sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Nasce Gonçalinho: 48cm, 3kgs, parto natural...

O nascimento de uma criança é certamente um motivo maravilhoso para beijar o padeiro. Compartilho desta alegria hoje à distância com toda a família e amigos corujas!! Segue poema em homenagem ao nascimento do sobrinho Gonçalinho escrito por Tia Nanda.


Tai e Nego,

Minha criatividade manda
Rimas procurar
Para homenagear
A linda criança.

Ouvi quando pequena,
minha mãe maluca
falar das rimas
de Tio Cuca.

Já adulta,
vou escrever palavrinhas
da minha cuca
para o sobrinho
Gonçalinho,
que logo irá nascer.

Nome de tradição
Chega com grande emoção
Diz Tia Tieta
Pequeno príncipe,
Primeiro Neto
Dos avôs
Gonçalo e Ana.

Todos alegres
Esperando o dia,
De cá vou adivinhando
O jeito do nenem
Pé do pai?
Olho da mãe?
Cara de Gonçalo
Ou de Ana?

Isabel bem de perto
Já sabia e anuncia
A mãozinha é do avô
“Carequinha”
Que espia com alegria
da terrinha

Vermelho do coração
Nego: do pai
Apelido de criança
Será surfistinha
Será tricolor

Ou irá com a tia
Torcer para o time
de amor

Cavalo, Xadrez
Ou armas de paz
Sabor de criança
“Sazon” logo trás

Pedacinho de gente
Cresça, vá em frente
Seja independente
Fale sempre com a gente
Que fica de longe
Imaginando
E logo sente
Saudade, alegria
Magia e expoente
Luz, sol,
sonho de gente

Boy americano
Moleque brazuca
Falará desde cedo
A língua fluente do Sam
E a gíria danada do Zé Zuca

Prá frente, Prá frente
Beijo-lhe contente
Tia sorridente
Do outro continente
Que espera ansiosa
A chegada surpreendente

Tudo muito bem
Graças a Deus
Que com Rad reza
Para a sorte dos seus

Tia Nanda
em 13.12.2009

"Me inspirei no poema de Tio Cuca. Essas palavras misturadas formam uma poema NandaxCuca." Fernanda Souza

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Mais de dois mil anos de sabedoria


Hoje resolvi me basear em citações de Sócrates e Benjamin Franklin, respectivamente, para desenvolver meu texto, seguem abaixo:



“Se com todos os nossos infortúnios fosse erguido um único monte donde cada homem devesse retirar igual quinhão, decerto muitos se contentariam em receber a parte que lá puseram.”


“Todo aquele que não hesita em sacrificar a liberdade para obter uma segurança temporária não merece nem a liberdade nem a segurança.”


O fato de terem sido proferidos com quase dois mil anos de diferença demonstram a atemporalidade da tendência do homem a se apegar ao conhecido e do medo de arriscar. Aí vem o tão conhecido provérbio: “Quem não arrisca, não petisca”. Bem, tudo isso tem a ver com beijar o padeiro: afinal as melhores coisas da vida muitas vezes são frutos de grandes esforços e riscos.


Errar é humano e por isso, aquele que tem a capacidade de aprender com o erro do próximo, poderá se poupar em muitos casos, porém para isso é preciso estar atento ao que ocorre a redor. Nem sempre, no entanto, haverá um fato para se balizar e por isso, arriscar é necessário: servir como referencial e erro para o próximo.


Acredito que quem se predispõe a este risco, pode correr tropeçar e cair algumas vezes, porém, cada queda será mais amena, por não ser a primeira até a hora que a decolagem é alcançada. Pior são aqueles que deixam de caminhar, com medo da queda e ainda sonham em voar enquanto engatinham.


Almejar o sucesso alheio é muito comum. As pessoas sempre se espelham nas conquistas dos vitoriosos, mas o que é poucas vezes comentado são os bastidores destes ícones, o caminho tortuoso, as barreiras encontradas e tudo aquilo que fica no passado quando se comenta o presente.


Considero super saudável que se tenha ídolos para se espelhar e crescer, porém penso que se deve ter sempre em mente a busca da compreensão completa da trajetória que transformou esse personagem em herói, para vê-lo como humano, palpável e possível de ser você o próximo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Vovó que Beija o Padeiro


Essa semana levei minha avó ao médico, nada demais, apenas um exame de rotina. Ao buscá-la em casa, ela já me recebeu com aquele alto astral: “Minha filha, não sabia que era você que vinha, que alegria!”

