quinta-feira, 7 de junho de 2012

A Ditadura do Sal



Acabei de ler um texto no blog da Sonia Hirsch, escrito por uma leitora muito querida aqui do blog, Kenia Bahr. Recomendo a leitura: trata da adição do flúor à água. http://www.soniahirsch.com/2012/06/do-verbo-viver-nos-nos-envenenamos-eles.html

Ele me inspirou a escrever outro texto, aproveitando o embalo do tema do sal, que foi bastante discutido aqui e pelo facebook durante essa semana.

No Brasil, vivemos hoje a ditadura do sal, onde é IMPOSSÍVEL ter a opção de utilizar um sal que não seja “enriquecido” com iodo, uma vez que a adição é regulamentada e obrigatória desde 26 de maio de 2003, presente na RDC n.130. O texto sobre a água me levou a querer discutir este tema, pois ela também é enriquecida com flúor e cloro. A diferença é que o consumidor tem direito a optar por uma água mineral (adquirida em supermercados ou direto de fontes, para os mais privilegiados). No caso do sal, não há opção, até mesmo a importação de sais orgânicos é proibida. O sal, marinho ou refinado, (http://www.beijonopadeiro.com/2009/11/sal-marinho-x-sal-refinado.html) neste país, sempre será adicionado de iodo. Para importação legal, existe a opção da flor de sal sem adição de iodo, entretanto trata-se de solução demasiadamente cara, considerando ser um condimento utilizado diariamente na cozinha da população em geral. É bom ressaltar que a flor de sal nacional não foge da ditadura e é obrigatoriamente adicionada de iodo.

De onde vem essa medida? A deficiência de Iodo nas dietas foi responsável pelo bócio endêmico no Brasil, que foi erradicado graças a esta regulamentação. Algumas pessoas de minha geração não conviveram com a doença e podem nem saber do que se trata: o bócio é o aumento da glândula tireoide na tentativa de captar mais iodo. Outra patologia relacionada à deficiência de iodo durante a infância é o cretinismo, um retardo mental irreversível.


Acontece que o Brasil é um país de enorme extensão, com estados litorâneos e não litorâneos e, portanto, não pode ser tratado como um pequeno país no centro da Europa. A deficiência de consumo de iodo na dieta está relacionada principalmente às regiões distantes da costa marítima. Alimentos provenientes do mar como peixes, crustáceos e algas, são ricas fontes de iodo e são costumeiramente ingeridos nas dietas de quem vive em terras costeiras. Além disso, o iodo é um elemento de grande volatilidade, presente no ar nestes ambientes, podendo ser absorvido, em doses homeopáticas, através da pele e respiração.

Vivi maior parte de minha vida em Salvador, comendo algas marinhas diariamente e frutos do mar/peixes, no mínimo, duas vezes por semana. Além disso, fazia caminhadas diárias na orla, inalando a brisa do mar e o clima permitia que me banhasse nas águas da Baía de Todos os Santos o ano inteiro. Por este motivo, me curvar à ditadura do sal sempre me incomodou. Nunca conheci ninguém com cretinismo e nem com bócio, em compensação, conheço um incontável número de pessoas com problemas na tireoide, inclusive câncer. Pergunto-me, não seria é excesso de iodo na dieta?


Nos posts desta semana, demonstrei o quão elevado é o consumo de sal na dieta brasileira.
http://www.beijonopadeiro.com/2012/06/sos-leitura-de-rotulos.html
http://www.beijonopadeiro.com/2012/06/tabela-teor-de-sodio-dos-alimentos.html
http://www.beijonopadeiro.com/2012/06/controlando-o-sal-na-dieta.html
Isso me leva a crer que, mesmo para quem não vive nas condições descritas acima, a adição de iodo ao sal, possa estar relacionado às patologias tireoidianas frequentemente observadas na população brasileira. A opção de sal, não enriquecido com iodo, seria uma excelente opção para prescrições nutricionais de pacientes em tratamentos tireoidianos e também em casos onde fosse detectado um alto consumo de iodo na dieta.

8 comentários:

  1. The Goat Strikes Again7 de junho de 2012 20:49

    No Brasil, infelizmente, nem a flor de sal escapa da ditadura do iodo. Um pais verdadeiramente democrático jamais deveria elaborar ou tolerar leis absolutistas como esta. A que interesses isso está atendendo? Sim, porque num país sério os negócios são feitos de acordo com as leis; aqui, infelizmente e, principalmente nos últimos tempos, estamos cansados de ver que as leis é que são feitas de acordo com os negócios. Parabéns pelo artigo.

