domingo, 11 de dezembro de 2011

Filmes para Beijar o Padeiro



Recentemente assisti a três filmes que contam histórias verídicas de superação pela crença na educação. Recomendo e quem já tiver visto, são filmes que merecem ser revistos.

Um se chama Coach Carter que conta a história de um treinador de basquete que trata o jogo com muito respeito, educando seus alunos com disciplina e principalmente condicionando a pratica do esporte aos estudos, visto que é muito comum as pessoas investirem nos esportes e desdenharem dos estudos. Samuel Jackson faz o papel espetacular do treinador de basquete Ken Carter. 




O outro se chama Música do Coração e conta a história de uma professora de violino que acredita na força da música. Traz disciplina a alunos de um colégio público, que se refletirá em outras disciplinas e no resto da vida deles. Além disso, educa através da arte, se mostrando uma mulher guerreira e vencedora. Para completar o filme conta com a brilhante atuação de Maryl Streep, como personagem principal.





Para fechar as indicações: Patch Adams: O Amor é Contagioso. Conta a história de um homem que acredita no exercício humano da medicina. Com seu jeito sério e ao mesmo tempo irreverente, ele revoluciona o ambiente acadêmico e hospitalar, mostrando que é possível ser profissional e amável ao mesmo tempo. Afinal de contas, pacientes antes de qualquer coisa, são seres humanos. No papel principal, ninguém menos que Robin Williams.



Em meio a um mundo de mazelas, tragédias e alienação, é lindo ver que existem pessoas trabalhando em prol do bem alheio. Pessoas que se doam para educar, que acreditam num futuro melhor. O mundo precisa de muitos exemplos como esses para fazer as pessoas acreditarem em seus sonhos e correrem atrás deles. Que histórias como essas sirvam de inspiração sempre!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Alimentação e Moda

Um prato desses custa pelo menos uns R$60,00 num restaurante contemporâneo da moda. Usa cerca de 100g de arroz negro (R$20,00 o quilo) e o filé de peixe deve custar uns R$5,00. Qual o mistério?? Só a grife e o glamour de frequentar tais locais...

O nome ortorexia pode soar familiar para muita gente, já outras pessoas talvez nunca tenham ouvido falar. Trata-se de um novo problema psicológico, que abrange uma gama de pessoas que se tornam neuróticas com saúde, a ponto de serem consideradas doentes. Convivendo com gente que preocupa com alimentação tenho visto esse sintoma em inúmeras pessoas e é realmente preocupante.

Sem dúvidas devemos nos preocupar com o que comemos, mas como vivemos em sociedade, se ficarmos neuróticos com o assunto simplesmente não poderemos mais sair de casa. Nós comemos por saúde, mas também pelo prazer, pela diversão, para socializar, para estar com a família, por rituais e motivos comemorativos, para expressar uma identidade cultural... Reduzir a função alimentar à mera nutrição fisiológica é ver a coisa de um ângulo muito estreito. Aí entra a diferença do macro e do micro e por isso que gosto tanto ta macrobiótica, que é uma filosofia que busca ter uma grande visão da vida.

Hoje em dia os profissionais na área de saúde estão tão preocupados com o micro que acabam esquecendo o macro. Esses ficam tentando extrair cada nutriente de cada alimento para fazer suplementos, como o exemplo do pomegranate extraído da romã, resveratrol extraído da uva, do colágeno hidrolisado, das vitaminas, do betacaroneto presente na cenoura... Quem disse que devemos comer esses itens isolados? Quem disse que essas parcelas separadas são mais efetivas do que o alimento como o todo? Tanto a uva, quanto a romã ou a cenoura são repletas de outros nutrientes que combinados em proporções únicas fazem deles alimentos saudáveis.

Existe um pouco de modismo nos conceitos nutricionais, onde um dia certos alimentos são endeusados e no outro são completamente endiabrados. A proteína e o carboidrato são exemplos de macro nutrientes que ao longo da história variaram entre vilãs e bonzinhos. A gordura então nem se fala! Na década de 80, nos Estados Unidos, começou a campanha do zero gordura. Com isso, as pessoas passaram a ingerir cada vez mais carboidratos refinados e foi justamente quando se começou também a epidemia obesa no país. Quem disse que gordura faz mal? A gordura está presente em todo o corpo: 70% dos nossos neurônios são compostos por ela. Aí a ciência vai avançando e os conceitos continuam mudando, um dia a gordura saturada é vilã, depois a gordura trans, agora o ômega 3 é o que há para quem busca uma dieta saudável.

