quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Por que não andar descalço?

Mapa de reflexologia podal (imagem retirada do Google Imagens)

Quem nunca ouviu o pai, a mãe ou uma avó dizendo: “Menino/a vai calçar um sapato!” ou “Não fique de pé no chão para não se resfriar...”.

Depois que crescemos, deixamos de escutar tais recomendações, porque de fato, é incomum ver alguém se resfriando por ter andado descalço em casa. Entretanto, toda sabedoria popular deve ser levada em consideração... Como o próprio nome sugere, são sábias! Mas, afinal de contas, de onde vem essa ideia de andar calçado em casa?

A maioria dos pisos, com exceção dos carpetes, costuma ter temperaturas mais frias (mesmo os pisos em madeira, comuns em ambientes de clima frio). Em lugares de clima quente, é frequente o uso de piso cerâmico, porcelanato e pedras, justamente pela capacidade que esses materiais têm de manter o ambiente mais fresquinho. Isso não significa, entretanto, que devemos pisar neles descalços.

O que acontece? Nosso corpo tem uma temperatura média de 37°C e sempre busca mantê-la. Por este motivo, no inverno gastamos mais calorias: é mais custoso energeticamente manter o corpo quente quando o ambiente externo está frio, pois ele tende a perder calor para o meio. Uma caloria é a quantidade de energia necessária para elevar um volume de um litro (ou 1kg) de água em 1°C. Levando em consideração o conceito de energia e pensando em nosso corpo, imagine o trabalho que dá não deixar que a corrente sanguínea (rio que alimenta todos os tecidos) se resfrie durante o inverno!

Quem também nunca ouviu falar, durante o inverno, que se mantivermos as extremidades aquecidas, manteremos também o corpo aquecido? É pura verdade!! Não é a toa que os sapatinhos de dormir fazem tanto sucesso... É mais confortável usar uma saia no inverno, acompanhada de botas, do que, nas mesmas condições de temperatura, usar calça comprida com sandália aberta.

Em nossas extremidades, estão representados todos os órgãos do nosso corpo, segundo a medicina oriental. Por este motivo, muitos tratamentos de acupuntura trabalham exclusivamente ativando pontos nas orelhas. Da mesma maneira, em nossos pés e mãos, existem pontos que refletem todos os órgãos do corpo. Desta forma, manter os pés aquecidos, ajuda a manter a temperatura ideal de funcionamento de todos os órgãos. Por conseguinte, quando pisamos descalços em um chão frio, resfriamos internamente todo o nosso corpo, atrapalhando a sua homeostase. É pelo mesmo motivo que devemos evitar a ingestão de alimentos e líquidos gelados. Dar choques térmicos no organismo, via de regra, não é interessante.

O contrário, todavia, deve ser pensado. É muito saudável pisar descalços em ambientes externos em climas quentes. Por exemplo, a terra, a grama e a areia molhada tendem a ser mais frias do que pisos sintéticos em ambientes externos. Logo, quando estamos em um ambiente externo, em um dia quente e ensolarado, o calor absorvido pelo resto do corpo acaba equilibrando a menor temperatura absorvida pelos pés. Neste caso, a troca energética com a natureza, acaba predominando, visto que em tempos modernos, é uma raridade preciosa a oportunidade de pisar diretamente no solo, que absorve diretamente a energia do sol e é repleto de minerais.

Outra ideia interessante é ter sapatos/sandálias de uso doméstico exclusivo. Esta medida ajuda não somente na manutenção da limpeza da casa, mas também para que a energia pacífica do lar não se misture com a energia caótica da “rua”. Devemos cuidar das nossas casas (nosso corpo e nosso lar) com carinho. Afinal, são eles que nos acolhem e permitem a manutenção de um estado de saúde harmônico e equilibrado. 

SANDALHA MASSAGEADORA REFLEXOLOGIA PODAL EM PORTO ALEGRE - CENTRO
Sandálias como esta são bem interessantes para uso doméstico. Além de evitarem que se pise no chão frio, ainda ativam todo o corpo através dos pontos de reflexologia presentes nos pés!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Receita de arroz de integral cateto

Anteontem publiquei uma receita de pão à base de arroz integral cateto. Hoje, por acaso, vi um post, em um blog, de uma receita ótima de arroz integral cateto. Esta, em específico, é uma excelente pedida para o verão, mais soltinha e refrescante do que o clássico arroz de panela de pressão. E o blog, de quebra, ainda tem outras excelentes receitas: recomendo o Tampopo Gourmet


"Quem me conhece sabe que eu sou doida com arroz. Gosto de comê-lo no almoço e no jantar. Se bobear, tem arroz até no meu café da manhã.