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    1. Nossa, nem a flor de sal??? Outro dia estava questionando esse assunto com uma professora (nutricionista) e ela me apontou a flor de sal como opção... O pior é que além de desinformados a maioria dos professores não consegue ver a gravidade desta ditadura. Só defendem os benefícios e parecem não associar tantos problemas tireoidianos ocorrendo nos últimos tempos. Sem falar que não parecem se incomodar com a castração em termos dietoterápicos... Triste, pois para haver mudança tem que ter pressão e se os profissionais da área nem pensam no assunto, quem irá pressionar??

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  2. Olá, meu nome é Tati, vi seu blog recomendado no blog da Mel. O sal na minha vida tem sido um vilão, hepática, com pressão alta, obesidade, ele tem tirado meu sono.. tem noite, qdo como algo antes de dormir pesado, como carne ou pizza, fica difícil dormir, enfim... para mim uma dieta com mais frutas seria ideal. Venha conhecer meu bloguinho e deixar um comentário, será um prazer, bjinhos e bom restante de feriado!!

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    1. Oi Tati,

      Bem vinda ao Beijo no Padeiro!!

      Acabei de passear pelo seu blog e deixei um recadinho para você.

      Vejo que você é uma forte candidata à síndrome metabólica. Todas essas doenças estão relacionadas e funcionam como efeito cascata, uma atraindo a outra: hipertensão, obesidade, problemas hepáticos, diabetes...

      Olhei o seu perfil e vi que é super jovem e está entusiasmada com mudanças para reverter esse quadro. Parabéns!!! O querer é o primeiro passo!!!

      Não pude deixar de perceber sua predileção por doces e se me permite dar uma opinião, o sal é um grande vilão, mas o açúcar pode ser ainda pior. Ele tem grande efeito em tudo que relatou, mais do que possa imaginar.

      Existem 2 livros muito bons que recomendo para dar um empurrãozinho na conscientização alimentar. Sugar Blues (William Duffy) e O Livro Negro do Açúcar (Fernando Carvalho).

      Infelizmente frutas não são a solução o problema, mas já são um início (melhor elas do que doces e alimentos que contenham açúcar refinado). Existe toda uma mudança psicológica e comportamental por trás. Mexer na alimentação não é nada fácil, são hábitos de uma vida. Entretanto, os resultados são bem recompensantes.

      Não consegui descobrir onde mora... Depois me fala, quem sabe não posso lhe recomendar uns bons restaurantes, mercados, etc...

      É isso aí, apareça sempre e espero poder lhe ajudar com meus posts!! Sinta-se à vontade para tirar dúvidas sempre, ok???

      Beijos e boa semana!!

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  3. Oi, Camila! Esses 'aditivos' que nos enfiam garganta abaixo me deixam louca, sempre. Acho um absurdo não podermos ter controle sobre o que ingerimos, me deixa com uma sensação de impotência enorme.

    Quanto a ser querida, obrigada! É recíproco!

    O texto não é meu, não, é do Avaaz. Eu só mandei o link.

    Beijo grande!

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    1. Oi Kenia,

      Quem é, ou o que é o Avaaz?? Desconheço.

      Nem me fale, me senti uma clandestina, quando trouxe sal de fora do país... E olhe que trouxe só um frasco, não o suficiente para usar no dia-a-dia, apenas uma iguaria para ocasiões especiais. Sal cinza do himalaia, conhece?

      Consegui um sal que diz ser sem adição de iodo aqui em BH. Estou tentando uma vaga no laboratório de bromatologia da faculdade para verificar. Entretanto, o processo está sendo um tanto burocrático. Se tiver boas notícias, lhe passo o meu "canal".

      Beijos e boa semana!!

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  4. Avaaz é um caminho para petições, como essa que a Cláudia criou contra o flúor na água. Na verdade, o texto é dela, como ela disse depois.

    Conheço o sal do himalaia sim, tem um tal de sal laranja do himalaia também, tenho em casa, mas nem sei se é real.

    Tá bem, qdo souber, me dê notícias!

    Ótima semana!

    Beijo!

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    1. Huuummm, não conhecia!!

      Esse sal do himalaia meio salmão eu já vi à venda (30 reais o kg) numa loja de produtos naturais em Salvador. Só não sei se confio na procedência...

      Vou ver se ainda consigo encontrá-lo para incluir em minhas análises bromatológicas... Espero conseguir fazer isso logo! =)

      Beijos

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