebolinha picada, nas laterais o purê de batata doce e o arroz. Polvilhei todo o prato com as sementes de abóbora.

Rendimento: 2 porções (cada pacote de hambúrguer vem com duas unidades)


Opções de hambúrgueres veganos da Ecobrás

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Não existe receita de bolo para tratamento do câncer ou de qualquer outra doença

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Ontem algumas pessoas compartilharam este vídeo comigo, então hoje resolvi comentá-lo por aqui... Perdão a quem não entende inglês, infelizmente não está disponível com legendas... Trata-se do depoimento de um rapaz que se curou de câncer intestinal e informações que, segundo ele: 'todo paciente com câncer precisa saber'.

A primeira coisa que gostaria de comentar é que não acredito em "receita de bolo" para tratamento de nenhum tipo de doença. Cada pessoa tem suas particularidades e a manifestação de doenças aparentemente 'iguais', somente pelo fato de acontecer em pessoas distintas, já torna esta doença (e o seu tratamento) totalmente diferente.

Neste vídeo (e em seu blog: Chris Beats Cancer) o autor sugere que a cura do câncer está, em termos alimentares, principalmente na utilização de determinados sucos de vegetais e frutas, diversas vezes ao dia... Fala em outras coisas que também interferem no surgimento/tratamento do câncer, como: o nível de estresse, tabagismo, etilismo, qualidade de vida, positividade mental, espiritualidade... Concordo mais com o seu posicionamento em relação a estes aspectos do que com as suas dicas dietoterápicas. Fico muito feliz que tenha funcionado para ele, mas infelizmente não funciona para todo mundo e acho um perigas essas "receitas de bolo" que circulam pela internet. O acesso à informação hoje anda mais disseminado do que nunca, por isso é preciso ter muito cuidado com aquilo que lemos/assistimos online, principalmente no que diz respeito à saúde.

Por que penso desta maneira sobre a conduta dietoterápica proposta pelo blogueiro? Em primeiro lugar, porque individualidades bioquímicas proporcionam reações distintas a tratamentos nas pessoas... No caso do Chris, ele se curou de um câncer de intestino, que, como já foi comprovado pela ciência, frequentemente está ligado ao consumo excessivo de carnes vermelhas e pouca ingestão de fibras. Sendo assim, é muito compreensível que ele tenha se dado super bem com uma dieta baseada em sucos de verduras e frutas, preparados de maneira a manter além de vitaminas e minerais, as fibras. Além disso, ele substituiu a ingestão de alimentos de péssima digestibilidade e ricos em toxinas (carnes e produtos industrializados) por alimentos leves, limpos e frescos (ele dá preferência aos orgânicos). Em outras palavras, ele pegou um carro que parou de funcionar por gasolina adulterada, ofereceu uma gasolina premium e assim o carro voltou a funcionar...

Acontece que sucos concentrados de verduras e frutas nem sempre funcionam como 'gasolina premium' nos corpos de todo mundo. Por isso, há de se avaliar cada caso... Doenças do intestino, por exemplo, que causam diarreia versus constipação, podem ser resultantes de hábitos antagônicos e definitivamente não podem ser tratadas da mesma maneira. O mesmo ocorre com qualquer tipo de manifestação no corpo, que por ser uma máquina complexa e rica em detalhes, não deve ser tratada de maneira simplista...

Outros pontos que devem ser levados em consideração são: a constituição da pessoa, o clima em que ela vive, a sua rotina de trabalho, a sua cultura alimentar e muitos outros... Imaginem uma pessoa que vive na Rússia, em condições extremas de frio, se alimentando de sucos frescos? Será que o corpo reagiria bem ou será que imploraria por uma sopinha quente?

Por fim, existem mais dois pontos que gostaria de salientar, que considero um risco em relação ao uso prolongado de sucos frescos. O primeiro é que ele subtrai um aspecto fundamental da digestão que é a mastigação, onde os alimentos são misturados a enzimas e anticorpos únicos presentes na saliva. O segundo é a ingestão excessiva de alimentos crus (em detrimento dos cozidos), que comprovadamente são o maior diferencial entre o desenvolvimento do cérebro humano e de especies animais... Já falei um pouco sobre este tema antes e aprofundarei mais sobre ele no próximo post...

Então, fica a dica: cuidado com essas "receitas de bolo" que circulam na internet...!

