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quarta-feira, 25 de abril de 2018

Terceiro filho?!


Para divulgar minha retomada ao blog postei essa foto no Instagram e Facebook e claro que algumas pessoas (que já sabiam que tinha tido outro filho durante esse período ausente no blog) acharam que era uma terceira gravidez... Antes que isso vire alguma confusão vim esclarecer que não estou grávida.

Quem ler os últimos posts, verá que se tratam de relatos sobre uma gravidez que ocorreu no ano de 2016 e um parto em 2017. 

Não, não vem terceiro filho aí. Estou bem satisfeita em ser mãe de dois e para ser franca, não acho que meu corpo dá conta de mais uma gestação. Sou grata ao fato de ter superado todas as minhas limitações (ainda evito pegar peso e não carrego meus filhos no colo) e penso que seria uma sobrecarga desnecessária ao meu corpo passar por outra gestação. 

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Grávida: de novo!!!

Há tempos que penso em escrever sobre meu segundo parto, mas se escrever sobre o primeiro foi difícil, o segundo vem com uma carga maior de emoções. Acho que vou ter que começar escrevendo sobre a segunda gestação antes de falar sobre o segundo parto.

Diferente da primeira gestação, que foi super tranquila, sem enjoos, sem dores, sem nada... A segunda gestação foi PUNK!!

A gravidez foi uma surpresa. Fiquei sem menstruar por um ano (amamentando), me desliguei completamente de cuidados contraceptivos e assim, descobri que estava grávida quando meu primogênito tinha apenas um ano e dois meses. Nesta época morava numa cidade remota, no interior do Mato Grosso, chamada Nova Mutum. Longe da família, dos amigos e sem ninguém para me ajudar em casa. Minha rotina de mãe, esposa e dona de casa era INTENSA.

Nas primeiras 14 semanas, senti enjôo, muito enjôo. Foi a primeira mudança no meu estilo de maternar na época. Precisei deixar de ser aquela super mãe, que faz TUDO e precisei terceirizar a alimentação de meu filho. Não conseguia cozinhar... Dar a comida dele então, era certeza de vômito. Precisei arrumar alguém para me ajudar em casa, para garantir que eu comesse e meu filho não morresse de fome. Encontrei alguém para me ajudar a manter a casa em ordem, cozinhar para mim e alimentar meu filho, com muito amor e carinho: que sorte a minha! À noite, quando estava sozinha com meu filho, às vezes esperava meu marido, às vezes pedia ajuda à uma vizinha e às vezes dava a comida dele, intercalando vômitos.

Passada a fase dos enjôos, uma nova etapa: dores na coluna. Mais uma função terceirizada, não aguentava mais carregar meu filho no colo e a empregada teve que assumir mais esta função: colocar e tirar do berço, dar banho (na banheira alta) e carregar sempre que necessário.

Com 20 semanas de gestação, já livre dos enjoos, fiz uma viagem de férias com meu marido, filho (1 ano e 7 meses na época), sogro e sogra. Cheguei em Lisboa com uma noite mal dormida no avião e na sequência um colchão muito macio no hotel. No segundo dia de viagem minha coluna travou (fiz uns alongamentos achando que ia melhorar e no fim só piorei) e não conseguia dar um passo. Tinha duas opções: voltar pro Brasil ou prosseguir com a viagem em uma cadeira de rodas. Não pensei duas vezes, adquiri uma cadeira de rodas e tive férias inesquecíveis por 20 dias na Europa, um turismo completamente diferente, vivenciando na pele todas as dificuldades de ser uma cadeirante. 




Se antes não podia carregar meu filho e dar comida, agora precisava de ajuda até para ir ao banheiro, sentar ou levantar de uma cadeira. Nem preciso dizer a quantidade de reflexões que isso me trouxe e o enorme aprendizado que vivenciei. Descobri na raça a delegar e deixar de querer ser tão controladora de tudo. Durante um mês eu fui conduzida, meu tempo passou a ser o tempo dos outros, exercitei minha paciência e especialmente a minha gratidão. Gratidão por ser uma condição temporária, por ter tantas pessoas queridas tomando conta de mim, de ter quem cuidasse de meu filho para poder me cuidar, de ter uma gestação saudável e conseguir driblar minhas limitações. 

Passados vinte dias, retornei ao Brasil. Já estava um pouco melhor e ensaiava passos. Pedi penico e não voltei mais pro Mato Grosso. Decidi ficar em Salvador, na casa dos meus pais, minha cidade natal, onde tinha mais suporte. Foi difícil ter que ficar longe de meu marido e não pude nem voltar pra casa para buscar minhas coisas...

Mas, o mais importante é que neste retorno para Salvador uma sequência de anjos começaram a surgir em minha vida. O primeiro foi a mãe de uma amiga de infância, médica especialista em dor e acupunturista. Após algumas sessões fui aos poucos melhorando e me livrando da cadeira de rodas... Os próximos anjos foram os terapeutas que me ajudaram a voltar a andar: terapeuta de Rolfing, fisioterapeuta e professora de pilates. E talvez o mais importante foi o anjo que me apareceu para me ajudar a cuidar de meu filho, permitindo que eu tivesse tempo para cuidar de mim.

A segunda metade de minha gestação foi assim: fazendo algo que não tinha feito desde que tinha me tornado mãe: cuidando de mim. Criei espaço para mim mesma em minha agenda, tinha atividades diárias: Rolfing, Pilates, Fisioterapia, Acupuntura e incontáveis compressas de gelo e quentes... Descobri que meu filho podia ser muito bem cuidado em minha ausência e que era mãe, mas ainda era Camila e precisava me cuidar e estar bem para a chegada de minha filha.


Voltei a andar (mancando até o fim da gestação) e cresci muito como mãe, mulher e ser humano neste período. Foi uma lição para a vida e nem tinha começado, depois da gestação viriam novas batalhas e aprendizados!


quarta-feira, 12 de março de 2014

Bela Cozinha: programa imperdível de culinária no GNT


Imagem retirada do Google Imagens

Não sou muito de TV, mas hoje coloquei o despertador para lembrar da estreia do programa da Bela. Provavelmente o primeiro episódio estará disponível na internet em breve e quem puder, recomendo muito que assista (as receitas ficam disponíveis no site do GNT, então não precisa se desesperar para anotar...). Quem gosta de minhas postagens, certamente gostará do conteúdo do programa. Não é à toa que antes e durante o programa chegaram várias mensagens em meu celular e recebi telefonemas: "Ligue na GNT, está passando um programa que é a sua cara!!" Já estava assistindo, risos!!

A Bela, assim como eu, nasceu em família de macrobióticos e praticantes de yoga e tem tudo isso no DNA. Um privilégio! Quando foi morar sozinha, percebeu que a comida não brotava na geladeira e na mesa e essa foi a sua primeira motivação para explorar o mundo da culinária. Acho que já comentei por aqui que foi exatamente assim que comecei: pela necessidade, quando fiz intercâmbio para a Espanha e acredito que essa deva ser uma história comum à muitas pessoas que descobriram a paixão pela cozinha. 

O programa só tem um GRAAAAANDE defeito: não tem cheiro e não tem prova!!! Ainda bem que tinha acabado de jantar quando vi, caso contrário correria o risco de devorar a TV, o controle remoto... Brincadeiras à parte, o que mais gostei é que ele fala o meu idioma favorito na cozinha, explorando coisas que não têm mistério e que precisam chegar ao conhecimento público: molho de tomate sem ser de tomate, gelatina de alga ágar-agar, abacate, castanhas, banana, ervas, especiarias, receitas sem açúcar e sem leite e tudo muito fresco e colorido: como tem que ser. Nada muito complexo de preparar, motivando quem tem menos experiência e para ficar ainda melhor, tudo com um super toque gourmet para fazer salivar até mesmo os preconceituosos de plantão. Afinal de contas, toda boa refeição começa pelos olhos, não é mesmo?

Geralmente não sou muito fã de assistir programas de culinária, pois consigo "roubar" ideias soltas, mas dificilmente receitas inteiras e menos ainda o programa completo, em relação às coisas que gosto de preparar em casa. Acho que sempre existe o momento de se esbaldar em orgias gastronômicas, mas quando penso em culinária cotidiana, não consigo pensar em sabor e esquecer da saúde. Então, prefiro deixar a exceção para quando estou na rua e encher minha casa de ingredientes provenientes da terra - tais quais os que a Bela explora em seu programa. 

Tenho um paladar muito sensível e considero super saborosas comidas que muita gente rotula como "sem graça". Por outro lado,  não fui criada bitolada só na alimentação macrobiótica, sempre frequentei diversos tipos de restaurantes e tive acesso a temperos dos mais variados desde pequena, e claro, muita comida baiana! Assim, considerando que quem cozinha, cozinha pros outros, é um eterno desafio juntar o gourmet ao saudável e despertar o interesse de pessoas que acreditam que tudo que é bom, necessariamente engorda, faz mal ou é imoral... Afirmação falsa! 

O início do programa foi em Nova York (onde ela estudou grande parte do que ensina) que é o paraíso das pessoas que amam comida saudável, mas não abrem mão de uma bela apresentação e de sabor. Para completar, está bem à frente do Brasil em vários aspectos: com uma escola de referência internacional em culinária natural (onde a Bela estudou) e inúmeras opções de lojas, feiras orgânicas e restaurantes para quem quer explorar o mundo natural. No programa ela foi em dois restaurantes que sou apaixonada: O Souen e o Candle 79 - onde Bela estagiou (que, por sinal, tem um excelente livro de receitas e foi uma grande referência nessa associação do mundo gourmet com o mundo saudável). Enfim, outra parte deliciosa do programa foi essa viagem no tempo, passeando por lugares que AMO e que me inspiram. 

A moda está chegando no Brasil e iniciativas como esse programa na TV só vão ajudar as pessoas a despertarem cada vez mais para a diversificação dos ingredientes, a criatividade na cozinha e a culinária com alimentos DE VERDADE, evitando ingredientes industrializados. A natureza nos proporciona uma infinidade de sabores, cores e texturas - não existe justificativa para apelar para sabores artificiais! 

Vou ficando por aqui, parabenizando a Bela pelo programa, o GNT pela iniciativa e deixando a dica para os meus leitores: acompanhem os programas e aproveitem as receitas, que são de primeiríssima qualidade, assim como as dicas de nutrição que ela vai dando à medida que prepara as comidas, explicando que é completamente possível elaborar pratos saborosos e ao mesmo tempo ultra saudáveis e lindos! Que venham os próximos!!