O que vejo é que o bom senso tem sido esquecido e as pessoas vêm seguindo modismos alimentares e abandonando cada vez mais a intuição. Eu pessoalmente valorizo muito a cultura e acho que nossos antepassados têm muito a nos ensinar. Que tal valorizar o que era comum nos tempos em que não existiam tantas doenças crônicas não transmissíveis? Uma boa idéia é procurar comer somente aquilo que nossas bisavós reconheceriam como comida. Certamente a maioria dos produtos encontrados nos supermercados sairá de sua dieta. Imaginem a sua bisavó em uma cozinha cheia de pacotes, sem um fogão e apenas um microondas! Será que ela passaria fome? Será que ela conseguiria descobrir que aquelas coisas eram para ser ingeridas ou iria pensar que era algum produto de limpeza, decoração ou qualquer coisa do gênero?

Outro conceito abandonado é o de se comer em casa. Esses dias eu estava escutando uma pessoa que está se mudando para uma cidade nova a trabalho e estava escolhendo um local para morar. Encontrou um lugar excelente e tão perto de seu trabalho que certamente poderia vir almoçar em casa todos os dias. Mas a sua esposa não gostou, achou pouco glamorosa provavelmente e optou em morar num lugar mais chique e super afastado, inviabilizando de todas as formas a presença de seu marido para o almoço em casa. As futilidades estão roubando o lugar das prioridades nas famílias. Hoje em dia ninguém mais se preocupa em comer em casa, fazer refeições em família. As crianças não sabem sequer como se portar à mesa, canso de ver em restaurantes crianças com as caras enfiadas em algum ipad da vida, sem interagir e muito menos saber pegar num garfo direito. Hoje cerca de 50% das refeições são feitas fora de casa e é comprovado que, em restaurantes, a comida tende a conter muito mais açúcar, óleos de má qualidade e sal. Isso sem falar no padrão familiar cada vez mais perdido, o que talvez explique o número crescente de divórcios.

Cozinho todos os dias e tenho percebido o quanto isso causa espanto para muitas pessoas. Na minha cabeça, saber cozinhar sempre foi condição sine qua non para pensar em constituir uma família. Como criar um filho sem saber preparar o alimento dele? Até mesmo para ter uma cozinheira em casa, como orientá-la sem saber cozinhar? Hoje grande parte de minhas amigas estão casadas e/ou morando sozinhas e posso dizer com segurança que no máximo 5% delas sabem cozinhar mais do que comidas pré-prontas de supermercados.

Por outro lado cozinhar agora virou algo chique, gourmet. Vemos inúmeros programas de chefes na televisão, um mais requintado do que outro. As pessoas pagam fortunas em restaurantes chiques, que com essa moda de culinária contemporânea, são quase todos iguais. O charme da culinária simples e regional vem se perdendo cada vez mais. Hoje se come aspargos, alcaparras, camarões, lagostas e outros ingredientes típicos de restaurantes gourmets em qualquer lugar do mundo, sem esquecer-se do vinho que custa o triplo do que se fosse comprado em um supermercado. Tudo lindo e requintado...! Depois dizem que não tem dinheiro para comprar arroz integral ou produtos orgânicos em casa. Comer em restaurantes é caro, isso sim! Cozinhar em casa, mesmo com os melhores ingredientes é baratíssimo comparado ao valor que se paga nesses restaurantes gourmets que as pessoas tanto frequentam.

Na minha cozinha, gosto de variar ingredientes, usar especiarias aqui e ali, mas ninguém vive de comer comidas super elaboradas. As pessoas às vezes sabem preparar algo incrementado ou sobremesas, mas não sabem fazer receitas simples usando verduras, arroz e feijão. É tão elementar que às vezes soa engraçada a admiração de pessoas ao me verem cozinhar comidas super caseiras ou descobrirem o sabor de legumes preparados da forma mais simples possível, pois o máximo que conheciam eram aquelas verduras servidas em restaurantes japoneses regadas de manteiga e molho teriaki.

Vou parando por aqui, pois esse assunto dá muito pano para manga... Continuo em outro post! 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Quibe de Peixe (de forno)



Ingredientes:
Massa:
150g de trigo para quibe
250g de filé de pescada branca
Sumo de 1 limão
1 cebola pequena picada
¼ de ramo de salsa picada
Pimenta do reino a gosto
Sal a gosto
Azeite de Oliva

Recheio:
5 folhas de couve mineira grandes
1 cebola pequena picada
4 dentes de alho espremidos
1 colher de sopa de molho Shoyu
1 colher de sopa de óleo de gergelim
1 colher de café de pimenta do reino

Preparo:
Massa:
Lave o trigo e deixe de molho por 20 minutos. Depois esprema bem para retirar o excesso de água e reserve. Lave os filés de peixe e tempere-os com o sumo de limão por 5 minutos. Depois lave, e esprema retirando o excesso de líquido. Em uma tábua corte o peixe em pedaços pequenos e termine de desfiar com as mãos. Em um suribachi (ou pilão) grande (se for pequeno, faz de duas vezes) mistura o trigo, o peixe, a salsa, a cebola, a pimenta e o sal até que se torne uma mistura homogênea.