Se não tiver arroz no almoço, é como se eu não tivesse almoçado. Pode ser o arroz branco comum, o japonês (gohan), o tailandês, o arbóreo, ou afins... Todavia, o tipo que eu como quase todos os dias é o arroz integral, pois é o mais completo: além de ser fonte energética, ele conserva seus nutrientes e suas fibras (importantes para o bom funcionamento do intestino e aumento da sensação de saciedade).

O problema é que muitas pessoas sentem dificuldade em consumir o arroz integral, seja porque não sabem prepará-lo, seja porque estranham o seu sabor.

Para as primeiras, vou passar a receita que minha mãe faz em casa há muitos anos e que é responsável por eu não gostar de nenhum arroz integral que eu coma na rua. Mas atenção, isso não significa um milagre para aquelas que não o apreciam mesmo, afinal o objetivo dessa receita é extrair do arroz o seu sabor original. 

O ideal é começar a introduzi-lo no cardápio diário. No início, pode parecer pouco palatável, mas, com o passar do tempo, ele se torna quase que essencial.

Bom, se mesmo assim houver dificuldades na inserção do arroz integral na dieta, aguardem que, em futuras postagens, trarei versões mais temperadas. Lembrando sempre que essa versão é uma das mais saudáveis.

Antes da receita, deixo dois trechos do Livro Arte Fundamental da Vida, da professora Bernadette Kikuchi que refletem a importância de se cozinhar e alimentar com amor:

"Na Arte Culinária Macrobiótica, o mais importante é a arte de cozinhar o arroz integral. (...) O arroz que se cozinha todos os dias, em qualquer dia, em qualquer lugar, qualquer que seja o seu tipo, ou qualquer que seja a panela utilizada, deve ser feito com muita atenção, amor e carinho, para que fique sempre saboroso.

Ao sentarmos à mesa para comer, devemos sentir respeito e gratidão pelo alimento, pelas pessoas que o prepararam e pelas pessoas que de alguma forma ou outra colaboraram para que pudéssemos tê-lo à mão. Podemos demonstrar esse respeito e gratidão mastigando bem o alimento, o que nos levará a assimilá-lo ao máximo, fazendo-nos evitar os excessos da gula." Bernadette Kikuchi


INGREDIENTES:
3 copos americanos de arroz integral cateto
4 e 1/2 copos americanos de água
1 pitada de sal marinho

MODO DE FAZER:
Colocar o arroz no liquidificador. Usando a função pulsar, socar 50 vezes o arroz para que solte um pouco de sua película, tomando cuidado para não quebrar os grãos. No meio do processo, dar uma sacudida no copo do liquidificador para misturá-los. Quanto mais velho e fraco o liquidificador, melhor... Sim, essa é uma parte delicada do processo.



Colocar o arroz - com a película que soltou e sem lavar - em uma panela grossa (pode ser de ferro, ferro fundido, pedra sabão ou aço inoxidável de fundo triplo) e cobrir com a água. Tampar e deixar de molho por aproximadamente 2 horas.


Adicionar uma pitada de sal ao arroz, colocar uma chapa de alumínio sob a panela, tampá-la e ligar em fogo alto até ferver.


Após ferver, diminuir a chama para o fogo baixíssimo, como explicado na postagem Chamas do Fogão, por 50 minutos.  Evitar destampar a panela durante o processo de cozimento. Após esse tempo, desligar o fogo e deixar descansando por 10 minutos. Em seguida, abrir a panela e pronto: arroz integral macio e saboroso!


O ponto perfeito do arroz é quando ele fica firme, mas macio e levemente úmido, sem empapar. Apesar de parecer simples, o arroz integral é riquíssimo e prepará-lo é uma arte. Aproveite o sabor e a saúde! Bom apetite!


