quarta-feira, 28 de abril de 2010

Teoria x Prática

Ontem escutei uma frase que adorei, pretendo lembrar dela diariamente e resolvi postar para reflexão:

"Quem sabe e não pratica, não merece a recompensa." 

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Projeção X Realidade


Até que ponto aquilo que alguém considera verdade é de fato uma realidade ou uma mera projeção pessoal do indivíduo?

Você conhece seus pais, seus amigos, seu cônjuge ou eles representam aquilo que você imagina que eles sejam?

Em todas as relações, há projeções e a descoberta das diversas facetas das personalidades daqueles que nos cercam muitas vezes trazem com elas grandes surpresas e decepções. Decepção com quem?

Partindo-se do pressuposto que as pessoas representam aquilo que projetamos sobre elas, essas decepções só ocorrem conosco, pois quando o véu que cai o sobre a nossa percepção das pessoas, elas continuam sendo o que sempre foram, apenas que antes nossas projeções nos cegavam e víamos aquilo que gostaríamos crer que fosse verdade.

Lidar com isso é um tanto complicado, pois uma vez que qualquer expectativa criada acerca de alguém é desmoronada, nos sentimos traídos, quando a traição nada mais é do que um conflito interno pessoal de aceitação de fatos.

Creio que com o decorrer do tempo, vai sendo mais fácil assimilar que as pessoas são o que são e estas ditas decepções decorrentes de projeções que se tornam diferentes da realidade vão sendo menos dolorosas. Entretanto, penso que todo ser humano, independente da idade, está suscetível a cair na cilada das projeções, uma vez que vivemos em um mundo com inúmeras desigualdades e a busca por referências é uma constante inconsciente. Por isso, quando encontramos alguém que parece compartilhar valores e idéias é muito difícil separar a projeção da realidade. Também acredito que um mundo sem projeções é um mundo sem amor, sem encantamento, sem credulidade, em suma, um mundo frio.

Logo, o mais importante é saber lidar com essas projeções, identificá-las quando ocorrerem, sem grandes cobranças a si ou ao próximo, praticando o respeito às diversidades, evitando maiores sofrimentos. Afinal, não há a quem culpar, pois não é possível estabelecer um referencial de certo ou errado para crucificar determinada atitude que venha a ferir determinado ideal. Além disso, o ser que sofre a projeção não tem nenhuma responsabilidade sobre aquilo que foi imaginado sobre ele.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Definindo a caridade


Recebi um texto que gerou uma discussão acerca do tema caridade e assim descobri que a Epístola de São Paulo aos Corintos, que se tornou famosa na voz de Renato Russo, tem como termo original a palavra Caridade e não Amor como imaginava. Resolvi transcrever assim, a passagem diretamente da bíblia, uma vez que esse Google é uma maravilha, mas às vezes precisamos desconfiar de determinados conteúdos.

O que é a caridade? Acho que esse termo está com seu significado distorcido na sociedade. A palavra está associada à distribuição de bens materiais como um falso desapego. Penso na caridade como algo muito maior, um estado de espírito que independe totalmente de doações físicas.

Ser caridoso é o exercício do não egoísmo. É estar de bem com a vida e querer distribuir isso com o próximo, através de um sorriso ou um cumprimento agradável a quem quer que seja. É o ímpeto de dizer sim, quando se é solicitado para uma tarefa. É todo impulso de doação proveniente do inconsciente.

Há como se exercitar um ato que provém do inconsciente para ser genuinamente verdadeiro? Acredito que sim. O ser humano está em constante transformação e evolução. Para isso deve primeiramente ter a humildade de olhar para si com a mesma visão crítica como constantemente olha o próximo e ao detectar seus erros querer melhorar. Não há mudança sem vontade. Como diz o provérbio da americana Pauline Kael: “Where there´s a will there´s a way”, traduzindo: onde há um desejo há um caminho.


I Epístola de São Paulo aos Corintos – Capítulo I, Versículo XIII

Se eu falar as línguas dos homens e dos Anjos e não tiver a caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que tine. E se eu tiver o dom de profecia, e conhecer todos os mistérios e toda a ciência; se eu tiver toda a Fé, a ponto de transportar montanhas, e não tiver a caridade, nada sou.

