quinta-feira, 17 de maio de 2012

Comida Francesa Congelada

Recebi essa matéria de um amigo/leitor do blog e resolvi compartilhar. Qualquer pessoa quando pensa em alta gastronomia, pensa logo na França. Você sabia que grande parte dos restaurantes por lá serve comida congelada? Isso mesmo!!! Ainda bem que estão querendo tomar uma providência sobre isso. 

Tomara que a moda chegue por aqui também... Ou melhor, tomara que a medida seja difundida pelo resto do mundo! Outro dia fui a um restaurante e quase peço para a comida voltar. Tenho certeza que era congelada. Péssima!!! Pagar caro por comida de congelador e micro-ondas é dose, né?!?


França quer obrigar restaurantes a informar se a comida é congelada

Texto: LUÍSA BELCHIOR - Folha online

Ao ouvir o pedido na cozinha de uma brasserie no centro de Paris, o ajudante tira do congelador uma bandeja que vai direto ao forno. Seis minutos depois, o prato vai direto à mesa do cliente.

Se voltar ao mesmo lugar daqui a um ano, o freguês -que não viu a cena- pode ficar sabendo, pelo próprio cardápio da casa, que havia provado, na verdade, uma versão congelada da comida, comprada na indústria que vende pratos prontos a alguns restaurantes franceses.

Um projeto de lei em tramitação no Senado daquele país quer obrigar restaurantes, a partir do próximo inverno europeu, a escrever ao lado de cada opção de seus cardápios se o prato é congelado, foi feito na própria casa com produtos frescos ou é enlatado.

Tudo para "defender a refeição à francesa", de acordo com o texto do projeto. E barrar a tal indústria dos pratos prontos que, segundo dizem os franceses do setor, comprometem a gastronomia local.

"Essa lei será boa porque muitos turistas saem daqui com uma imagem negativa da comida de Paris, sobretudo porque vêm expectativas altas e se frustram", afirma o chef Jean Lesur, do Le Parais, restaurante em frente ao museu Georges Pompidou.Donos afirmam que os pratos congelados são a única maneira de sobreviver à demanda turística de massa e os altos impostos e fiscalização da prefeitura parisiense.

"Eu não escondo que sirvo pratos congelados, mas claro que, se isso estiver no cardápio, as pessoas vão escolher só as opções frescas", afirma Patrick Lamare, gerente de uma brasserie na Boulevard de Sebástopol.

PÃES

Por outro lado, a lei pode frear a expansão dos congelados e garantir o padrão de qualidade de pratos típicos e até croissants e brioches, diz a confeiteira Marie Le Lou, da pâtisserie Le Lou Gourmand. "O croissant é tradição em Paris. Hoje vem congelado."

Há um ano, uma comissão parlamentar tenta um parecer comum do setor sobre o projeto, já aprovado em primeira instância na Assembleia e no Senado. Falta a segunda votação nas duas Casas.

Enquanto isso, quem serve pratos caseiros já procura mencionar o feito nos menus. O caso mais recorrente é o da batata frita que, quando não é congelada, vem com a descrição "frites maison" (batatas fritas feitas em casa).

"Não é preciso uma lei para isso", diz Valerie Baldran, do Manfred, brasserie de comida caseira no Marrais. "Além disso, há produtos, como as ostras, que temos de ter congelados porque a fiscalização de Paris é muito rígida", completa.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Termos da Nutrição: mini-glossário


Existem alguns termos comumente utilizados na linguagem nutricional e que muita gente não sabe ao certo do que se tratam. Pensando nisso, preparei um mini-glossário com algumas definições básicas que irão auxiliar no entendimento de textos, palestres, entrevistas e afins.

Alimentos Funcionais: Alimentos com comprovados benefícios à saúde, além daqueles esperados pela nutrição básica;

Radicais Livres: Espécies atômicas ou moleculares com elétrons não pareados que são altamente reativos, estão envolvidos nas reações químicas e podem provocar a destruição celular; um exemplo é o oxigênio altamente reativo. Produzem reações de oxirredução: fazendo uma analogia com a vida inanimada, atuam como o “salitre ou maresia” numa grade de ferro;

Antioxidantes: Substâncias que podem inibir as reações dos radicais livres como espécies de oxigênio reativas; usado para descrever as vitaminas C e E, alguns carotenoides, ubiquinonas e bioflavonóides;

Isoprenóides: Membros de uma grande família de lipídios com um esqueleto de carbono de base de unidades de isopreno com cinco carbonos com estrutura de ligação simples e dupla alternadas (ligações duplas conjugadas); as estruturas isoprenoides longas funcionam como antioxidantes pelo sequestro de radicais livres; os exemplos incluem vitaminas lipossolúveis, carotenoides e outros fitoquímicos – licopeno e limoneno -, assim como hormônios esteroides;