DICAS:

a) O processo de separação do arroz e sua pelicula no liquidificador só dá certo com o arroz do tipo cateto (grão curto). Não adianta fazer com o agulhinha (grão comprido). Esse processo faz com que o arroz fique mais macio. Se for diminuir a quantidade de arroz, socá-lo apenas 30 vezes.
b) Não lavar o arroz quando for utilizado o processo do liquidificador.

c) Pode-se variar a quantidade de arroz, colocando-se 1 e 1/2 copo (americano) de água a mais do que a medida de arroz.
d) Para acrescentar mais nutrientes e tempero à refeição, pode-se acrescentar um pouco de gersal (uma mistura de sementes de gergelim torrado e moído com sal marinho) por cima do arroz. 
e) Segue abaixo duas fotos de chapas que podem ser usadas. Elas são fabricadas em aço com alumínio. Servem para permitir que o arroz cozinhe de forma lenta e homogênea sem grudar na panela.Maíra Hanashiro


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Porque não seguir uma dieta crudívora

Adorei esse texto. Reforça o que sempre falo sobre o homem ter evoluído como espécie pelo fato de  ter desenvolvido uma maneira de transformar alquimicamente (transmutar) seu alimento através das diversas formas de processamento, incluindo o cozimento e a adição de sal. 

Frequentemente me perguntam o que acho da dieta crudívora e sempre lembro que a maior diferença entre o ser humano e todas as outras espécies animais é que ele é o único que cozinha o seu alimento. Além disso, quem come muita comida crua, em especial frutas, tende a ficar com a cabeça nas nuvens: voando como passarinhos... O fogo, por sua vez, tem o poder de centrar as pessoas, trazê-las para a realidade. Então, se você tem se achado muito disperso, preste atenção à quantidade de crus em sua alimentação em relação às parcelas cozidas. Atenção: existem inúmeros outros fatores que geram desatenção nas pessoas, este é apenas um, bastante comum!

Imagem retirada do Google Imagens

"Cérebro humano cresceu graças ao ato de cozinhar
Cientistas brasileiras ligam mudança na dieta ao desenvolvimento cerebral
27 de outubro de 2012 | O Estado de S.Paulo

Seguir uma dieta de alimentos crus não é bom para estimular o cérebro. Isso porque os humanos teriam de passar mais de 9 horas por dia comendo-os para conseguir energia suficiente para nossos cérebros de tamanho avantajado.

É o que observou um estudo de duas cientistas brasileiras publicado no site da Proceedings of the National Academy of Sciences. Foram calculados os custos energéticos de desenvolver um cérebro ou um corpo maior em primatas e concluiu-se que o consumo de alimentos cozidos possibilitou aos humanos a energia para formar o triplo de neurônios em comparação aos grandes macacos.

"Se você só comesse comida crua, não haveria horas suficientes no dia para conseguir as calorias necessárias para construir um cérebro tão grande", diz Suzana Herculano-Houzel, neurocientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coautora do estudo.

Enquanto os humanos têm cerca de 86 bilhões de neurônios, os gorilas possuem 33 bilhões e os chimpanzés, 28 bilhões. Esses neurônios a mais nos dão benefícios, mas cobram seu preço: enquanto o cérebro humano consome 20% da energia do corpo em repouso, os dos outros primatas consomem apenas 9%.

A hipótese de que o consumo de alimentos cozidos turbinou o cérebro dos ancestrais do homem surgiu no final dos anos 1990, quando o primatólogo Richard Wrangham, da Universidade Harvard, relacionou a rápida expansão do cérebro dos Homo erectus, entre 1,6 milhão e 1,8 milhão de anos atrás, ao costume de aquecer alimentos com uma fogueira, pré-digerindo-os e facilitando a absorção de calorias.

Em novo teste dessa hipótese, Suzana e sua aluna Karina Fonseca-Azevedo, hoje no Instituto Nacional de Neurociência Translacional em São Paulo, decidiram observar se uma dieta de comida crua limitaria o crescimento máximo do cérebro ou do corpo de um primata. Contaram os neurônios em dezenas de espécies e descobriram que o tamanho do cérebro é diretamente ligado ao número de neurônios, que por sua vez é ligado à quantidade de calorias necessárias para alimentar esse cérebro.

As pesquisadoras então calcularam quantas horas por dia seriam necessárias para obter calorias suficientes de alimentos crus para abastecer o cérebro, de acordo com a massa corporal de cada espécie. Descobriram que o Homo sapiens precisaria comer por 9,3 horas; os gorilas, por 8,8; os orangotangos, por 7,8; e os chimpanzés, por 7,3 horas.

