segunda-feira, 11 de junho de 2012

Ecoturismo em Minas Gerais


Estive um pouco sumida, mas foi por uma justa causa: estava viajando!

Já escrevi um post sobre as 10 coisas que mais gosto em BH (http://www.beijonopadeiro.com/2012/03/10-motivos-para-beijar-o-padeiro-em-bh.html) e incluí a proximidade de ótimas cidades vizinhas. Este feriado fui desbravar novos territórios: o distrito do Tabuleiro em Conceição do Mato Dentro e Diamantina.

Na primeira parada de minha viagem está localizada a cachoeira do Tabuleiro, terceira maior do país, com 273m. Bem perto, está a Serra do Cipó, região a cerca de 100km de BH com aproximadamente 50 cachoeiras! Já tinha passeado por lá, conhecido as cachoeiras Morena I e Morena II e também a cachoeira da Farofa. São tantas opções que daria para ir todos os finais de semana em um ano e sempre conhecer novidades. Além disso, na Serra do Cipó tem bons restaurantes, como o Petras (sempre com música ao vivo) e o Parador Nacional, que já ganhou como melhor restaurante no Guia 4 Rodas cinco vezes e é realmente divino. Um paraíso para quem gosta de ecoturismo!

Cachoeira da Farofa - Serra do Cipó

O distrito do Tabuleiro fica um pouco mais distante. Conceição do Mato Dentro está a 60km da Serra do Cipó e para chegar no Tabuleiro são mais 15km de estrada de terra. Por esse motivo, resolvemos ir de véspera para fazer a trilha no outro dia de manhã cedo. A trilha para a cachoeira é de 5 km (cada trecho) sendo que metade do percurso é escalando pedras pelo rio. Chegando ao local, fomos informados que a trilha estava interditada, porque havia risco de chuva e somente o mirante poderia ser visitado. Que decepção! No caminho encontramos uma família dizendo que do mirante viram pessoas na trilha rumo à cachoeira e que iriam também. Teimosos de plantão! O que me impressionou, entretanto, é que essa família era constituída de uma senhora, um senhor, a filha deles e o neto. Não acreditei na senhora dizendo que ia de qualquer jeito e não tive como ficar para trás. Mais adiante, descobri que a senhora tinha 73 anos e o seu marido 77.

No caminho da trilha, fomos um pouco mais velozes e ao chegar à cachoeira, estávamos apostando que os velhinhos teriam desistido pelo meio do caminho. A escalada de pedras não era das mais fáceis... Ledo engano! Meia hora depois, quem aparece? A família completa!!! Meu queixo caiu ao ver a disposição e saúde daqueles velhinhos, grande inspiração!

Cachoeira do Tabuleiro - Conceição do Mato Dentro

Valeu a pena: a cachoeira é linda e a água super gelada, purificando até a alma!

Neste mesmo dia, um amigo baiano, que também mora em BH e tinha ficado trabalhando, encontrou conosco em Conceição do Mato Dentro e seguimos para Diamantina. Mal sabíamos que a estrada para lá era de barro!!! Percorremos 130km levantando poeira até encontrar o asfalto e seguir para Diamantina. Ao chegar na cidade, mortos de fome, a primeira impressão não foi das melhores. Até chegar ao centro histórico, o entorno da cidade é bem sujo e pobre, diferente de Ouro Preto e Tiradentes, que são lindas desde a entrada.

Deixamos nossas malas no quarto do albergue e estávamos saindo para jantar, quando lembrei que havia esquecido a chave do carro no quarto. Não conseguia destrancar a porta de jeito nenhum, aí me lembrei de que havia uma chave na fechadura por dentro e que ela devia estar torta, impossibilitando que a porta fosse destrancada. Depois de quase uma hora tentando abrir, sem sucesso, chegamos à conclusão que só um chaveiro para resolver a situação. Enfim, terceirizamos o problema para a proprietária do albergue e fomos matar quem estava nos matando, de taxi!

Primeiro fomos assaltados! O taxista cobrou R$20,00 por um percurso de 3 minutos (ainda tivemos que pagar mais R$20,00 na volta). Encontramos a cidade bem cheia, em clima de São João, com banda de forró no mercado (praça central), barracas de comidas típicas e tudo mais. Sentimo-nos na Bahia! Mas não estávamos no clima de festas e sim com muita fome e custou para encontrarmos um restaurante. Diferente de Tiradentes, que tem enorme e rica variedade gastronômica, Diamantina tem mais botecos e poucos restaurantes. No fim, acabamos encontrando uma boa opção e quando retornamos o quarto já havia sido destrancado! Ufa!   

No dia seguinte, impagável clima amistoso de albergue no café da manhã. Conhecemos um paulista, que estava em Diamantina pela quinta vez e nos deu ótimas dicas de trilhas pela região. Fiquei impressionada com as opções, achava que as atrações lá se resumiriam a passeios pelo centro histórico. Depois de percorrer 10 km de estrada asfaltada e mais 65 km de estrada de terra chegamos a uma cachoeira linda e ‘particular’ em Conselheiro Mata, chamada Cachoeira das Fadas. Delícia de banho. Seguimos mais 20 km em estrada de terra e chegamos até outra cachoeira, essa diferente de tudo que já conheci, com um rio e areia branquinha dos dois lados. Literalmente uma praia de água doce com direito à cachoeira, chamada Telésforo.

Cachoeira das Fadas: Conselheiro Mata

Nem preciso dizer que esses lugares eram totalmente inóspitos e não havia qualquer tipo de ambulante para vender comidinhas. Tínhamos levado uns sanduíches e frutas, mas quando retornamos para a cidade estávamos famintos! Paramos em uma pizzaria às 18:30 com a certeza de que seria rápido, afinal, não havia mais ninguém no salão. Que ilusão! Mais de uma hora para sair a bendita pizza!! No fim, estava uma delícia, mas como a fome é o melhor tempero, não posso garantir...

Cachoeira Telésforo: Conselheiro Mata

Último dia de viagem. Hora de conhecer o centro histórico. Era domingo, o comércio estava todo fechado, mesmo assim deu para visitar a casa onde viveu Juscelino Kubitschek, a casa da Glória e a casa da Chica da Silva. Acho que são as principais atrações turísticas do local... Na estrada, passamos por um restaurante bem arrumadinho e decidimos parar, assumindo que restaurantes de estrada são rápidos. Desta vez a espera foi de uma hora e vinte minutos, todas as pessoas que lá estavam, pareciam indignadas! Um pessoal levantou depois de uma hora e foi embora sem dar nenhum tipo de satisfação...

No fim a refeição recompensou a espera! Comida típica mineira com frango caipira de verdade (o galinheiro ficava atrás do restaurante) acompanhado de feijão, arroz, angu, quiabo, macarrão e batatas fritas. A comida mineira é sempre exageradamente bem servida. Esse prato era para duas pessoas, comeram três famintos e ainda sobrou! O mais impressionante foi o preço, a conta foi menos de R$50,00, o que me faz ter certeza que somos assaltados nos restaurantes das capitais...

O feriado teve algumas surpresas, no geral todas boas. Passamos um pouco de fome, fato, mas os passeios compensaram sem sombra de dúvidas. A maior preocupação era de ficar tarde e a estrada engarrafar, o que não aconteceu, apenas em um pequeno trecho devido a uma batida... Então, no fim das contas, foi tudo muito bom!

Para quem pretende passear pela Estrada Real e quer conhecer cidades históricas, museus, desfrutar de bons hotéis/pousadas, artesanato e gastronomia, recomendo Ouro Preto e Tiradentes (sul de MG) em relação à Diamantina (norte de MG). Se a intenção for fazer ecoturismo, pode ir pro norte do estado: muitas opções, diversão e beleza garantidas!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A Ditadura do Sal



Acabei de ler um texto no blog da Sonia Hirsch, escrito por uma leitora muito querida aqui do blog, Kenia Bahr. Recomendo a leitura: trata da adição do flúor à água. http://www.soniahirsch.com/2012/06/do-verbo-viver-nos-nos-envenenamos-eles.html

Ele me inspirou a escrever outro texto, aproveitando o embalo do tema do sal, que foi bastante discutido aqui e pelo facebook durante essa semana.