Até breve! =)

sábado, 23 de novembro de 2013

Salada completa, com: grãos, leguminosas, hortaliças, oleaginosas e frutas secas


Já fiz uma variação desta receita antes e publiquei por aqui... Hoje resolvi publicar uma releitura dela, primeiro, porque é uma excelente pedida para o verão e segundo porque alterei bastante os ingredientes da receita... Espero que gostem! 

Ingredientes:

  • 1 xícara de painço (cru)
  • 1 xícara de grão de bico (cozido)
  • 1 xícara de cenoura picada em cubos
  • 1 xícara de chuchu picado em cubos
  • 1 xícara de beterraba picada em cubos
  • 1 xícara de milho cozido
  • 1 xícara de ervilha cozida
  • 1/2 xícara de uvas passas
  • 10 castanhas do pará
  • 1/2 xícara de salsinha picada
  • 1/2 xícara de coentro picado
  • 1/2 xícara de cebolinha picada
  • 1/2 cebola pequena picada
  • 2 dentes de alho picados
  • Sal Marinho (de preferência sem ser adicionado de iodo - mais sobre isso neste post)
  • Molho Shoyu de fermentação natural (sem conservantes e/ou aditivos químicos - mais sobre isso neste post) Hoje usei meu novo xodó: o molho shoyu da mitoku, importado aqui no Brasil pela Ecobrás, considerado o melhor e mais tradicional do Japão)
  • Vinagre de arroz integral orgânico (infelizmente nunca encontrei para comprar aqui no Brasil) 
Preparo:
Para cozinhar o grão-de-bico, o primeiro passo é fazer um remolho para reduzir o teor de fitatos (ácido presente nas leguminosas que provoca indesejados gases em muitas pessoas que as comem). Este processo é muito simples e pode ser usado no preparo de outras leguminosas. Depois de lavar os grãos, deixá-los de molho por 30 minutos, descartar a água e colocar novamente de molho, com o dobro de água por pelo menos 8 horas. Esta água não deve ser descartada. Para cozinhar o grão, é só esperar ferver, abaixar o fogo e cozinhar por aproximadamente 1 hora (verificar se a água não secou e se o grão já amoleceu depois de 30 minutos). Esse método de preparo agiliza a cocção, além de aumentar a digestibilidade do grão. O sal (uma pitada) só deve ser adicionado ao fim do preparo (uns cinco minutos antes de desligar o fogo).

Quem não encontrar painço, pode usar quinoa. Aí é só seguir as instruções da embalagem para cozinhar. No caso do painço descascado, primeiro lavo o grão em uma peneira bem fina e reservo. Coloco três xícaras de água  para ferver em uma chaleira. Em outra panela refogo a cebola e o alho, com um fio de azeite só para dar uma leve untada na panela. Depois que a cebola estiver dourada, acrescento o painço lavado (molhado) e mexo até ele começar a querer grudar no fundo da panela. Neste momento acrescento as duas xícaras de água que está fervendo na chaleira. Misturo bem a água com o grão, com o fogo alto para manter a ebulição da água por um minuto e em seguida reduzo e fogo para o mínimo (entre o fogo alto e desligado), tampo a panela e deixo cozinhar, com uma pitada de sal marinho.  Em cerca de 20 ou 30 minutos a água seca e o grão está pronto. 

Em uma cuscuzeira, coloco água suficiente para cobrir a beterraba na parte de baixo. Na parte de cima, coloco a cenoura com o chuchu em cima (a cenoura demora mais para cozinhar, por isso deve ficar mais próxima do vapor). A beterraba é cozida separadamente para não 'tingir' tudo de rosa. Quando a cenoura estiver al dente, desliga o fogo. Reserva a água do cozimento da beterraba e coloca a beterraba cozida na geladeira (para ela secar e não manchar toda a salada de rosa quando for misturada aos demais ingredientes). A cenoura e o chuchu podem ser misturados ao painço. 

Coloca as uvas-passas de molho na água quente que cozinhou a beterraba, por aproximadamente trinta minutos, para elas darem uma inchada e ficarem mais saborosas. (A água do cozimento da beterraba pode ser usada no preparo de uma sopa para a noite).