P.S.: Para quem tiver interesse, já dediquei três posts ao turismo gastronômico natureba em Nova Iorque.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

SUPERAÇÃO: Vídeo para Beijar o Padeiro

Pratico natação desde os sete anos de idade e entre idas e vindas já conheci muita gente inesquecível e inspiradora. Em 2003, em meu treino tinha um anão e um cara com uma perna só: era incrível observar a garra e a superação deles, que não ficavam para trás de ninguém na turma, apesar das adversidades... Em 2004 comecei a nadar com um paraplégico e nesse tempo já não fazia mais parte de nenhuma equipe, era nado livre - ou seja, ninguém para cobrar, exigir ou passar o treino: pura força de vontade e determinação. Ele tampouco fica para trás em termos de velocidade, preciso unir pernas e braços para competir com as suas fortes braçadas! Ficamos amigos e sua alegria de viver e entusiasmo sempre foram contagiantes: até hoje lembro dele quando entro em fases preguiçosas, pois é fiel à natação faça chuva ou faça sol, já eu, carrego o título de 'nadadora de verão' no clube. Nem preciso dizer que não me orgulho nem um pouco deste meu apelido e admiro profundamente a garra de quem supera obstáculos que para muitos parecem intransponíveis. Ter conhecido esses atletas é um grande motivo para beijar o padeiro, ser grata pela vida e ter grandes exemplos do que é saber extrair o melhor dela. Claro que lembrei deles quando assisti este vídeo... Simplesmente emocionante! 

Vídeo feito por Renato Cabral e narrado por Leandro Sosi 



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Nascimento de Leonardo

Os primos ganharam posts aqui no blog e não poderia ser diferente com ele... A tia coruja (que preparava os posts) agora virou mãe e eu resolvi assumir o papel da tia coruja para dar as boas vindas a Leonardo!


Talvez esta tenha sido uma das chegadas mais esperadas que já vivenciei. Acompanhei a sua gestação desde o início, quando foi o meu estudo de caso na faculdade, para a disciplina de Nutrição Materno Infantil. 

Gostei tanto da experiência que prossegui o acompanhamento até o nascimento, abordando muito mais do que a nutrição materna durante a gestação. O meu interesse pela gestação saudável e pelo parto ativo é algo que sempre comento por aqui. Nos últimos nove meses tive a oportunidade de acompanhar uma gestante semanalmente e saber cada detalhe de tudo.

Gostaria de agradecer à  mãe de Leonardo, por ter me proporcionado tanto aprendizado! Além disso, de parabenizá-la por ter sido uma gestante tão dedicada, que buscou se informar tanto e fazer o melhor para o desenvolvimento saudável de seu bebê. Nadou, fez ioga, praticou exercícios de respiração diários em casa, mudou a dieta, cuidou do sono, evitou o estresse... Um exemplo!!

Foram seis meses de aulas preparatórias semanais pra provar que santo de casa faz milagre sim. Tenho em casa uma joia rara e uma oportunidade de ouro de aprender diariamente coisas que muitas pessoas vão longe para aprender... Com experiência de mais de 17 anos de curso preparatório para o parto natural, tendo acompanhado mais de 300 gestantes (foi doula antes de existir esta nomenclatura), feito dois partos naturais domiciliares em uma época em que pouco se escutava sobre a humanização do parto, tive o privilégio de ser educada por uma mãe e em um ambiente ideal para me apaixonar pelo tema da humanização do parto. Desde o início do ano ela tem me preparado para estar apta a fazer o mesmo que já fez por tantas mães...! Provando também que em casa de ferreiro o espeto pode ser de ferro! =)

Tenho certeza que a conscientização materna e os cuidados durante a gestação fazem toda a diferença para o surgimento de uma geração muito amada e cheia de bons valores, diferenciais na sociedade cada vez mais mecanizada e menos humana em que vivemos. Vejo surgir cada vez mais profissionais voltados à trabalhos que buscam reviver condutas mais humanas de vida e sinto que a tendência é só aumentar... No setor materno infantil, especificamente, vejo surgir: casas de parto, hospitais com leitos voltados ao parto ativo, médicos que esperam pacientemente longos trabalhos de parto, professores de yoga e pilates para gestantes, doulas, enfermeiras obstétricas, acompanhamento pré-natal multidisciplinar... É uma grande mudança de paradigmas na sociedade e felizmente "a moda" está pegando!!

Que venha o futuro: com menos cesarianas, menos ocitocinas sintéticas, menos episotomias, mais alimentos integrais e orgânicos, menos sedentarismo, menor consumo de carne, maior consciência ecológica, menos guerra e mais amor...! Como diria John Lennon: "You may say I´m a dreamer, but I´m not the only one" - "Você pode dizer que sou uma sonhadora, mas sei que não sou a única..."



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Muito além do peso

Ontem fiz uma análise crítica deste documentário, o que não significa que seja ruim. Não é mesmo!! Conteúdo muito rico e excelente ferramenta educacional para alertar pais e filhos acerca do que realmente está contido dentro das lindas embalagens de produtos industrializados...

Não é de hoje que falo sobre isso: o perigo do excesso de sal, gordura, açúcar e aditivos químicos artificiais na comida industrializada. A educação é a melhor solução para a epidemia de obesidade em nosso país. Hoje 1/3 da população brasileira está obesa e junto com o excesso de peso, muitas outras doenças vêm à reboque: pressão alta, colesterol alto, enxaqueca, diabetes, problemas renais, artrite, câncer... Isso sem falar nos problemas psicológicos decorrentes da discriminação.

O sistema de saúde simplesmente não tem como suportar isso, mais um pouquinho e veremos um colapso total acontecer. A prevenção é a melhor ferramenta e esta começa pela boca.

Recomendo que assistam o vídeo postado abaixo com a visão de que se não assumirmos o problema como nosso, ele não será resolvido. Ou seja, não adianta buscar os bodes expiatórios e querer se sair de vítima. A culpa é de cada um de nós quando decidimos comprar um produto desses no supermercado ao invés de optarmos por aquilo que vem da natureza: cereais, leguminosas, frutas, hortaliças, temperos e ingredientes que formam uma verdadeira refeição: digna de prato, garfo, faca e família reunida ao redor da mesa. Lembrando que crianças não têm autonomia financeira e nem doméstica para tomar estas decisões, ou seja, comem aquilo que seus pais compram e oferecem para elas.