Conforme Suzana, na vida selvagem os outros primatas não têm como desenvolver cérebros maiores, a não ser que reduzissem o tamanho de seus corpos. Isso porque eles não podem ultrapassar o limite de calorias que conseguem consumir em 7 ou 8 horas de alimentação por dia. Já os humanos modernos têm a opção de processar alimentos crus com ajuda de liquidificadores e adição de outros nutrientes e proteínas. E também sabem cozinhar.

"Temos mais neurônios que qualquer outro animal vivo porque o cozimento permitiu essa mudança qualitativa, esse aumento no tamanho cerebral", diz ela. "Ao cozinhar, conseguimos ultrapassar o limite de quanto conseguiríamos comer em um dia."

Para Wrangham, o estudo brasileiro mostra que "um macaco não poderia ter um cérebro tão grande quanto o dos humanos enquanto seguir a dieta típica de um macaco". / AP "


Imagem retirada do Google Imagens

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Receita de Pão de Arroz Integral Cateto



O padeiro realmente merece muitos beijos, pois fazer pão é uma arte. Além disso, a qualidade do pão (seguindo a mesma receita) pode mudar de acordo com o humor da pessoa (a energia da pessoa, na arte de fazer pão conta mais do que nunca); com a qualidade das farinhas usadas; outros ingredientes acrescidos; umidade relativa do ar... Fazer pão requer persistência, até encontrar o ponto certo (que normalmente é bastante individual). Eu mesma já tentei reproduzir receitas infalíveis de amigos que não deram certo de jeito nenhum! Se você já andou tentando, e terminou com um pão esfarelado ou até solado, não desanime!! Acontece nas melhores famílias... Uma hora você acerta a mão! Depois, tudo é prática!!! Como pão é uma coisa cotidiana, pegar prática é bem fácil... Boa sorte!!!

Hoje vou compartilhar a minha receita favorita de pão. Além de muito saborosa, tem teor reduzido de glúten, mínimo de farinha branca (apenas 22%) e ZERO de açúcar ou mel. Espero que gostem!!

Ingredientes:
3 xícaras de farinha de trigo integral
1 xícara de farinha de trigo branca (de preferência orgânica)
2 e ¼ de xícaras de arroz cateto integral cozido (aquecer antes no vapor, para ele ficar morno e umido)
1 e ½ colher de sopa rasa de sal marinho
3 colheres de sopa rasas de fermento biológico
8 colheres de sopa de óleo (pode ser de milho, girassol ou até azeite de oliva...)
Água morna (mais pra fria do que pra quente)

Preparo:
Misturar todos os ingredientes secos em uma vasilha ou bacia grande (farinhas, sal e fermento). Acrescentar o arroz aos poucos, misturando bastante até ficar homogêneo. Depois acrescentar cada colher de óleo individualmente, misturando bem cada uma. No fim, vai ficar parecendo uma super farofa. Até então, todas as misturas são feitas com uma colher de sopa.

Agora é hora de literalmente colocar a mão na massa. Vai acrescentando água aos poucos e misturando com uma mão até perceber que tem água suficiente para a massa ficar toda uniforme. Essa é a parte que não tem quantidade exata, vai depender da intuição do/a “padeiro/a”. Quando tiver água suficiente, apertar a massa com as duas mãos, até ter certeza que a farinha homogeneizou toda com a água. A massa deverá ficar totalmente solta da vasilha.

Pessoalmente não gosto de sovar a massa. Massageio-a carinhosamente, integrando todas as partes, até perceber que tenho uma bola homogênea. Nesta hora, reparto a massa em dois e coloco nas formas.

Depois de colocar a massa nas formas, deixar a massa descansar por uma hora dentro do forno (desligado).

Depois de uma hora, tirar a massa da forma e esticar levemente a massa com um rolo (não é para ficar fina, somente para tirar o ar acumulado no meio da massa). Depois enrola a massa como se fosse um rocambole e recoloca na forma. Deixa crescer por mais uma hora dentro do forno (ou armário).

Depois de uma hora, colocar o pão no forno, pré-aquecido na temperatura máxima por 10 minutos. Deixar no forno por 40 minutos ou uma hora (em BH leva 40 minutos, pois a umidade relativa do ar é muito menor do que em Salvador; em Salvador o pão fica uma hora dentro do forno).

Agora é só saborear: bom apetite!

Obs.: Esta receita rende dois pães em formas de aproximadamente 24x12cm (altura=6cm).