Hoje, excepcionalmente usei o milho e a ervilha em salmoura. Como diz o ditado: o bom é inimigo do ótimo... A gente tenta fazer o melhor possível, mas atingir a perfeição é impossível e às vezes a praticidade fala mais alto... Uso MUITO POUCO conservas envasadas em casa (diria que não mais do que 4x ao ano), mas costumo ter milho e ervilha na despensa, para emergências. Hoje foi uma delas, queria dar uma incrementada na salada e fiz o que pude com o que tinha em casa. Vale lembrar que sempre leio os rótulos e compro apenas aquelas marcas que não adicionam produtos químicos nem açúcar na conserva, ou seja, que são conservas unicamente à base de água e sal. Mesmo assim, antes de usar, lavo bastante em água filtrada fervida. 

As castanhas do Pará, ficam de molho em água filtrada com uma pitada de sal por 30 minutos. Depois escorro a água, corto as castanhas em pedaços menores (não muito miúdos para não queimar) e coloco para tostar numa frigideira. O "farelo" das castanhas cortadas, invariavelmente queima e sabemos que elas estão no ponto quando ficam levemente douradas, crocantes e espalham um cheiro maravilhoso pela cozinha.

Agora é só misturar tudo e temperar. Para esta porção, utilizei uma colher de sopa de molho shoyu, três colheres de sopa de azeite de oliva extra virgem e uma colher de sopa de vinagre de arroz integral orgânico. O ultimo passo é colocar na geladeira e servir em temperatura fria.

Esta receita pode ser usada como uma refeição completa, pois contém tudo que precisamos em termos de nutrientes em uma refeição equilibrada. Contém dois cereais (milho e painço); duas leguminosas (ervilha e grão-de-bico); uma fruta seca (uva-passa); duas fontes lipídicas (castanha do Pará e azeite de oliva extra vírgem); legumes de cores e formatos variados (chuchu, cenoura, beterraba e cebola); tempero verde; antioxidantes (alho); probióticos (molho shoyu e vinagre de arroz). Para ficar ainda mais perfeita, deve ser servida com um mix de folhas cruas, como: alface, rúcula, acelga e agrião. Outro ingrediente que fica ótimo nesta salada, mas que infelizmente hoje não tinha em casa é o abacate!

Nas proporções que coloquei aqui rende de 3 a 4 porções. Bom apetite!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Qual a diferença entre comprar uma Ferrari e um alimento Orgânico?


Nos últimos tempos houve algumas polêmicas na mídia e eu andei um pouco sumida, acabei não comentando... Agora, como diria Raulzito:  “Eu também vou reclamar”. Começou com a história dos animais do Instituto Royal... Quero saber se as pessoas que defenderam a invasão e o roubo dos animais não tiveram suas vidas salvas (ou de algum parente/amigo) graças a algum medicamento que tenha sido desenvolvido à custa de experimentações realizadas em animais. Outra coisa: nunca tive um bicho de estimação e sempre achei uma VIOLAÇÃO ao direito do animal, confiná-lo a um apartamento (ou casa) e tirar o seu direito de viver com outros da mesma espécie, enquanto, pela lei natural das coisas, deveriam viver livres... Então, todos aqueles que defendem os animais, mas têm os seus ‘pets’ em casa, para mim estão no mesmo saco daqueles que usam os animais para fazer experimentos. A diferença é que o segundo grupo os utiliza para desenvolvimento da ciência (quantas vidas não já foram salvas?) e o outro, diz que os ama, mas acaba transformando seres vivos em bichos de pelúcia que se movem, pois castram e até fazem com que parem de latir os pobres animaizinhos... Isso é amor? Impedir de cruzar, procriar, latir, caçar, correr, habitar entre outros da mesma espécie... Obrigá-los a ficar cheirosos, com lacinhos, fitinhas e sapatinhos, confinados, comendo a mesma comida (sem opção de escolha) em todas as refeições? Neste tema, para mim, a polêmica não passa o ‘sujo’ criticando o ‘mal lavado’. Acho que o que estamos precisando é de mais bom-senso e menos hipocrisia, pois como diz o ditado: de boas intenções o inferno está cheio, e se interromper uma pesquisa que poderia salvar muitas vidas é uma boa ação, então proibir a domesticação de animais também é uma causa justa... Que tal olhar pro próprio umbigo antes de criticar o do vizinho?

Já que hoje estou com a macaca, vou saltar pro Rei do Camarote. Acabei de ler o texto do Reinaldo Azevedo sobre o tema e não resisti em abordar o assunto. Quando assisti ao vídeo, confesso que pensei: “Que babaca! O pior é que muitos dos que estão falando mal, no fundo morrem de inveja. Outros agem de maneira idêntica (de acordo com as suas possibilidades) e sequer se dão conta disso... e ainda falam mal...” Sim, achei o cara um babaca, pois os valores dele não tem nada a ver com os meus, entretanto, isso não quer dizer que eu esteja certa ou ele errado...

Uma coisa positiva que me ocorreu ao ver o vídeo foi que criou certa situação de ‘constrangimento’ em relação a agir futilmente e penso que é um bom estímulo para que muita gente não fique tão endividada por enaltecer valores supérfluos... Aqui em Salvador mesmo é triste ver gente que mal tem onde cair viva (morto se cai em qualquer lugar), deixando de alimentar suas famílias, para gastar dinheiro em botecos e festas de largo. A velha cultura do pão e circo, sinônimo de Brasil. Fico triste com esse tipo de inversão de valores e aplaudo qualquer movimento que traga à tona a noção de que ‘o essencial é invisível aos olhos’.


Sobre o Rei do Camarote, acho que não cabe questionar (e julgar) as cifras que ele gasta: cada um gasta o que tem naquilo que quer e pode. Não é a toa que tem muito marmanjo torrando dinheiro em barzinho, enquanto a sua família vive em um barraco com risco de desmoronamento... A vida é feita de escolhas, sempre digo! Só acho a segunda situação mais crítica, pois, no caso do Rei do Camarote, não lhe falta nada de essencial, ao passo de que quem prioriza a cerveja em detrimento de oferecer um prato de feijão com arroz aos seus filhos, está prejudicando quem não tem nada a ver com a esta opção de vida...  

Não poderia concordar mais com o raciocínio e crítica que o Reinaldo faz acerca do tão falado vídeo. Se existe uma coisa que sempre me incomodou é quem dá nota nos gastos de outras pessoas. Acho que cada um tem o direito de gastar o que tem - naquilo que tiver vontade. O que não dá é pra ficar julgando as escolhas e prioridades alheias. Principalmente, pois, quem julga parte do pressuposto de que a sua conduta é 'mais certa' e essa questão de ‘consumo’ é algo absolutamente pessoal...

Sobretudo, estamos falando de proporções e escolhas. Para a minha realidade, por exemplo, é um LUXO fazer uma feira de orgânicos ao invés de optar por alimentos populares. Seguindo a mesma linha de raciocínio das críticas ao Alexander, é como andar de Ferrari ao invés de carro popular: ambos são capazes de transportar a mesma quantidade de pessoas. Com comida é a mesma coisa, comprar orgânicos (caros e exclusivos), pode parecer um insulto a quem não quem o que comer: afinal, é tudo comida capaz de matar a fome...

Cada um compra o que quer e o que pode: neste ponto comprar uma Ferrari é igual a comprar um alimento orgânico (grifes do que há de melhor qualidade em produtos distintos). Escolhi usar este exemplo, pois está na última moda e o que mais vejo por aí são pessoas que julgam atitudes ‘consumistas’ alheias e que, ao mesmo tempo, enchem as suas despensas de orgânicos... Ou compram livros e DVDs do Chico Buarque, vão a concertos de música erudita, frequentam museus, viajam nas férias... Como é que funciona? Se a gastança é considerada ‘cult’ ela está liberada e se for considerada ‘fútil’ será julgada? Neste caso, quem está habilitado a julgar o que é o quê?




Não vou repetir os argumentos do Reinado Azevedo, mas recomendo que leiam o seu texto. Vou ficando por aqui, finalizando com a reflexão de que: espero poder viver minha vida, tendo a possibilidade de me remunerar de acordo com o meu talento e dedicação ao trabalho e que, no fim do mês, tenha o direito de gastar o meu dinheiro, adquirido de maneira honesta, da forma que considerar correta, sem ser julgada... E se existe um mercado que vive de futilidades é porque existe um público que paga por elas. As pessoas são diferentes e têm o direito de serem felizes da forma que acharem melhor: uns precisam de bichos de estimação, outros de livros, de baladas, de viagens, de orgânicos, de medicamentos, de esportes, de natureza, de trabalho, de sol, de futebol, de neve, de mar, de amigos, de um grande amor, de piriguetes, de rotina, de exibição, de privacidade........ O que lhe faz feliz? Certamente não é o mesmo que me faz feliz, afinal, por mais parecido que se possa ser, ninguém é igual a ninguém. Então, meu desejo é que sejamos mais livres, que exista menos julgamento e consequentemente mais felicidade... Menos hipocrisia e mais sensatez... VIVA!!!