Fitoquímicos/Fitonutrientes: Componentes químicos naturais e biologicamente ativos dos alimentos vegetais (plantas químicas); são substâncias presentes naturalmente em plantas que atuam como sistemas de defesa natural e que mostram potencial para reduzir risco de doenças cardiovasculares, cânceres e outros tipos de doenças em humanos; também proporcionam cor, aroma e sabor, havendo mais de 2000 pigmentos vegetais identificados;

·         Carotenóides: Subclasse de fitoquímicos encontrados nas frutas e vegetais; pigmentos amarelos ou vermelhos encontrados na cenoura, batata-doce, vegetais folhosos, gordura do leite e gema de ovo, que podem ser vonvertios em Vitamina A (retinol) no organismo;
- Subdivididos em:
- Beta carotenos: Presentes nas cenouras, frutas alaranjadas escutas, abóbora e melão cantalupo;
- Luteína: Vegetais escuros, repolho, espinafre, couves, milho, ovos e cítricos;
- Licopeno:  Um dos fitoquímicos carotenoides; parece atuar como eliminador de radicais livres; presente nos tomates e seus produtos, goiabas, grapefruit rosada e melancia;

·         Fitoestrogênios: Fitoquímicos que são estrogênios não esteroides; presentes na soja e em seus derivados;

·         Flavonóides: Pigmentos nas plantas que atuam como aliminadores dos radicais livres e que podem contribuir para a manutenção da saúde cardíaca, estimulam as defesas antioxidantes; presentes na cereja, no mirtilo, nas amoras (principalmente nas de cor escura), uvas vermelhas, chás (especialmente o chá verde), cacau, café, cebolas e maçãs;

·         Isoflavonas: Fitoestrogênio que pode contribuir para a saúde óssea; estimula o sistema imunológico; presentes na soja e seus derivados.


Fonte: Krause - Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 12a. Edição. Elsevier Editora Ltda

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Tempo de Abacate

Nesta época do ano o abacate costuma ficar bem barato nas feiras e supermercados: PARA A NOSSA ALEGRIA!!! A redução chega a ser para ¼ do valor em outras épocas do ano. Lembro-me do abacate custando mais de R$8,00/kg e semana passada comprei por R$2,00.

Essa frutinha cremosa é temida por muita gente por seu alto valor calórico. De fato, é composta por 16% de gordura, o que a deixa com um perfil bastante calórico. Entretanto, o queijo mussarela chega a conter 26% de gordura e as pessoas o consomem em maior escala e com menos preconceito. A diferença dos dois é que, além do queijo ser mais gorduroso, contém apenas 25% de gordura monoinsaturada. Já a gordura do abacate é 75% do tipo monoinsaturada e insaturada. (Dados retirados da Tabela de Equivalentes, Medidas Caseiras e Composição Química dos Alimentos da Editora Rúbio, por Manuela Pacheco).

O abacate é riquíssimo em micronutrientes. A cultura popular preconiza, por exemplo, que deve-se comer banana em caso de cãibras (pois essas podem decorrer de um falta de potássio na dieta). O que muita gente não sabe é que enquanto uma porção de 63g de banana contém 249,48mg de potássio, a mesma porção de abacate contém 377,37mg. Além disso, é uma das frutas mais ricas em magnésio, ácido fólico, vitaminas B, vitamina E e vitamina K.

E por falar em bananas e abacates, considero-as campeãs para o preparo de vitaminas. Ambas possuem uma consistência cremosa quando batidas, fazendo qualquer smoothie, batida ou vitamina, deliciosa, sem a necessidade do uso do leite. Combinadas ficam deliciosas também. Depois provem essa receita: ½ polpa de abacate + 2 bananas da prata + 6 pedras de gelo + 200ml de água. É só bater no liquidificador e tomar!!

Voltando ao abacate, gostaria de salientar que ele é rico em fitoesterol do tipo beta-sitosterol. Esse componente possui estrutura similar ao colesterol, inibindo a sua absorção no estômago e no intestino e diminuindo a síntese de colesterol hepático. Foi feito um estudo em 2008 em ratos hipercolesterolêmicos que demonstra a eficácia do abacate na redução do colesterol total e no LDL em até 15%. No artigo são citados outros experimentos que chegam aos mesmos resultados. Bem interessante, não é mesmo? Querendo conferir o estudo com mais detalhes, recomendo a leitura do artigo (com vocabulário bem acessível) no link: http://www.scielo.br/pdf/cta/v28n4/a25v28n4.pdf.


