quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Mineiro é bom de copo


Plena terça feira e acabo de chegar de um típico programa mineiro, afinal, como aqui não tem mar, a galera vai pro bar. O detalhe é que diferente do verão, essa onda não requer sol e muito menos dia, pode ser durante a semana ou nos finais de semana, noite ou dia, todo o tempo é bom para o mineiro tomar uma cerveja ou cachaça.

Um amigo daqui abriu um bar há uns quatro meses e estava devendo uma visita. Um grupo de amigas estava indo lá hoje e resolvi ir também para conhecer e prestigiar. Marcaram cedo, happy hour e antes das 18:00 já estavam me buscando em casa. Eu crente que era programinha light... Que nada, a farra rolou até mais de meia noite e todo mundo comentando agendas lotadas para o resto da semana. Pegaram leve no álcool?? Até parece, a galera tomou todas e eu só na minha aguinha observando o movimento... De quebra fiquei de motorista, já que era a única que não estava bebendo na mesa.

Ilusão pura pensar que o bar estaria vazio por ser uma terça-feira, simplesmente LOTADO!!! O mais impressionante é que como esse boteco, existem três mil espalhados pela capital mineira e todos estão sempre assim, cheios de segunda a segunda a qualquer hora do dia ou da noite. Já viajei muito, já vi muitas culturas etílicas, mas isso aqui é realmente de cair o queixo.

Outro fenômeno é a predominância de mulheres nos bares. A cidade é famosa por ter mais mulheres do que homens e por serem muito bonitas. Os bares não deixam negar, a quantidade de mulheres, tomando umas entre amigas é incrível. Hoje mesmo, estava numa mesa aonde toda hora chegava alguma amiga de uma amiga. Por fim, tinham por volta de 15 pessoas, sendo apenas DOIS HOMENS.

É ou não é impressionante??? Bem-vindo a BH!!!




Obs.: A gastronomia dos bares aqui é um "espetáculo" para mim, acostumada com bares que sempre têm um peixinho, caranguejo, lambreta... Nunca vi tanta carne em minha vida. Na dúvida sempre como antes de sair de casa. Em BH, vários bares se chamam "boi" isso ou "boi" aquilo. Birra é o mesmo que cachaça, bebida, cerveja... 


Boi & Birra - boteco de rua, típico mineiro. Apesar do nome, que nas CNTPs jamais chamaria a minha atenção, o bar é muito legal, o atendimento ótimo, a localização tranquila, excelente pedida para quem quer fazer um programa típico em BH. Para quem não come carne, tem um pão de alho delicioso, provoleta, mandioca e batata frita, além de torradas com patês - muitas opções considerando a maioria dos bares daqui...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Nem 08, nem 80


Há uns anos a ditadura da moda impunha um padrão de beleza que fomentava a magreza extrema entre as mulheres. Aos poucos isso está deixando de existir para dar lugar a um novo padrão de beleza: as obesas!


A epidemia da obesidade americana, como todo o resto que importamos do país, chegou ao Brasil. Antigamente, pobreza era sinônimo de magreza. Hoje, quando vamos às ruas, vemos os pedintes redondinhos. A razão é fácil de explicar: guloseimas repletas de açúcar competem deslealmente com os produtos saudáveis nas prateleiras do mercado. Isso sem falar na cachaça que é estupidamente barata. Com um real, compra-se um grande pacote de biscoitos, uma garrafa de refrigerante ou outros produtos industrializados, que não dependem de fogão, prato, garfo e faca para serem consumidos, sem falar no preço.


Na década de 80 a política de saúde pública americana alertou a população para os riscos cardiovasculares de uma dieta rica em gorduras, criando uma campanha em prol dos baixos índices de gordura nos alimentos. A relação entre gorduras e sistema cardíaco é real, entretanto, não é a única. Com a redução das gorduras nos alimentos, para que o sabor fosse garantido nos mesmos, passou-se a caprichar nos açúcares e condimentos. Falo dos EUA, pois, foi lá que começou esse processo, entretanto, o mesmo, juntamente com as síndromes metabólicas, estão instalados em nosso país há muito tempo.


Qual a relação entre açúcar e coração? Simples, o excesso de açúcar consumido é armazenado no corpo na forma de gordura. Há ainda outro risco, o metabolismo da glicose é completamente diferente do metabolismo da frutose. A glicose é o combustível da vida e pode ser absorvida por qualquer célula no nosso corpo. Além disso, pode ser infinitamente armazenada na forma de glicogênio (que se transforma de glicose quando há falta do mesmo no sangue). Já a frutose, só é metabolizada pelo fígado, não é convertida em energia e seu excesso acaba sendo armazenando sob a forma de gordura.


E de onde vem a frutose? Das frutas? A fruta é uma formação integral da natureza, o que significa que juntamente com a sua porção de frutose, vem também outras vitaminas e minerais, bem como fibras, que ajudam no processo digestivo da mesma. Quando fazemos sucos, entretanto, consumimos uma quantidade muito grande e concentrada de frutose. Dificilmente alguém chupa mais de uma laranja, entretanto, um copo do suco contém pelo menos cinco laranjas, onde predomina uma quantidade excessiva de frutose, as fibras são perdidas, bem como a vitamina C, que é extremamente volátil. Isso sem falar que muita gente ainda tem o costume de adoçar artificialmente os sucos, aumentando ainda mais a dose de frutose. O risco maior, entretanto, não está nos sucos e sim nos derivados das frutas. A sacarose ou açúcar como se sabe, vem da cana ou beterraba, e contém 50% de frutose e 50% de glicose. Já o xarope de milho rico em frutose, produto comercializado com preço muito inferior ao açúcar, pode conter entre 55% e 90% de frutose em sua composição, a depender do tipo utilizado. Ambos constituem uma praga, presente na maioria dos produtos industrializados. Não acredita? Pode começar a verificar os rótulos em sua dispensa e nos supermercados.


E o que acontece com essa frutose? Nosso corpo necessita de energia, que vem da glicose. Nosso cérebro, mais precisamente, só funciona à base de glicose. Acontece que glicose e frutose são duas coisas distintas! Quando consumimos doses excessivas de frutose, esta, em primeiro lugar, não é reconhecida por nenhuma célula no corpo, só podendo ser metabolizada no fígado. Com isso, a produção de grelina (hormônio responsável pela sensação de fome) não é suprimida. Isso significa que aquela velha teoria de que se comermos doces, “matamos” a fome, no caso da frutose é falsa, acumulamos gordura e continuamos com fome. Assim, a frutose consumida acaba se tornando “caloria extra” na dieta, uma vez que sequer mata a fome, muito menos nutre. Para completar, não há receptores para a frutose nas células beta, o que faz com que a insulina não suba em sua presença. Não é necessário saber muito de fisiologia para saber que problemas que envolvem a liberação de insulina estão relacionados com a diabetes, consequentemente com problemas renais, obesidade, problemas cardíacos e hepáticos. Esse conjunto de doenças crônicas é denominado síndrome metabólica e funciona como uma grande bola de neve.


O etanol, ou álcool, não passa por um processo muito diferente do açúcar. Por isso, pode ser considerado açúcar líquido. Seus efeitos são os mesmos (também pode gerar síndrome metabólica), entretanto, como é reconhecido pelo cérebro (e não somente pelo fígado como a frutose), gera outras sensações típicas da embriaguez, como: tontura, diminuição do reflexo e diurese. O resultado de seu metabolismo em termos de acúmulo de gordura é o mesmo, o que faz entender que os malefícios de uma lata de refrigerante, equivalem ao de uma lata de cerveja. O mais triste é que ao menos existem campanhas de conscientização acerca dos danos causados pelo álcool, que inclusive é proibido para menores de 18 anos, já os doces, são venenos da mesma forma e são comercializados largamente, especialmente para crianças.


No passado, gordura era sinônimo de saúde, entretanto, o que vemos em pinturas que retratam os corpos de antigamente, são mulheres cheinhas, longe de serem obesas. Agora, vemos a musa de uma escola de samba obesa. Acho que democraticamente é lindo, mas, por outro lado, estimula que as pessoas sejam gordas e gordura excessiva é sinônimo de falta de saúde. Qual o estímulo que uma obesa terá para emagrecer quando as sex simbols passarem a ser gordas? Será uma grande desculpa para o desleixo com a própria saúde e o corpo. Hoje temos uma publicação da revista Vogue especializada em obesas e pelo visto a moda está pegando. A razão é fácil de entender: é muito mais simples lançar a moda da gordinha sensual e deixar a saúde pública caótica como está, do que mexer nos padrões alimentares atuais, desafio que acarretará numa revolução econômica global.



Inversão de valores nas dietas vegetarianas


Acho o movimento do vegetarianismo e do veganismo super válidos, entretanto me entristece o fato de que muitos dos seus seguidores estão mais preocupados com os animais do que com eles mesmos. Como assim? Deixe-me explicar...


Ao longo de minha trajetória natureba, tenho conhecido todo tipo de gente com filosofias alimentares diferentes. No caso daqueles que fazem dietas em prol de não agredir as espécies animais, tenho percebido que muitos deixam de comer carnes, mas continuam consumindo açúcares, massas brancas, refrigerantes e álcool. São aqueles vegetarianos que sequer comem vegetais. Acreditem, com essa onda verde, de sustentabilidade e de querer ser ecologicamente correto, esse perfil tem crescido muito.

As novas gerações estão muito mais atentas para questões ecológicas do que as passadas, o que é algo louvável se pensarmos que era comum (aliás, ainda é) conhecer pessoas que levantam bandeiras do Greenpeace, mas que comiam carne vermelha, cuja criação consiste em um dos maiores agressores ao planeta.


No mundo tecnológico que vivemos, os alimentos foram reduzidos a nutrientes e assim, muitas pessoas que resolvem virar vegetarianos e têm o mínimo de preocupação com a sua própria saúde (grande parte parece só estar preocupada com os animais) tentam suplementar muito do que falta à dieta. Assim, passam a ter aliementações ricas em carboidratos (massas, pães, biscoitos), comidas industrializadas e comprimidos: suplementos de vitaminas, minerais e tudo que for possível.


Em termos de saúde, sinceramente, acho que ainda fico com a carne, que apesar de muitos inconvenientes, ao menos vem da natureza. Acho que não há nada pior do que uma dieta baseada em produtos que podem ser estocados numa despensa, uma geladeira que sirva para armazenar cervejas e refrigerantes e um freezer que armazene pizzas e lasanhas congeladas. Onde está a vida e a energia desses alimentos? Onde estão os alimentos perecíveis, aqueles que precisam ser consumidos de um dia para o outro antes de estragarem?

Já falei antes da filosofia oriental aqui, aquela do Yin e Yang que equilibra opostos. Nela, podemos classificar extremos yins (álcool, açúcar refinado, café...) e extremos yang (carnes), que, de uma forma também extrema, acabam se equilibrando. Quando uma pessoa se abstém das carnes e continua consumindo massas brancas, excesso de frutas, álcool, refrigerantes e doces, ela tende a ficar desequilibrada energeticamente e consequentemente fraca com a saúde débil.


Antes desse boom de comidas industrializadas e refrigerantes, os vegetarianos, hippies da década de 70, tinham um perfil predominantemente magro, já que tendiam a uma dieta rica em vegetais e cereais integrais. Hoje o que se vê são vegetarianos gordinhos, que trocam o hambúrguer pela batata frita e com sorte tomam alguns comprimidos para não ficarem anêmicos.


Sem querer fazer campanha contra os animais, mas acho que há uma inversão quando se abre mão da própria saúde por causa deles, principalmente na forma radical que vemos hoje em dia. Acho que se alguém pretende fazer uma dieta em prol dos animais, tem que pensar antes em fazer uma dieta em prol de si mesmo e buscar equilibrar a falta das carnes e derivados na dieta de forma a manter uma boa saúde.


Obs.: Todas as imagens podem fazer parte de uma dieta vegetariana/vegana. Saudáveis??

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Revista dos Vegetarianos - Janeiro 2012


Comecei 2012 sumida, hein?? É que verão e computador são duas palavras que não combinam muito, mas em breve voltarei com novas postagens. A novidade deste ano é que o blog está ganhando novas asas e agora tem texto meu também na Revista dos Vegetarianos da Editora Europa. Quem quiser conferir a matéria sobre o Colágeno, tema que nunca abordei por aqui, a revista pode ser encontrada em qualquer banca e a edição de Janeiro contém uma maçã na capa. Até breve...! Beijos