E assim, transcorreu todo o percurso. Ela me perguntou onde era o médico e se eu sabia chegar. Daí falou coisas de sempre: “Eu, como nunca dirigi não sei nenhum caminho, fico no carro só observando a rua e a paisagem até que de repente chego ao destino... Nunca sentei do lado do motorista, sequer coloquei a chave.” Com todo aquele orgulho de pertencer à outra época.

Chegando ao local dispensou minha ajuda dizendo que tendo corrimão pra subir escada não precisa da ajuda de ninguém e lá foi ela, degrau por degrau. Tudo em mãos, requisição, identidade, plano de saúde e bote saúde nisso!!

Na espera ficamos papeando, mas rapidamente ela foi chamada, entrou sozinha e saiu comentando que nunca tinha feito nada parecido e me explicou os procedimentos do eletrocardiograma. Que sonho, aos noventa fazendo seu primeiro eletro e ainda só por check-up.

No retorno para casa, me contou pela centésima vez a história de seu apartamento. Que era exatamente como ela queria e que foi um achado! Primeiro andar (não servia nem térreo nem segundo, tinha que ser primeiro!), virado pra rua (ela acha um tédio olhar pros fundos, gosta mesmo de ver o movimento da cidade), de escada (para que elevador quando se tem saúde e pernas?) e uma varandinha (onde todo santo dia caminha após as refeições e cumprimenta todos os vizinhos de tantos anos que por ali passam). Pra completar: perto de tudo, podendo fazer tudo a pé e sozinha, inserida no centro urbano com vida de cidade de interior. Shopping, banco, mercado, armarinho...

Foram algumas horinhas mais que agradáveis como sempre. Ela como de costume, feliz da vida, observando a rua, admirando as árvores na cidade e comentando o quanto a cidade é bonita, iluminada, arborizada... Podia ter reclamado do calor, do trânsito, podia achar o apartamento antigo ou pequeno (raro encontrar alguém que ache que o que possui no presente corresponde ao mesmo sonho de 40 anos atrás numa sociedade que nos leva sempre a acreditar que tudo está ultrapassado após dois anos de uso). Não sei se isso é um reflexo de anos de vida, afinal a velhice é sábia, pois não convivi com ela na sua juventude e mesmo há alguns anos talvez não tivesse essa percepção crítica. Porém, o fato é que é uma pessoa admirável, leve, de bem com a vida, alegre e que apesar de um pouco teimosa se enquadra perfeitamente no espírito de beijo no padeiro!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Natal Valenciano


Mais um ano se inicia e vou abrir o blog em 2010 com um toque saudosista, recordando um Natal peculiar, único e memorável de minha vida.




Dezembro de 2007: estava eu, vivendo há quatro meses na Espanha, compartilhando uma rotina, um lar e um quarto com pessoas que conhecia há cerca de seis meses. Chegada à hora do Natal, dois dos “Hermanos Valencianos” receberam visitas de seus irmãos de sangue e estes se agregaram ao Natal da grande família de baianos residentes na Calle José Capuz no ano letivo de 2007/2008.



Seguindo a tradição preparamos uma ceia e fizemos um amigo secreto. Decidimos que o amigo secreto seria o de troca de presentes, dado ao fato de não conhecermos os gostos dos participantes especiais, recém chegados do Brasil.



Alguns dias antes, um “maior abandonado” da faculdade, italiano, enviou um e-mail para o grupo dos intercambistas (conhecidos como Erasmus) dizendo que não tinha conseguido retornar para a Itália e querendo saber se alguém poderia adotá-lo no Natal. (A Europa sendo muito pequena e com tantas facilidades de viagens permite que quase a totalidade dos Erasmus, em sua maioria européia, retorne às suas casas para as festas de fim de ano). Ao ler o e-mail me compadeci do rapaz e convidei-o para a nossa ceia, expliquei sobre o amigo secreto de trocar os presentes e pedi que levasse algo para que pudesse participar da brincadeira.



Para preparar a ceia, dividimo-nos em equipes. Como constituíamos dois lares na mesma rua era sensato que a gastronomia fosse repartida nas duas cozinhas, afinal seria muita comida pra pouca mão de obra. O cardápio de praxe: macarrão. Responsabilizei-me pelos molhos de camarão e quatro queijos, Paulinha em fazer a sobremesa e a Sangria (ou “Tinto de Verano”) e o “povo” da outra casa ficou de levar o molho à bolonhesa (que por motivos óbvios me recusei a fazer).