Como disse a Ann Cooper, em uma das suas entrevistas que aparecem no documentário: a educação nutricional precisa ser pauta diária na vida das pessoas, pois ela faz parte de todos os dias de nossas vidas. Nada contra a matemática, a literatura, a arte e tudo mais que é ensinado nas escolas... Contudo, não existe nada que seja mais fundamental e imprescindível na vida de qualquer pessoa diariamente do que a alimentação.  A falta de informação da população sobre o tema é assustadora, isso pode ser visto claramente neste documentário. A educação nutricional é uma necessidade extrema, precisamos lutar por isso!!


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Ética médica na obstetrícia


Imagem retirada do Google Imagens

Não se faz mais médicos como antigamente... Acabei de ver uma matéria sobre a cobrança de taxa extra por obstetras para garantir que estejam presentes até que suas pacientes entrem em trabalho de parto. A alegação é que para o médico estar disponível no fim da gestação é preciso pagar para compensar este trabalho “extra”. Como se não bastasse os altíssimos índices de cesarianas no país, agora esta novidade!!

Vivemos em um país onde a saúde pública é precária. Por conta disso, muita gente se sacrifica para pagar um plano particular, justamente pela garantia de atendimento com hora marcada e o mínimo de conforto. Aí vem uma surpresa dessas! Além do plano de saúde, uma taxa extra, estipulada a critério do médico no dia da primeira consulta pré-natal, a ser paga durante toda a gestação...

A escolha pela carreira médica não é uma imposição da sociedade. Muito pelo contrário, as pessoas que escolhem esta profissão costumam estudar bastante, por vontade própria, até alcançarem seus títulos. Depois de formado, o médico não é obrigado a trabalhar para a rede pública, pode optar em se filiar a um plano de saúde ou atender apenas particular. Uma vez feita a escolha do modo de trabalho, cabe ao profissional aceitar as regras do jogo. Se o plano de saúde está pagando mal, é papel do médico deixar de aceitar o convênio, mudar para outro ou até negociar com a seguradora. O que não dá, é para repassar o problema para uma pessoa fragilizada, que se encontra insegura com o parto. No meu vocabulário isso se chama chantagem emocional...

A mesma chantagem emocional é notada nos casos em que obstetras influenciam pacientes, em total condição de fazerem partos normais, a se submeterem ao processo cirúrgico de uma cesárea. Os motivos? Preguiça de acompanhar um parto longo e demorado, má vontade de ficar à disposição das pacientes, comodidade de ter uma agenda com horários certinhos ou até o fato de assim serem mais bem remunerados.

Outro aspecto que deve ser levado em consideração é a quantidade de especializações médicas existentes. Pressupõe-se que alguém que escolha seguir a carreira obstétrica deva estar disposto a executar o trabalho plenamente: acompanhando suas pacientes da gestação ao parto. Se este tipo de serviço não agrada, o médico pode optar somente pela ginecologia. É o caso da minha ginecologista, por exemplo, ela só atende em consultório e não é obstetra. É um direito dela e de qualquer profissional, escolher o serviço que deseja, ou não, prestar. O que não dá é que o profissional se comprometa com um serviço e execute outro, ou então que imponha regras financeiras para prestar o serviço completo, quando não existe uma opção do serviço ser feito pela metade.

Comparando com uma situação comum, uma pessoa que vai ao restaurante pode escolher comer somente a refeição ou acrescentar uma sobremesa. Ela não sairá prejudicada caso opte pelo básico, que seria só o prato de comida. Já uma pessoa que está grávida, não pode fazer só o pré-natal e deixar de fazer o parto. Logo, não há como o serviço ser prestado pela metade ou necessitar de condições especiais para ser completo. Trata-se de um serviço único: com começo, meio e fim. Claro que existem eventualidades, onde o parto é muito rápido e não dá tempo do médico chegar. Mas, nas “CNTPs”, normalmente dá tempo de sobra para chamar o médico e dele chegar à tempo, ainda por cima com todas as facilidades de comunicação atuais...!

É bom divulgar que esta novidade da “taxa extra” não é uma prática regulamentada e a orientação é que esses médicos sejam denunciados ao plano de saúde do qual são afiliados... O problema é que as pacientes ficam nas mãos desses profissionais, pelo fato de, em muitos casos, já serem pacientes há bastante tempo e sentirem-se inseguras de ficarem nas mãos de um profissional desconhecido. Por isso, acabam concordando com a tal taxa. Que tipo de parceria é essa? O médico conquista a confiança do paciente e na hora que ele está mais frágil, ao invés de apoiar, “mete a faca”? E a ética, onde fica nisso tudo?

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

TAI-KYO: EDUCAÇÃO EMBRIONÁRIA

Ótimo texto publicado na página da Ecobras. Boa leitura!























Imagem retirada do Google Imagens

"A gravidez é o tempo quando a constituição básica da criança é formada e é esta constituição que vai determinar primeiramente o tipo de vida que a criança apresentará. Se uma mulher grávida for bem cuidadosa com relação a sua saúde e ALIMENTAÇÃO durante a gravidez e colocar todo o seu amor e energia para criar um bebe saudável, ela então não terá que se preocupar tanto com a saúde da criança quando ela crescer.

Como resultado deste cuidado será muito mais fácil para a criança crescer naturalmente e se desenvolver com menos interferências artificiais. A chave da saúde e felicidade de toda a família está em dar a nossas crianças a NUTRIÇÃO e ambiente próprio durante a sua vida no útero.
Durante a gravidez os sentimentos de felicidade, calma e tranquilidade têm uma influência positiva e definitiva no desenvolvimento da criança.

Nossos pensamentos e emoções geram vibrações no cérebro que ultrapassam além do canal principal para o centro de energia abdominal localizado no fundo no útero onde o bebe é nutrido. Portanto, a qualidade de nossos pensamentos e emoções durante a gravidez tem uma influencia direta no caráter da criança.

No Oriente a prática tradicional de Tai-Kyo ou educação embrionária era a base deste relacionamento. Esta prática reflete a compreensão de que a educação de um bebe começa na concepção e continua por toda a gravidez. A educação recebida no útero era na época considerada mais importante do que a recebida após o nascimento.

Além disso, acreditava-se que uma mãe preguiçosa, lamurienta ou com temperamento curto poderia dar nascimento a crianças que manifestariam tais características mais tarde. As mulheres eram então encorajadas a permanecer calmas e tranquilas por toda a gravidez em ordem de produzir crianças com características similares.

Em épocas tradicionais assim que uma mulher tomava consciência de que estava grávida ela imediatamente começava a fazer com que o seu ambiente de casa se tornasse bonito e harmonioso. Ela removia qualquer objeto que fosse triste ou desagradável e o substituía com temas artísticos ou religiosos ou cenas bonitas de natureza. Muitas mulheres liam ou escreviam poemas e estudavam clássicos espirituais e filosóficos e praticavam meditação, cânticos ou orações durante a gravidez.

Ao mesmo tempo elas evitavam cuidadosamente atividades e experiências violentas, caóticos e deprimentes dando preferência a atividades mais naturais, tranqüilas e harmoniosas.
Embora o mundo moderno seja muito diferente do tradicional é ainda de vital importância que uma mulher deva manter uma vida tranqüila, ordenada e uma alimentação de qualidade saudável enquanto ela está grávida e após a gravidez.

O marido deve cooperar ativamente para tornar a experiência da gravidez mais tranquila e natural possível porque ele atua e interfere fortemente nos pensamentos e emoções de sua parceira." Aveline Kushi


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O Mito da Vitamina B12

Escolhi a foto de uma comida que amo para ilustrar esse texto (Foto: Kundan Palma, prato: Camila Lisboa). Pouco conhecido no Brasil, esse prato contem tempeh na chapa com óleo de gergelim, shoyu e nirá! Delícia!! =)

Nunca comi carne vermelha; frango, só se for caipira (umas 2x ao ano); peixe e frutos do mar esporadicamente... Não posso dizer que sou vegetariana, mas sou quase!! Os vegetais e cereais são a base de minha dieta.

Uma das razões que não me torno vegetariana é que prefiro ter uma boa proteína animal de vez em quando a suplementar Vitamina B12, manipulada. Acredito muito na energia dos alimentos como nutriente principal, e por isso evito ao máximo produtos industrializados... Assim, abasteço meu corpo com nutrientes provenientes de dieta e não através de cápsulas e comprimidos...  

Por ter estudado em escola americana a maior parte de minha vida, muita gente duvidou da capacidade de passar no vestibular (passei em todos, inclusive na UFBA e na UNEB, super concorridos) e principalmente de saber português (não sou nenhuma 'expert', mas o blog é uma pequena prova de que desenvolvi bem o idioma, não é mesmo?). Da mesma forma, sempre me perguntaram se eu não tinha anemia por não comer carne e recentemente começou a moda da deficiência de B12. Sempre fui muito cuidadosa com exames de rotina e nunca tive nenhum tipo de carência: nem de cálcio, nem de ferro, nem de vitamina B12... NADA!!! Por outro lado, conheço muita gente que estudou em escola brasileira, teve problemas em passar no vestibular e comete pedradas no idioma português... Isso sem falar nos inúmeros carnívoros anêmicos que encontro por aí... Exemplifiquei tudo isso para mostrar que nossa sociedade é cheia de mitos. Eu não sou exemplo de nenhum tipo de milagre e sim de um estilo de vida saudável e equilibrado.

Hoje recebi um texto de uma amiga que achei a cara de muitas das minhas crenças. Apesar do meio acadêmico ser guiado apenas por aquilo que é cientificamente comprovado, meus estudos e prática pessoal  me fazem  questionar um pouco a ciência, até porque, ainda existem muitas perguntas sem respostas e contradições eternas... Na ciência: um dia o ovo é bom, no outro é vilão... Por aí vai... Fica difícil confiar tão cegamente nos artigos publicados. O tema é bem polêmico, mesmo assim resolvi compartilhar. Espero que gostem!

O mito da vitamina B12 e o vegetarianismo
Texto de Paula Savino (baseado nos ensinamentos do prof. Michio Kushi)


Muito se tem dito sobre a inexistência da vitamina B12 em alimentos de fonte unicamente vegetal, no entanto existe uma má compreensão sobre o assunto. Muitas pessoas entre médicos e nutricionistas acreditam que ela só é encontrada em alimentos de origem animal como carne de fígado, ovos e laticínios.

Primeiramente antes de entrarmos em controvérsias, vamos dar uma olhada no que é exatamente a vitamina B12 e como ela trabalha para manter nossos corpos saudáveis. A vitamina B12 ou cobalamina é um complexo solúvel em água, essencial para o crescimento e para a função neurológica. Imprescindível para a síntese do DNA e por esta razão para o desenvolvimento celular.

A insuficiência da vitamina B12 tem efeito imediato nas células vermelhas do sangue que estão entre as células de multiplicação mais rápida do organismo. Sem vitamina B12 suficiente as células não se desenvolvem adequadamente, elas se tornam aumentadas e gradualmente menos e menos células são produzidas deixando o corpo sem oxigênio, fraco e pálido.

Uma deficiência de vitamina B12 também pode causar danos neurológicos. Os efeitos começam com indiferença e sensação de formigamento nas mãos e pés, evoluindo para uma eventual perda de sensibilidade nos membros inferiores, que sobe pela coluna espinhal reduzindo a coordenação motora e finalmente afetando o cérebro. Inicialmente as pessoas podem apresentar mudanças no temperamento, cansaço e irritabilidade e isto pode deteriorar-se para perda de memória, psicose e finalmente morte.

A anemia perniciosa é o resultado da inabilidade de absorver a vitamina B12 e é aptamente denominada por causa da sua tendência de progredir calmamente até subitamente explodir em uma aguda falha neurológica, na qual o dano possa ser irreversível. Crianças que se apresentam com carência de B12 têm a tendência de se desenvolverem mais lentamente.

Uma das razões de que as insuficiências de B12 são raras é que as suas necessidades são as mais baixas de todas as vitaminas. O organismo a reserva tão bem que a maioria das pessoas carrega reservas de B12 por muitos anos. As dosagens de B12 recomendadas pela Food And Nutrition Board da National Academy of Science vai de 0.3 microgramas para crianças, de 3 microgramas para o adulto e 4 microgramas para as mulheres grávidas e em fase de lactação. Muitos pesquisadores acreditam que nós podemos utilizar menos quantidades de B12 e alguns nutricionistas dizem algo em torno de meio micrograma por dia. As deficiências são maiores em países do Ocidente e se apresentam comumente devido a uma inabilidade de absorver o nutriente mais do que uma falha na dieta.

Segundo Rudolph Ballentine (médico e diretor do Himalayan Internacional Institute, EUA), a vitamina B12 é frequentemente encontrada como uma bactéria ou bolor na casca de frutas e vegetais plantados organicamente. Nas culturas onde os alimentos são ainda organicamente plantados e não processados quimicamente e onde não existe o consumo de ovos, carne ou leite, a deficiência de vitamina B12 é rara. Alimentos plantados organicamente geralmente também contêm traços de bactérias do solo ou mesmo pequenos insetos que são difíceis de serem vistos ou removidos completamente. Estes fatores por si só podem ser suficientes para prover as pequenas doses de vitamina B12 que são necessárias. Quando os alimentos são plantados com o uso de pesticidas, os insetos e bactérias são eliminados totalmente e o processamento químico para torná-lo mais longo para o consumo poderá remover qualquer traço da vitamina B12.

Segundo Herman Aihara, fundador do GOMF (George Oshawa Macrobiotic Foudantion) de acordo com a ciência moderna a B12 é uma vitamina que contém cobalto, que permite que o corpo converta ferro em células vermelhas do sangue. De acordo com o ensinamento da macrobiótica, a B12 é uma enzima ou substância intermediária que promove reações químicas e a transmutação dos elementos.

Dr. K. Morishita alega que nós somos capazes de manufaturar a vitamina B12 da celulose pela bactéria existente no intestino grosso, como nós fazemos no caso da vitamina B1 e B6. De acordo com a compreensão macrobiótica o plasma sangüíneo é formado pelos intestinos e é depois transmutado em células brancas e vermelhas do sangue. O consumo excessivo de alimentos quimicalizados e o uso desmedido de medicamentos químicos como os antibióticos enfraquecem e destroem a flora intestinal (que contém micro-organismos benéficos) e interferem na formação da B12 pelo próprio organismo. Portanto intestinos saudáveis e mastigação completa são os agentes mais importantes para curar a anemia por falta de B12.

Ainda de acordo com o Dr. Morishita, as pessoas que estão mudando seus hábitos convencionais alimentares em direção a uma dieta de base mais vegetariana devem consumir regularmente durante a fase de transição, sopa de missô ou pasta de missô com tahine, missô refogado com cebolinhas verdes, mochi (bolinhos feitos a partir de arroz moti integral), peixe de carne branca e ocasionalmente ovos orgânicos se necessário. Em casos severos de anemia perniciosa devem ser incluídas quantidades moderadas de carne de fígado animal.

De fato algumas pessoas acreditam que é quase impossível se ter uma deficiência de B12 a menos que existam problemas de absorção haja vista que o organismo produz a B12 nos intestinos. Existem vários outros fatores que confundem o assunto da B12 e vegetarianismo, incluindo a existência da falsa B12 que os laboratórios confundem com a B12 real e diferentes testes para a medição de B12 nos alimentos. Na verdade os novos estudos de laboratório não têm oferecido uma palavra final sobre esta controversa vitamina.

Defensores do vegetarianismo têm mantido que a vitamina B12 pode ser encontrada em todos os alimentos fermentados, particularmente em alimentos derivados da soja como tempeh, missô, shoyu, nattô e também em fermentos biológicos, em fungos como o cogumelo shitake, em algas marinhas e micro-algas como a espirulina e a clorela.

Embora se saiba que a vitamina B12 não é produzida por nenhum alimento vegetal diretamente, proponentes de fontes vegetarianas da vitamina B12, afirmam que as bactérias que crescem nestes alimentos causam quantidades apreciáveis de vitamina B12.

O tempeh indonésio contém 1.5 a 6.3 microgramas de B12 por 100 gr de porção, o suficiente para satisfazer as necessidades da Academia Nacional de Ciências dos EUA No entanto, preocupações com relação a um maior saneamento no meio da produção, diluições no inoculador e outros procedimentos diferentes dos métodos tradicionais de fabricação, interferiram na qualidade final do produto, diminuindo consideravelmente o seu conteúdo de B12. Hoje em dia o tempeh é fabricado nos EUA e no Canadá em ambientes livres de bactérias e em equipamentos mais sofisticados e mais asseados, diferentemente  do tempeh tradicional fabricado na Indonésia  envolvido em folhas de bananeira e sem saneamento excessivo e contudo rico em vitamina B12.