Recheio:
Retire o caule da couve e corte as folhas em tiras finas. Refogue a cebola no óleo de gergelim e depois acrescente a couve e por fim o alho. Antes que as folhas murchem completamente, adicione o molho shoyu. Esquente por mais 3 minutos e desligue o fogo.

Unte a assadeira ou pyrex com azeite de oliva e coloque metade da massa cobrindo o fundo. Depois coloque o recheio e cubra com a outra metade da massa. Passe um fio de azeite e espalhe por cima do quibe. Leve ao forno até ficar ressecadinho e crocante. Bom apetite!


Serve 2 pessoas.

Higéia ou Panacéia: Quem cuida de você?


Antigamente havia epidemias transmissíveis como a febre amarela, tuberculose, peste negra, entre outros, que dizimavam populações. Hoje, grande parte dessas doenças está ou erradicada ou muito bem controlada.

Agora observamos o fenômeno das doenças crônicas não transmissíveis, que proporcionam uma sobrevida sofrida, mas que não influenciam nas taxas de mortalidade. Desta forma, os dados estatísticos confirmam uma maior expectativa de vida da população em geral, usando este dado como “prova” de que o nível de saúde melhorou.

O que é viver? Passar dos 65 anos na condição de precisar fazer quatro sessões de hemodiálise com cinco horas de duração cada, semanalmente? Somente no setor das doenças renais crônicas, o sistema único de saúde no Brasil gasta 1,4 bilhões de reais ao ano. Isso sem falar nos gastos com o câncer, diabetes, cardiopatias, obesidade e outras patologias que acometem cada vez mais a população.

Hoje em dia é difícil encontrar quem não tome pelo menos um tipo de medicamento diariamente. O ciclo começa desde a adolescência, quando meninas passam a usar pílulas anticoncepcionais e acostumam-se à idéia de que é natural ingerir medicamentos para tudo. Passam a tomar remédios para espinhas, cólicas menstruais, dores de cabeça, queda de cabelo, gastrite, constipação, hormônios para controlar o funcionamento tireoidiano, além de inúmeros cremes para tentar atenuar os efeitos de uma má alimentação na pele. Assim, a saga se inicia com “medicamentos simples”, criando-se um péssimo hábito e um ciclo sem fim.

Quantas pessoas você conhece que não tomam nenhum tipo de medicamento regularmente? Melhor dizendo, quantas pessoas você conhece que são capazes de passar um ano inteiro, ou sequer um semestre, para não dizer um mês, livre de qualquer tipo de comprimido? Aposto que essa pergunta soa no mínimo surreal para a maioria das pessoas, entretanto é uma realidade absolutamente possível para quem cuida da saúde de forma preventiva.

Vivemos na era do imediatismo, com a internet, tudo ocorre “online” de forma instantânea e já não se sabe mais respeitar o tempo do corpo humano. Ele precisa de uma mastigação lenta, sono profundo, alimentação adequada, movimentação (não somente do volante), ar fresco e outras coisas que viraram quase lenda na vida de quem reside em grandes centros urbanos.

Os primeiros sintomas da falta desses fatores são curados de forma rápida através de pílulas mágicas. Com o tempo eles vão deixando de fazer efeito e vão surgindo doenças sérias, que não são curadas e que as pessoas simplesmente aprendem a respeitar e conviver com os seus desconfortos e efeitos colaterais (das doenças e dos remédios). Seguem a vida, enaltecendo a tecnologia e os avanços médicos, lidando com situações patológicas, que já estão sendo vistas quase como biológicas.

Segundo a mitologia grega, as netas de Apolo (filhas de Asclépio), foram designadas a cuidar do bem estar da humanidade. Higéia e Panacéia, então, receberam a incumbência de tratar da saúde e da doença do mundo, respectivamente. Em 377 a.C., Hipócrates, o pai da medicina, dizia: “Faz do alimento o seu remédio.” Já em 150 a.C., Galeno introduziu os fármacos na medicina ocidental, dando início aos tratamentos pelos sintomas e não pelas causas. A partir daí Panacéia vêm reinando em um mundo que prefere remediar a prevenir. Apesar de fazer parte de um mundo moderno, eu escolhi seguir as tradições antigas: ser cuidada por Higéia e seguir os princípios de Hipócrates, e você?