Era lei na nossa econômica casa reciclar sempre! Tudo virava alguma coisa... Potes de 8 litros de água mineral foram recortados e viraram lixeiras. Caixas de achocolatados (bastante herméticas) viravam porta biscoitos e torradas. Caixas de sorvetes viravam vasilhas para comidas e em específico: porta sal (tampa rosa de sorvete de morango) e porta açúcar (tampa marrom do sorvete de chocolate). Vale ressaltar que as marcas campeãs de todos os produtos comprados eram as das fabricações próprias dos supermercados, bons e baratos! Até a famosa Coca Cola foi substituída por Cola Dia e incrivelmente bem aceita por todos os especialistas em refrigerantes.



Para preparar a sangria, obviamente foram utilizados dois garrafões de 8 litros de água, onde foram misturados sucos, vinho barato, frutas e por fim, para dar o toque final: açúcar. Após colocar generosas colheradas do veneno, Paulinha percebeu que havia se atrapalhado e posto Sal ao invés de açúcar. Tínhamos assim 16 litros de sangria absolutamente salobra e intragável.



Os gourmets da casa vizinha chegaram com o molho. Algum mestre “cook” resolveu limpar a carne com limão (como se fosse peixe) e o molho ficou azedo. Para quebrar o gosto do limão algum outro especialista da cozinha sugeriu acrescentar açúcar. Erraram na dose e o resultado final foi um molho à bolonhesa doce.



Com a chegada do gringo (olha a responsabilidade de oferecer massa a um Italiano) logo percebemos o porquê do cara estar órfão no Natal. Ele não era pouco chato e ainda por cima sempre que abria a boca falava alguma asneira ou grosseria. A presença dele foi um incômodo no ambiente desde o começo e resolvemos fazer uma pegadinha. Oferecemos a sangria salgada a ele enquanto todos nós bebíamos vinho normal e enquanto ele fazia caretas, dissemos que era uma bebida típica no Brasil e que seria uma grande desfeita se ele não tomasse. O coitado dava goladas como quem toma um remédio, até uma hora que pediu desculpas e disse que não tinha condições de continuar tomando aquilo.


Ao servirmos a comida, a primeira coisa que ele perguntou foi se os molhos brancos levavam creme de leite, pois era alérgico. Ao dizermos que sim, ele concluiu que o único que poderia comer seria o vermelho (doce) e foi com tudo. Todo mundo estava ciente dos erros nos cálculos gastronômicos de forma que ele foi o único a se aventurar na dita iguaria. Ao começar a comer, tentou ser educado, mas no meio do prato disse que não tinha como prosseguir, pois estava muito ruim. Fizemos um drama, dizendo que era uma desfeita, que ele já tinha reclamado da sangria e agora estava reclamando do molho, que tínhamos recebido ele na maior boa vontade e era assim que ele retribuía, criticando tudo que oferecíamos a ele.



Passado o mal estar alimentício chegou a hora do amigo secreto. Cada um com seu presente (ninguém sabia quem tinha trazido o que) até que surgiu um galo de cerâmica que servia como apito que imediatamente foi apelidado de “pinto” e era necessário que se colocasse a “boca no pinto” para soprar o apito. O italiano explicou que se tratava de um artesanato típico da cidade dele na Itália, mas o presente não fez o menor sucesso, ninguém queria, rodou de mão em mão seguido da galhofa de que quem recebia tinha que “botar a boca no pinto”. Toda a piada em português, o gringo não entendia nada e se sentiu super ofendido ao perceber que o presente dele era rejeitado e motivo de piada.



Ao fim, em meio a desentendimentos, climas estranhos, pessoas que se sentiram muito incomodadas com a presença do sujeito, o resultado da noite foi que a participação do gringo rendeu em boas risadas e a lição de que se alguém está rejeitado e você não conhece é por algum motivo, melhor deixar quieto e não querer dar uma de bom samaritano, principalmente envolvendo outras pessoas.





P.S.: Esse foi apenas o relato de um dos três natais que nós, baianos mais que festeiros preparamos. Um foi antecipado, somente para os membros da minha casa (já que dois deles não estariam na cidade no dia 24) outro na noite do dia 24 e outro que deveria ser um almoço no dia 25, mas que durou o dia inteiro e a comida só foi servida à noite.



O grande vencedor do pinto e sua cara de felicidade!