Segundo o microbiologista de alimentos, Steinkraus “é o saneamento pobre que produz um tempeh rico em vitamina B12. Os casos de deficiências de B12 no 3º mundo são raros. Esta é uma das vantagens de um ambiente menos asséptico”.

De acordo com o Prof Michio Kushi, o problema da vitamina B12 e o vegetarianismo é muito simples: “Uma dieta equilibrada se consiste de uma ampla variedade de cereais integrais, vegetais frescos e cozidos, feijões e derivados da soja como tofu, tempeh, missô, shoyu,etc. algas marinhas, nozes e sementes, frutas da estação e uma variedade moderada de alimentos do mar  como peixe e frutos do mar .Uma dieta equilibrada que inclua uma variedade de tais alimentos poderá suplementar definitivamente todos os requerimentos nutricionais necessários. Infelizmente existem alguns adeptos do vegetarianismo que tentam seguir uma dieta excessivamente estrita. Se as pessoas limitarem severamente suas dietas, elas poderão experimentar insuficiências nutricionais incluindo uma deficiência de B12 . Isto não significa  que toda dieta vegetariana seja deficiente, mas que apenas os princípios e técnicas culinárias não estão sendo propriamente aplicados. Alimentos tradicionais fermentados, algas marinhas, peixe e frutos do mar são ricos em vitamina B12. No caso das algas marinhas é importante notar que o demolho pode esgotar quase que totalmente a B12. As algas devem apenas ser esponjadas ligeiramente de forma a remover qualquer areia ou sujeira antes de cozinhá-las. Se forem deixadas de molho, a água do demolho deverá ser utilizada no cozimento”. Para mulheres grávidas ou que estejam amamentando e que precisam de uma fonte abundante de vitamina B12, Michio Kushi recomenda que elas se alimentem de forma a satisfazer os seus desejos. “Se elas desejam ovos ou galinha, estes devem ser orgânicos. O consumo de proteína animal pode ser enfatizado e consumido 2 a 3x na semana em quantidades moderadas, 5 a 10 % do volume total da refeição. Nestes casos os peixes de carne branca e alguns frutos do mar são usualmente as melhores fontes de origem animal de B12. 

As crianças com carência de B12 também podem incluir uma quantidade regular de peixe na sua alimentação de base assim como moderadas quantidades de alimentos que contenham gordura insaturada. A maioria das crianças adora alga nori e elas podem consumir de 1/2 a 1 folha de nori a cada dia. Em casos severos de má nutrição, a criança deve alimentar-se mais abertamente, incluindo outros alimentos de origem animal (ovos, galinha e laticínios orgânicos) se for necessário.”

É muito importante que as pessoas que praticam o vegetarianismo evitem uma mentalidade rígida e inflexível. Nós todos devemos desenvolver mentes flexíveis e amplas propostas de vida. A variedade de alimentos que nós consumimos e a maneira com que os preparamos, contribuem em grande extensão para uma visão mais ampla da vida. As necessidades de micro nutrientes individuais podem não ser tão importantes se nós não formos capazes de compreender e agir de maneira dinâmica em ordem de equilibrar a nossa saúde.

A visão holística de nos alimentar nos dá os instrumentos necessários para que possamos estabilizar a nossa saúde e estimular as nossas vidas. Como pessoas livres não precisamos limitar as nossas perspectivas de vida e nem a nossa proposta com relação a uma dieta. Usando a nossa intuição e nos alimentando de uma maneira equilibrada estaremos nutrindo o nosso organismo adequadamente.

As deficiências nutricionais aparecem quando nos tornamos deficientes com relação à compreensão dos amplos princípios da vida.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Animais de estimação



Nunca fui fã de ter animais de estimação, mas conversando com uma amiga, recém-casada, acabei de ver que tem um lado super positivo. Esta minha amiga, ganhou um cachorro de dia das mães e está tendo a experiência de fazer um “estágio” como mãe antes de ter um filho de verdade.

Nunca tinha pensado desta forma, mas conversando com ela, percebi que faz muito sentido. Uma criança muda completamente a rotina de um casal. Criar um cachorro antes de ter um filho me pareceu um excelente treino.

Ela estava me contando que durante o primeiro ano de casada, ela e o marido não tinham horários, responsabilidades, nada. Saiam e voltavam na hora que queriam, cuidavam um do outro, mas como maiores de idade, vacinados e independentes.

A principio achei uma dor de cabeça desnecessária. Ela me explicando que não pode viajar ainda, pois o cachorro ainda é muito pequeno, não pode ir pra hotéis de cachorro. Significa que durante três meses ela fica um pouco presa à casa por causa do cachorro. Tem que ver os horários de chegar e sair de casa para dar a comidinha dele. Enfim, o casal agora está cheio de travas que nunca existiram. Isso sem falar em custos que passam a existir, mas que ainda assim são muito menores do que aqueles gerados por uma criança...

Ruim? Tem que ver o ângulo que se analisa. Se um casal não consegue se comprometer a um cachorro, abdicar de três meses de viagens aos finais de semana ou ter que adaptar a rotina deles à este pequeno ser (que é muito mais independente que um recém nascido), como fará no dia que tiver uma criança?

Conheço jovens mães que não tem paciência nenhuma, não querem amamentar (não por falta de leite e sim pelo trabalho que dá), querem ir pra rua o tempo todo, festas... Enfim, resolvem virar mães, mas querem continuar com o desprendimento de uma vida de solteira, ou de casal sem filhos. Ou então pais, que continuam indo para mil happy hours após o trabalho, chegando a casa tarde, sem cair a ficha de que devem dividir as responsabilidades...