Não para por aí... O abacate contém também outras substâncias fitoquímicas como a luteína. Essa substância é famosa por ajudar a combater a degeneração muscular e frear o avanço do câncer de próstata. Possui ainda carotenóides, que ajudam o corpo a absorver nutrientes lipossolúveis, protegendo contra o câncer, problemas oculares e enfermidades cardiovasculares.

E então, gostou? Aproveite que o abacate está barato e se ainda não faz uso dele, acrescente-o à sua lista de supermercado. Uma receita típica é o patê mexicano: guacamole (faço de cabeça e não sei as proporções exatas, mas é uma receita fácil de encontrar na internet). Adoro usar o abacate em saladas e em patês, substituindo a maionese. Patê de atum com abacate, por exemplo, é uma delicia! Além disso, pode ser usado na estética. Publiquei uma receita na matéria da Revista dos Vegetarianos postada aqui no link: http://www.beijonopadeiro.com/2012/05/colageno-revista-dos-vegetarianos.html. O resto é brincar com a criatividade... Bons experimentos!

Salada de abacate com grão-de-bico

sábado, 12 de maio de 2012

Leitura e Interpretação de Rótulos


Ontem comecei um assunto e fiquei com gostinho de quero mais... Por isso, resolvi acrescentar outras informações  sobre esse tema de grande importância para a população. 

Se você está lendo esse post agora, recomendo que leia também os Posts: Hora do Lanche (http://www.beijonopadeiro.com/2012/05/hora-do-lanche.html) e Aspergillus flavus (http://www.beijonopadeiro.com/2012/05/aspergillus-flavus.html), pois um deu sequência ao outro...


Dúvidas frequentes sobre rótulos:


  1. O que representa a medida caseira? E a %VD apresentado nos rótulos de alimentos?
A medida caseira é uma forma mais simplificada de explicar o que representa determinada porção, normalmente descrita em gramas ou mililitros. Alguns exemplos de medidas caseiras são: uma xícara ou uma colher de chá. Desta forma o rótulo fica mais acessível à toda a população e menos técnico. 
O percentual dos valores diários presente nos rótulos dos alimentos é qual a porção do alimento que contribui para atingir os valores diários recomendados para estar dentro dos padrões de saúde estabelecidos.

2.     Existe %VD para gordura trans? Por quê?

Segundo a Resolução - RDC nº 360, de 23 de dezembro de 2003: “Fica excluída a declaração de gordura trans em percentual de Valor Diário (%VD)”. Não há um percentual diário estabelecido, por isso os rótulos somente indicam a quantidade de gorduras trans presentes nos alimentos em gramas e a única referência estipulada é que não se deve consumir mais do que 2 gramas diariamente. Desta forma, é muito importante atentar para a porção, pois valores menores que 2 gramas são arredondados para zero. No entanto, é muito provável que alimentos industrializados contenham sim gordura vegetal hidrogenada. Ao se crescer a porção, um número que pode ter sido aproximado para zero, ao ser somado, pode superar os 2 gramas diários recomendados.

3.     E os outros parâmetros, como interpretá-los?

O %VD é estipulado, na maior parte das vezes, para dietas de 2000kcal/dia. Esta informação fica abaixo da tabela em letras menores. Esse número é um padrão estabelecido, mas cada pessoa tem seu consumo calórico específico que vai variar de acordo com seu gasto energético total (GET). O ideal é consultar um nutricionista para saber se o consumo de macro e micronutrientes anda equilibrado.

Como forma de parâmetro estimado, deixarei aqui alguns dados da AMDR (Acceptable Macronutrient Distribution Ranges / Variação Aceitável da Distribuição de Macronutrientes) para dar uma ajuda na leitura dos rótulos. Para adultos, o consumo de carboidratos deve estar entre 45% e 65% da ingestão diária, o de proteínas entre 10% e 35% e o de lipídios entre 20% e 35%. As taxas de micronutrientes, bem como o equilíbrio e as proporções ideais entre eles, devem ser calculados por um nutricionista, uma vez que dependem de uma série de fatores individuais como: idade, atividade física, hábitos, etc... 

Observação: 
Sobre a lista de ingredientes: eles sempre aparecem na ordem do que está contido em maior quantidade no produto para o que existe em menor quantidade. Então, se um salgadinho "diz" que é de milho, mas este é o quinto ingrediente da lista, desconfie... Pode começar a perceber que exemplos como esse são bastante comuns. Agora é se preparar para transformar supermercado em biblioteca, risos!! Boa Leitura!!!