No Brasil, vivemos hoje a ditadura do sal, onde é IMPOSSÍVEL ter a opção de utilizar um sal que não seja “enriquecido” com iodo, uma vez que a adição é regulamentada e obrigatória desde 26 de maio de 2003, presente na RDC n.130. O texto sobre a água me levou a querer discutir este tema, pois ela também é enriquecida com flúor e cloro. A diferença é que o consumidor tem direito a optar por uma água mineral (adquirida em supermercados ou direto de fontes, para os mais privilegiados). No caso do sal, não há opção, até mesmo a importação de sais orgânicos é proibida. O sal, marinho ou refinado, (http://www.beijonopadeiro.com/2009/11/sal-marinho-x-sal-refinado.html) neste país, sempre será adicionado de iodo. Para importação legal, existe a opção da flor de sal sem adição de iodo, entretanto trata-se de solução demasiadamente cara, considerando ser um condimento utilizado diariamente na cozinha da população em geral. É bom ressaltar que a flor de sal nacional não foge da ditadura e é obrigatoriamente adicionada de iodo.

De onde vem essa medida? A deficiência de Iodo nas dietas foi responsável pelo bócio endêmico no Brasil, que foi erradicado graças a esta regulamentação. Algumas pessoas de minha geração não conviveram com a doença e podem nem saber do que se trata: o bócio é o aumento da glândula tireoide na tentativa de captar mais iodo. Outra patologia relacionada à deficiência de iodo durante a infância é o cretinismo, um retardo mental irreversível.


Acontece que o Brasil é um país de enorme extensão, com estados litorâneos e não litorâneos e, portanto, não pode ser tratado como um pequeno país no centro da Europa. A deficiência de consumo de iodo na dieta está relacionada principalmente às regiões distantes da costa marítima. Alimentos provenientes do mar como peixes, crustáceos e algas, são ricas fontes de iodo e são costumeiramente ingeridos nas dietas de quem vive em terras costeiras. Além disso, o iodo é um elemento de grande volatilidade, presente no ar nestes ambientes, podendo ser absorvido, em doses homeopáticas, através da pele e respiração.

Vivi maior parte de minha vida em Salvador, comendo algas marinhas diariamente e frutos do mar/peixes, no mínimo, duas vezes por semana. Além disso, fazia caminhadas diárias na orla, inalando a brisa do mar e o clima permitia que me banhasse nas águas da Baía de Todos os Santos o ano inteiro. Por este motivo, me curvar à ditadura do sal sempre me incomodou. Nunca conheci ninguém com cretinismo e nem com bócio, em compensação, conheço um incontável número de pessoas com problemas na tireoide, inclusive câncer. Pergunto-me, não seria é excesso de iodo na dieta?


Nos posts desta semana, demonstrei o quão elevado é o consumo de sal na dieta brasileira.
http://www.beijonopadeiro.com/2012/06/sos-leitura-de-rotulos.html
http://www.beijonopadeiro.com/2012/06/tabela-teor-de-sodio-dos-alimentos.html
http://www.beijonopadeiro.com/2012/06/controlando-o-sal-na-dieta.html
Isso me leva a crer que, mesmo para quem não vive nas condições descritas acima, a adição de iodo ao sal, possa estar relacionado às patologias tireoidianas frequentemente observadas na população brasileira. A opção de sal, não enriquecido com iodo, seria uma excelente opção para prescrições nutricionais de pacientes em tratamentos tireoidianos e também em casos onde fosse detectado um alto consumo de iodo na dieta.

Broto / Sprout


Arroz integral com gersal; sopa de missô; feijão carioquinha com nabo, pimentão e cenoura; broto de alfafa; ensopado de abóbora, batata baroa, tofu, gengibre e canela; mostarda refogada; molho de tahini e missô

Brown rice with gomasio; miso soup; pinto beans with carrot, burddock and bellpepper; alfafa sprouts; squash+plaintain+tofu with ginger and cynamon; tahini+miso sauce

Kimpira


Bardana, cenoura, hijiki e gergelim

Burdock, carrot, hijiki and sesame seeds