Poder pagar uma empregada hoje em dia virou condição sine qua non para quem quer ter filhos. Não estou dizendo que esteja errado. Uma ajuda é sempre bem vinda. Mas tem muita gente que não encara ficar sozinha um minuto com o próprio filho. É empregada, babá, enfermeira, folguista, folguista da folguista... Algumas nem trabalham fora de casa, para justificar um aparato tão grande.

Ainda não tive os meus e posso estar fazendo um mau julgamento. A ideia do post não é essa e sim qualificar a iniciativa da adoção de um animal de estimação como treino (para quem gosta) para casais que pensam em ter filhos. Pareceu-me o primeiro passo para se acostumar com todas as mudanças que uma criança gera na vida de um casal. É isso aí, renovação de conceitos, sempre bem vindas. Nunca pensei que acharia positivo um animal de estimação... Continuo sem querer um, mas apoio quem queira! 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Gestação Saudável


Foi-se o tempo em que as mulheres preocupavam-se em ser boas donas de casa para casar. Hoje em dia é muito raro encontrar casais recém-casados que, sequer, façam refeições juntos em casa. Normalmente cada um vai pro seu trabalho, comem pela rua e encontram-se à noite. Aí, normalmente fazem um lanche qualquer e quando cozinham, muitas vezes é uma massa branca com molhos prontos/industrializados. A alegação é sempre a mesma: muito cansaço para perder tempo na cozinha e a praticidade vem em primeiro lugar! Depois do casamento homens tendem a cultivar uma barriga de cerveja e as mulheres, normalmente preocupam-se um pouco mais com a estética, mas não necessariamente com a saúde.

Sempre falo aqui sobre as doenças crônicas não transmissíveis, pois são a praga do século. Este final de semana estive com uma pessoa de minha idade, com uma coleção de doenças crônicas, como: sinusite, rinite, gastrite, refluxo e pra completar tendinite (esse último ela não consegue achar que tenha a menor ligação com a alimentação e pros outros, acha que a solução é uma bateria de remédios). Esse quadro me assusta porque é fora de minha realidade, mas sei que é muito comum. Estou falando da próxima geração de gestantes, já que a prevenção de doenças crônicas começa na vida intrauterina.

Existem vários aspectos para cuidar nesse período. O primeiro é o ganho de peso. Algumas mulheres demonstram essa preocupação, mas não necessariamente com a qualidade do que comem e sim com a contagem calórica. Esse tipo de pensamento pode resultar em gestantes magras e com deficiência nutricional. Outras aproveitam a gestação para enfiar o pé na jaca e deixam para correr atrás do prejuízo nove meses depois.

Para esse segundo grupo, gostaria de lembrar que existem trabalhos científicos que demonstram que gestantes que ganham muito peso geram bebês mais resistências à insulina, com menores níveis de adiponectina circulante (hormônio regulador da glicemia e do catabolismo de ácidos graxos). Além disso, essas crianças já nascem hiperfágicas, ou seja: gulosas! Todas essas alterações metabólicas aumentam a propensão ao desenvolvimento de doenças como: obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e própria síndrome metabólica que inclui essas e outras, que estão intimamente relacionadas.

Durante o período embrionário o feto passa por mais mudanças e multiplicações celulares do que o que passará no resto de toda a sua vida. São nove meses de multiplicação celular intensa, onde a cada segundo novas transformações estão ocorrendo. Por esse motivo, alterações de humor, stress, medicamentos, “comprimidinhos corriqueiros” e principalmente a dieta são decisivas para a formação de um bebê saudável. A alimentação deve ser variada e repleta de vitaminas, minerais e antioxidantes (esses mais fundamentais ainda para mães que fazem uso de medicamentos, pois irão auxiliar na “limpeza” do organismo).

Muita gente hoje opta em suplementar nutrientes, normalmente por falta de tempo para a elaboração de dietas ricas e diversificadas. Pessoalmente, gosto mais da ideia de botar nosso corpo para trabalhar e buscar esses nutrientes nos alimentos, do que de simplesmente fornecê-los de mão beijada. Sem contar que os alimentos possuem inúmeros outros micronutrientes combinados, que produzem efeitos que estão longe de serem completamente decifrados pela ciência. 

Uma suplementação muito comum atualmente é a de ômega-3. No caso da gestação, essa suplementação é um pouco controversa, uma vez que esse ácido graxo essencial vem associado à Vitamina A e esta, segundo estudos científicos, pode ser carcinogênica e  teratogênica quando suplementada, produzindo efeito inverso quando obtida através da dieta. Além disso, é bom lembrar que o ômega-3 possui efeito anticoagulante. Isso pode se apresentar como um fator de risco uma vez que não há como prever a hora exata de um parto e se haverá ou não necessidade de intervenção cirúrgica. Então, melhor buscar fontes naturais de ômega-3, como os peixes de águas frias e salgadas, oleaginosas e sementes, que, por possuírem em sua composição outros nutrientes, não irão gerar riscos hemorrágicos.

Não podemos esquecer a importância da atividade física. A mulher moderna quase não caminha e costuma trabalhar sentada o dia inteiro, até o final da gestação. É preciso que ela encontre um espaço na agenda para a prática de atividades que irão favorecer uma gravidez saudável e também o desempenho do parto como: pilates, ioga, caminhadas e/ou natação. Tudo isso, de preferência, com exercícios voltados a aperfeiçoar a gestação e excluindo posições que possam apresentar riscos ao feto. Por isso, é importante que haja um bom acompanhamento físico, bem como nutricional. Profissionais da área irão garantir um trabalho direcionado, que respeitam a individualidade de cada mulher.