quinta-feira, 26 de abril de 2012

A trilha dos sonhos



Quando comecei a minha primeira faculdade, sabia que ali não era o meu lugar logo no primeiro semestre. Naquele tempo, ainda adolescente, não tinha a menor ideia do que queria. A única coisa que sabia era que meus olhos não brilhavam nas aulas, nas falas dos professores e muito menos nas coisas que tinha que estudar e nos trabalhos que tinha que fazer. Hoje sei exatamente o que é viver o extremo oposto disso!

Retornando ao passado, fui convencida de que o primeiro semestre de faculdade é assim mesmo e resolvi levar para ver se haveria alguma surpresa me aguardando mais adiante. Via alguns colegas completamente motivados com as suas maquetes e croquis e aquilo ia me dando cada vez mais desespero. Estava claro para mim o abismo que havia entre mim e eles.

Por muito tempo, achei que era privilégio meu essa crise existencial. Achava que todo mundo que me cercava estava perfeitamente realizado no que fazia. Julguei minha inapetência profissional como falta de maturidade. Uma frase me foi repetida inúmeras vezes nesse processo: “Você não tem que fazer o que gosta, tem que gostar do que faz”. Então martelei com essa frase e me esforcei de todas as formas para gostar do que eu fazia.

Não adianta. Sem paixão não há esforço que resolva. Gostava de meus colegas de faculdade. Gostava das viagens e encontros de arquitetura. Gostava de meus colegas de trabalho e principalmente minha chefe. Gostava do fato de poder trabalhar escutando música em um ambiente bastante agradável. Mas do que fazia, de fato, não gostava.

Esse espírito meio Poliana de ver o lado bom das coisas e buscar beijar o padeiro, foi o que permitiu que vivesse uma rotina feliz apesar de sentir que estava cada vez mais longe de me encontrar. O trabalho era a obrigação chata, aí enchia minhas horas vagas. Saía todos os dias, malhava, não parava em casa nos finais de semana e aproveitava tudo que o dinheiro, proveniente do trabalho, poderia me proporcionar. No fim, vendia minha alma, ia levando e depois tratava de fazer bom uso do dinheiro para compensar.

Perto de me formar, fui conhecendo cada vez mais pessoas que se sentiam como eu e percebendo que a insatisfação profissional era mais comum do que imaginava. Aí entrei numa fase de comodismo, de achar que isso era normal mesmo e que mais do que nunca teria que aperfeiçoar a técnica, baseada na teoria do “gostar do que faz”.

No post: Coincidências Existem? http://www.beijonopadeiro.com/2010/12/coincidencias-existem.html relato uma experiência que foi um divisor de águas em minha vida. Chegando ao lugar que descrevo no texto citado, me deparei com um grupo de 50 pessoas com a mesma angústia que eu: queriam mudar o rumo de suas vidas e não sabiam por onde começar. Minha primeira surpresa foi a idade das pessoas: eu era a única na casa do 20, todo o resto era de 30 para cima e a maioria acima dos 40.

Até então, me achava velha demais para um recomeço. Via amigos formados, numa escala progressiva de sucesso profissional e me parecia uma loucura recomeçar. Eu também vinha pelo mesmo caminho, bem reconhecida, fazendo bons projetos e com tudo para bombar como arquiteta. Ao me deparar com esse grupo, entretanto, a noção de que estava tarde demais para recomeçar desmoronou. Senti-me sim, uma privilegiada por ter decidido isso tão cedo!!

Para completar, a mulher que ministrava o workshop era um exemplo contagiante. Ela era formada em Harvard, trabalhava em um bom escritório de advocacia e resolveu largar tudo, pois sabia que não estava feliz naquilo ali. Depois de largar o trabalho, aos 26 anos, passou um ano perambulando, dormindo perigosamente e trabalhando de garçonete para tentar descobrir o que queria da vida. Hoje ela é escritora (tem dois livros publicados) e trabalha como coach, fazendo workshops pelos EUA. Transformou sua angústia em um meio de vida e é brilhante no que faz, porque faz com paixão. Nessa hora me senti mais privilegiada ainda, pois já sabia, há cerca de cinco anos mais ou menos, o que queria, só estava faltando coragem para mudar!

Já emprestei o livro dela para várias pessoas, pois acredito ser um grande motivador para quem busca mudar a vida. Chama-se: This Time I Dance e a autora é Tama J. Kieves. Além disso, ela tem um blog, onde posta textos maravilhosos: http://awakeningartistry.com/blog/. Quem tiver interesse e disponibilidade, super recomendo. Apesar da empolgação com a minha experiência pessoal, sei que não existe receita de bolo e que cada pessoa tem seu “click” na hora certa.

O que quero incentivar com este post é que as pessoas não desistam de seus sonhos. Que elas não se acomodem na zona de conforto em detrimento da zona da inspiração (como a imagem acima). Durante toda essa busca, não canso de ver que todos os grandes exemplos de sucesso que vemos por aí, vêm de pessoas movidas pela paixão e não pelo dinheiro ou imposições da sociedade. Entrar na trilha dos sonhos é percorrer uma vida leve, onde as mínimas coisas geram uma satisfação e realização pessoal que vem lá do fundo do coração. Para todas as outras coisas existe “mastercard”, mas essa sensação: não tem preço! 

4 comentários:

  1. Que texto maravilhoso, Mila!!!
    Adorei!!

    Tatyana Vidigal

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    1. Oi Taty!!! Que bom que gostou!!! Fico feliz!! =)

      Beijão

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  2. Otimo post Camila!
    Me idetifiquei muitissimo pois passo por situacao semelhante. A unica diferenca e que estou ainda moldando meu caminho e descobrindo minhas paixoes. mas chego la! :) parabens pelo post e pelo blog!

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    1. Olá!!

      Obrigada pela visita e feedback!!

      Você é uma sortuda de ter essa noção de sua própria e ÚNICA VIDA. Muita gente morre confortavelmente dopado, repetindo esteriótipos. Tenho até um post que falo sobre isso, chama-se: Confortably Numb.

      Tenha certeza que as respostas chegarão até você nos momentos certos. Nunca percebemos que estamos "ligando pontos" (título de outro post meu) enquanto o fazemos. Somente quando olhamos pro passado é que percebemos como nosso sinuoso caminho nos direcionou para um lugar tão exato e preciso...

      Tem um ditado que adoro: "Quando o discípulo está pronto, o mestre se apresenta". Pense nisso e continue fazendo a sua parte!

      Boa sorte na jornada!!

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