E se eu distribuir todos os meus bens para sustento dos pobres, e se entregar o meu corpo para ser queimado e, todavia não tiver caridade, nada disto me aproveita.

A caridade é paciente, é benigna. A caridade não é invejosa; não é temarária, nem se ensoberbece. Não é ambiciosa, nem busca os seus próprios interesses. Não se irrita; não suspeita mal. Não folga com a injustiça; mas se alegra com a verdade. Tudo tolera. Tudo crê. Tudo espera. Tudo sofre.

A caridade jamais há de acabar. Mas as Profecias desaparecerão, e cessarão as línguas, e a ciência será abolida.

Com efeito, só em parte conhecemos, e só em parte profetizamos. Mas quando vier o que é perfeito desaparecerá o que é em parte.

Quando eu era menino, falava como menino; julgava como menino; discorria como menino. Mas depois que eu cheguei a ser homem feito, dei de mão às coisas que eram de menino.

Nós agora vemos (a Deus) como por um espelho em enigmas. Mas então, (o veremos) face a face. Agora conheço-o em parte. Mas então hei de conhecê-lo como eu mesmo sou também (dele) conhecido.

Agora pois, permanecem estas três virtudes: a Fé, a Esperança e a Caridade. Porém, a maior delas é a Caridade.

Monte Castelo - Renato Russo

A Coragem de Confiar

Confiar é colocar a máquina no automático e sair caminhando de costas para ela sem cogitar a hipótese de que alguém poderia rouba-la e ainda ser surpreendida ao ser lembrada dessa possibilidade... é ficar tranquilamente de porta aberta em um lugar estranho por ter recebido recomendações de ser seguro...

Estou lendo um livro com o mesmo título deste texto de Roberto Shinyashiki, que comprei não só pela simpatia pelo autor, mas principalmente pelo título. Neste livro, Roberto defende a teoria de que existe um tripé que sustenta o ser humano e ele está baseado em três tipos de confiança que devem estar em equilíbrio: a confiança em Deus, ou fé; a confiança no próximo e a autoconfiança.

Experiências pessoais têm afetado o segundo item do meu tripé, motivo pelo qual me chamou atenção esta literatura. Sempre acreditei na essência da bondade humana e por esse motivo evito encher meu HD com informações que me façam crer no contrário, como todas as notícias terríveis que aparecem diariamente nas manchetes dos jornais. Mesmo assim, aos 26 anos já levei algumas porradas da vida e conheço muitas pessoas que sofreram injustamente os danos de um mundo cheio de pessoas de caráter duvidoso.

Afinal de contas, o ser humano é essencialmente BOM ou RUIM? Ao colocar em uma balança, para que lado ela pende? Esse final de semana tive uma experiência que me fez ficar encantada com a existência de pessoas com boa índole. Estamos tão acostumados com um mundo de pessoas desconfiadas e desonestas que quando encontramos alguém que foge a essa regra nos surpreendemos, como quem acaba de encontrar uma mina de ouro.

Maldade não escolhe raça, nem idade, nem lugar. Acredito que quando um sujeito nasce para “ruim” não tem jeito, porém tenho percebido que a vida urbana fomenta a desconfiança, a falta de companheirismo e o egoísmo. Essa tal de network faz com que as pessoas vejam as outras como links para o sucesso, já não existe um papo descompromissado e leve, há sempre uma segunda intenção por trás da simpatia alheia e por aí vai.

Esta realidade muito me entristece e agride minha alma sentir que tenho que fazer parte dela para poder viver, seja como coadjuvante ou expectadora, afinal não sou só no mundo e dependo de outras pessoas para tudo (principalmente na atividade profissional que exerço), nem sempre podendo me dar ao luxo de conhecê-las a fundo antes de depositar grande carga de confiança como um tiro no escuro. Por tudo isso, tenho concluído que lidar com gente é uma grande aventura, onde não sabemos o que nos aguarda: haja estômago!

Quem conhece a versão com Julie Andrews, sabe que nem se compara, mas como não encontrei no Youtube a original, vai a genérica mesmo, o que vale é a mensagem. I Have Confidence: